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Formato dos dois estaduais, que agora chegam ao mata-mata, não agradou. Clubes apontam incoerência nos regulamentos, e torcedores deixaram as arquibancadas vazias

Corinthans de Mano Menezes foi eliminado do Paulistão mesmo com 7ª melhor campanha
Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians
Corinthans de Mano Menezes foi eliminado do Paulistão mesmo com 7ª melhor campanha

Os Campeonatos Paulista e Carioca chegaram neste final de semana a suas etapas decisivas, mas já estão condenados antes mesmo de conhecerem os campeões. Apesar de agora as partidas serem eliminatórias, o que deve aumentar a emoção das disputas, os formatos pouco atraentes e os fiascos de público durante os pouco mais de dois meses das fases classificatórias nos dois torneios levaram as federações de futebol de São Paulo e do Rio de Janeiro a repensar as fórmulas de disputa para 2015.

As duas competições foram alteradas neste ano para atender à necessidade de um calendário mais enxuto por causa da Copa do Mundo. Ambos passaram de 21 datas de suas edições anteriores para 19 em 2014. Com isso, sobrou criatividade dos dirigentes para modificar as disputas. E os resultados mostram que eles erraram a mão.

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Em São Paulo, o torneio antes tinha uma primeira fase em que todos os 20 times de enfrentavam em turno único e os oito melhores avançavam para o mata-mata. Criticado, o modelo foi alterado em 2014 para um com equipes fossem divididas em quatro grupos de cinco, sem confronto entre clubes da mesma chave. Os dois melhores de cada grupo seguiram para o mata-mata, mesmo que a pontuação fosse inferior a de um time de outra chave.

“Não é um fato inédito que uma equipe com menos pontuação passar para a fase seguinte. O que acontece é não ter o direito de jogar diretamente contra os seus adversários. Esse é um ponto negativo, mas a gente sempre fala que essa discussão é feita antes da competição começar. Depois, as regras são claras e temos que cumprir”, criticou Mano Menezes , do eliminado Corinthians.

Com menos de 30 mil torcedores, Corinthians e São Paulo foi o jogo de maior público no Paulistão
Reginaldo Castro/Gazeta Press
Com menos de 30 mil torcedores, Corinthians e São Paulo foi o jogo de maior público no Paulistão

O clube do Parque São Jorge terminou na terceira posição de seu grupo, mas com melhor campanha que Penapolense e Bragantino, vices em suas chaves e que seguiram adiante. Ao todo, as equipes do grupo B, que tem o Corinthians, somaram 37 pontos a mais do que as do grupo A, do São Paulo, por exemplo.

Não bastasse isso, o novo modelo de disputa esbarrou em um antigo problema: a baixa média de público. Somente quatro partidas tiveram bilheteria superior a 20 mil pagantes e nenhuma chegou nos 30 mil. Para piorar, o jogo entre Oeste e Ituano registrou incríveis 32 pessoas nas arquibancadas.

“Vamos mudar o regulamento para 2015. Ainda não temos ideia de como será o formato, mas ficará diferente. Até porque teremos mais datas”, resumiu Marcos Marinho , presidente da Comissão de Arbitragem da FPF (Federação Paulista de Futebol).

Torcedor protesta contra alto preço dos ingressos no Fla-Flu da Taça Guanabara
Marcelo Moreira/Futura Press
Torcedor protesta contra alto preço dos ingressos no Fla-Flu da Taça Guanabara

Já no Rio de Janeiro fez-se o contrário. Foi abolido o campeonato em dois turnos, as tradicionais Taças Guanabara e Rio, com a final entre o vencedor de cada etapa, para a adoção de um modelo similar ao que era usado no Paulistão. Os 16 times jogaram todos entre si em um só turno e os quatro melhores avançaram para o mata-mata.

O resultado foi um torneio com fracasso de bilheteria. O clube com maior média de público na primeira fase foi o Fluminense, com somente 6.525 torcedores por partida. Apenas um jogo, o empate entre Fluminense e Bonsucesso, passou da marca dos 15 mil pagantes. Em dois duelos, Boavista x Madureira eBoavista x Cabofriense, 150 foi o total de fãs.

A Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) não cravou a mudança do regulamento, mas anunciou a criação de um fórum de debates com o objetivo de analisar a fórmula. Serão discutidas a redução do número de 16 clubes para 12 em 2016 e medidas para atrair os torcedores aos estádios, como mudança nos horários de partidas e a redução nos preços dos ingressos.

“Houve uma insatisfação. Foi uma atitude de bom senso e vai trazer grandes melhorias para os clubes. Não só os grandes”, falou Antônio Peralta, vice-presidente do Vasco.

Em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul os dirigentes não inventaram e os respectivos formatos foram mantidos em 2014. No Mineiro, 12 times se enfrentam em turno único na primeira fase e os quatro melhores vãopara o mata-mata. No Gauchão, em fórmula similar ao antigo Carioca, as disputas são feitas em dois turnos e os campeões de cada etapa se enfrentam na decisão.

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