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Meia francês critica o fato de a entidade ter prorrogado o prazo de entrega dos votos em quase 15 dias

Franck Ribéry ficou em terceiro lugar na votação da Bola de Ouro
Ruben Sprich/Reuters
Franck Ribéry ficou em terceiro lugar na votação da Bola de Ouro

Uma semana se passou, e Franck Ribery parece longe de esquecer a ‘derrota’ na Bola de Ouro da Fifa. Campeão de todos os torneios possíveis com o Bayern de Munique na temporada passada, o francês foi superado por Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, que não conquistaram torneios expressivos em 2013, e ficou no terceiro posto. Nesta segunda-feira, o meia atacou a entidade presidida por Joseph Blatter e disse que a eleição de Cristiano Ronaldo como melhor jogador do planeta foi puramente política.

"Estava claro que Ronaldo iria vencer. A votação foi estendida por duas semanas. Isso nunca aconteceu antes. Não foi sobre futebol, foi uma decisão política", afirmou Ribery em entrevista ao jornal alemão AZ , referindo-se ao fato de a Fifa ter prorrogado o prazo de entrega dos votos em quase 15 dias. Neste período, Cristiano Ronaldo anotou quatro gols em duas partidas e classificou Portugal à Copa do Mundo de 2014, após vitórias sobre a Suécia na repescagem, enquanto o francês, por outro lado, não brilhou com a sua seleção diante da Ucrânia.

Para Ribery, no entanto, o seu merecimento reside nas conquistas com o Bayern de Munique. Ele foi o principal jogador da equipe campeã alemã, europeia, mundial, da Copa da Alemanha e da Supercopa da Europa em 2013. Ronaldo, por sua vez, não ergueu nenhum taça, enquanto Messi sofreu com lesões e faturou ‘apenas’ o Campeonato Espanhol. No resultado final da premiação, o portuguê teve 27,99% dos votos, o argentino, 24,72%, e o francês, 23,36%.

"Eu ganhei tudo o que podia com o Bayern e individualmente. Ronaldo, por outro lado, não ganhou nada. Não estou triste por ter perdido, mas é algo que me machuca um pouco. Eu merecia levar essa Bola de Ouro", decretou o francês, que ainda criticou a seleção do ano escolhida pela Fifa. Nela, estiveram quatro jogadores do Barça (Daniel Alves, Xavi, Inieste e Messi) e apenas três do Bayern (Neuer, Lahm e Ribery). O Borussia Dortmund, vice-campeão europeu, por outro lado, não contou com nenhum atleta laureado.

"Havia apenas três jogadores do Bayern na seleção. Isso é uma loucura. Müller deveria estar ali, assim como Alaba, Schweinsteiger e Robben. Ganhamos cinco títulos e fizemos história. E ainda houve a ausência dos jogadores do Borussia Dortmund. Onde estão Götze e Lewandowski? Isso é impossível", finalizou o jogador, que foi peça fundamental na histórica goleada por 7 a 0 no placar agregado das semifinais da Liga dos Campeões da Europa do ano passado, diante do próprio Barcelona.

Henry e Zidane divergem

Dois dos maiores ídolos recentes do futebol francês, Zinedine Zidane e Thierry Henry também resolveram opinar sobre a Bola de Ouro. No entanto, divergiram. Enquanto o ex-meio campista disse entender a escolha por Cristiano Ronaldo, o atacante do New York Red Bulls afirmou que Ribery deveria ter sido eleito o melhor jogador do planeta.

"Franck jogou em uma das maiores história do futebol, porque o que o Bayern fez no ano passado (conquistar cinco títulos, inclusive o Mundial e a Liga dos Campeões) foi extraordinário. Ficará para sempre na história do futebol. Franck foi uma peça fundamental dessas conquistas e por isso ele merecia a Bola de Ouro", disse, ao canal TF1 , Henry, que ainda criticou o público francês por não ter apoiado o meia do Bayern de Munique durante a temporada.

"Achei que o apoio a Ribery na França não foi bom. Era preciso ser mais ufanista nesta hora, com um francês com possibilidade de conquistar a Bola de Ouro, que mereceu conquistá-la por ter ganho tudo com o Bayern. Para atacá-lo quando ele não era bom, todo mundo estava aí, mas para apoiá-lo, não teve o mesmo empenho. Ele é francês, somos franceses e teria sido bom si ele tivesse ficado com a Bola de Ouro", acrescentou.

Zinedine Zidane, por sua vez, adotou um tom mais político. Auxiliar-técnico do Real Madrid, clube de Cristiano Ronaldo, o ex-jogador disse entender a eleição do português. "Não achei nenhum escândalo, apesar de Franck ter merecido ganhar algo também por ter feito uma grande temporada. O que fez a diferença foi certamente os 69 gols marcados por Cristiano Ronaldo. Três critérios podem ser levados em conta: o que o jogador faz com o clube, o que faz individualmente e a imagem em geral. Para a próxima edição, será preciso deixar os critérios mais claros. Para mim, trata-se antes de mais nada de um prêmio individual, então temos que avaliar o que o jogador fez em campo. Franck foi excepcional, mas o outro (Ronaldo) marcou 69 gols", avaliou.

*Com Gazeta

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