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"Com essa mini-pré-temporada, você não tem condição de jogar 90 minutos no ritmo que tivemos no 1º tempo"

As dificuldades enfrentadas pelo Corinthians na noite de quarta-feira, não surpreenderam Mano Menezes. Feliz com a superação dos obstáculos em Americana, o técnico disse que já havia previsto problemas pela condição física do elenco no início da temporada e pela qualidade do Paulista, vencido por 1 a 0 .

Mano Menezes, técnico do Corinthians
Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians
Mano Menezes, técnico do Corinthians

"O Paulista tem uma defesa muito bem postada, com um goleiro que faz excelentes intervenções. Eles já tinham feito um bom jogo contra o Audax e também exigiram muito da nossa defesa. A gente sabe o nível técnico que tem a competição. É por isso que digo que temos de fazer a nossa parte bem. Caso contrário, não ganhamos de ninguém", comentou.

De acordo com o gaúcho, o triunfo poderia ter sido menos suado se alguma das oportunidades criadas no primeiro tempo fosse aproveitada. Foi só aos 33 minutos do segundo tempo que Paolo Guerrero aproveitou um cruzamento de Emerson para definir o placar.

"Com essa mini-pré-temporada que fazemos no Brasil, você não tem condição de jogar 90 minutos no ritmo que tivemos no primeiro tempo. Estamos tentando sair na frente porque isso dá a você a possibilidade de administrar - não para trás, mas com outra estratégia. Hoje não foi possível, embora a gente tenha criado bastante", analisou.

Essa administração do resultado só foi possível nos minutos finais, e com os jogadores já bastante cansados. "Você sofre muito, porque o adversário se projeta, e o atleta já não tem aquela força de arranque para combater. Aí, marca mais com o olho do que com a perna", concluiu, satisfeito com a pressão suportada.

Mano pede calma a atacantes para utilizá-los "da melhor maneira"

Para buscar a vitória por 1 a 0 sobre o Paulista, na última quarta-feira, Mano Menezes acionou um trio de ataque formado por Alexandre Pato, Guerrero e Emerson - Romarinho havia saído por contusão. No minuto seguinte à substituição, aos 33 do segundo tempo, o gol do Corinthians saiu em cruzamento de Sheik para Guerrero. A formação, explicou o treinador, por enquanto, é só para situações específicas do jogo, não para o início.

"Não é uma decisão fácil. O sistema é simpático, mas precisa produzir. E você só consegue fazer isso se o meio está estável como estava em 2009, quando o Cristian e o Elias estavam muito bem", afirmou o gaúcho, referindo-se ao sucesso do sistema com três homens de frente em sua primeira passagem pelo clube.

Por enquanto, Mano prefere escalar o time com dois meias - Rodriguinho e Danilo - e dois atacantes. Cogitar uma mudança é algo imaginável para ele apenas em outro momento da temporada. "Quando ajustarmos o meio para jogar com três atacantes, não vejo por que não fazer isso."

Ao menos neste momento, o jeito para os homens de frente é mesmo brigar pelas duas posições disponíveis. Romarinho e Guerrero começaram a temporada à frente de Emerson e Alexandre Pato, justificando a escolha com boas atuações nos triunfos sobre Portuguesa e Paulista.

"É óbvio que, se tenho no banco Emerson Sheik e Pato, tenho que pensar na possibilidade de utilizá-los e tirar o melhor de cada um. Mas está muito cedo. Acabamos de jogar a segunda partida do ano, não teria sentido eu dizer que tem algo definido, pronto, até o fim", comentou.

"O papel do técnico é tirar o melhor de cada um. Então, vamos com calma, vamos deixar a equipe ganhar confiança. Quando a equipe ganha confiança, é melhor para todo o mundo. É mais fácil entrar em uma equipe bem posicionada", acrescentou o gaúcho, satisfeito com "a dinâmica e a movimentação" que está vendo.

Foi Emerson quem cruzou a bola do gol, mas, como era comum já na época de Tite, as perguntas após o jogo mencionaram a condição de reserva de Pato. Em cada uma de suas duas partidas sob comando de Mano, o camisa 7 atuou por cerca de 15 minutos, sem qualquer destaque.

"Não estou preservando o Pato, ele está bem fisicamente. A questão é que o técnico precisa fazer opções, e, para esses dois jogos, a opção foi iniciar com outra formação. Não é possível fazer a terceira alteração muito cedo, você não pode arriscar sob pena de ficar com dez jogadores. O último tem entrado para jogar no máximo 15 minutos. Foi o que aconteceu com ele."