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Roberto Senise, promotor do Ministério Público de São Paulo, diz que alguém "levou vantagem" no clube paulista

O promotor do Ministério Público de São Paulo Roberto Senise Lisbôa diz que há indícios de que alguma pessoa ligada à Portuguesa obteve vantagem financeira para que o clube escalasse o meia Héverton na partida da última rodada do Campeonato Brasileiro, diante do Grêmio, no Canindé. 

"Há indícios de que alguém no clube recebeu vantagem e acabou prejudicando a Portuguesa. O que é certo é que o técnico Guto Ferreira não sabia da situação do jogador. Ao que tudo indica, houve problema no meio do caminho, na comunicação do clube", disse Senise em entrevista para a "Rádio Bandeirantes".

Punido pelo STJD, Héverton não poderia ter atuado na partida em questão. A situação acabou tirando quatro pontos do clube paulista, que sem essa pontuação entrou na zona de rebaixamento. Os beneficiados foram o Flamengo, que havia escalado o lateral-esquerdo André Santos de forma irregular no dia anterior à partida entre Portuguesa e Grêmio - e seria rebaixado não fosse a escalação de Héverton, e o Fluminense, que pelos resultados de campo terminou o Brasileirão entre os quatro últimos colocados. 

"A questão é quem ganhou dinheiro com isso, e alguns indícios apontam para isso. A máfia no futebol não esta restrita apenas ao apito", completou Senise.

A Portuguesa alega que não foi informada pelo advogado Osvaldo Sestário, seu representante no julgamento de Héverton no dia 6 de dezembro (dois dias antes da partida contra o Grêmio). Sestário confirma que entrou em contato com Valdir Rocha, diretor jurídico da Portuguesa até o final do ano passado. O MP vai investigar o registro de ligações de Sestário para confirmar sua versão.

"Vamos dizer que os indícios são fortes (de que alguém recebeu), provas ainda estão em fase de constituição. É muito esquisito um clube afirmar que não sabia da suspensão de um jogador apenas na última rodada do Campeonato Brasileiro. Tem que analisar com o devido cuidado, é muito estranha a situação", concluiu o promotor.