Tamanho do texto

Muricy Ramalho não ficou melindrado porque o peruano Paolo Guerrero apontou o Corinthians como o m

Muricy Ramalho, técnico do São Paulo
Divulgação/São Paulo FC
Muricy Ramalho, técnico do São Paulo

Muricy Ramalho não ficou melindrado porque o peruano Paolo Guerrero apontou o Corinthians como o melhor time do Campeonato Paulista . Ao contrário. Sem o seu mau humor característico ou qualquer sinal de ironia, o técnico do São Paulo acompanhou o raciocínio do centroavante rival.

Deixe seu comentário para esta notícia

"Concordo com o Guerrero", avisou Muricy, nesta sexta-feira. "É claro que outro time também está bem, o Santos, que manteve o seu grupo e ainda se reforçou. Mas o elenco do Corinthians é muito forte. Os titulares têm o mesmo nível dos reservas, e é assim em todas as posições. Estamos buscando isso para nós", completou o ex-santista.

No final do ano passado, Muricy esperava a chegada de reforços para tornar mais competitiva a equipe que lutou contra o rebaixamento no último Campeonato Brasileiro e caiu duas vezes diante do Corinthians de Guerrero, no Campeonato Paulista e na Recopa Sul-americana. Apenas o lateral direito Luis Ricardo chegou ao Morumbi.

Apesar da escassez de reforços, o técnico do São Paulo não perdeu as esperanças de contrariar a opinião de Guerrero já no Campeonato Paulista. Ele confia que o seu elenco atual possa render mais, "pois o ser humano melhora quando é cobrado e sabe que está devendo".

Os jogadores do São Paulo pensam como Muricy. O meia Paulo Henrique Ganso, por exemplo, chegou a apontar - com um sorriso no rosto - o seu time como o melhor do País quando soube das declarações de Guerrero.

Muricy não chegou a tanto, porém colocou o São Paulo entre os favoritos ao título estadual. "Todos os grandes times sempre entram no campeonato para ganhar o título, e não só para participar. É claro que alguns podem levar mais vantagem no começo, por se reforçar, manter elenco, não ter contusões... Mas as camisas dos quatro grandes têm pesos. Ou melhor, dos cinco, já que também considero a Portuguesa grande", bradou.

O Campeonato Paulista começará neste final de semana. O primeiro adversário do São Paulo, que está no grupo A do torneio, será o Bragantino, às 17 horas (de Brasília) de domingo, em Bragança Paulista.

Muricy torna pública sua cobrança interna

O técnico Muricy Ramalho estava bem-humorado nesta sexta-feira. Concedeu folga ao seu elenco pela manhã, falou com saudosismo sobre os tradicionais sanduíches de linguiça de Bragança Paulista (onde o São Paulo enfrentará o Bragantino no domingo) e mostrou confiança com a pré-temporada que comandou nos CTs da Barra Funda e de Cotia. Só ficou um pouco mais irritado ao recordar as cobranças que fez aos jogadores no primeiro dia de trabalho de 2014.

Classificando o desempenho do São Paulo em 2013 como "um absurdo", Muricy exigiu respeito interno para a equipe melhorar na nova temporada - ainda mais porque só houve um reforço contratado pela diretoria, o lateral direito Luis Ricardo, vindo da Portuguesa. O técnico retornara ao clube do Morumbi durante a luta contra o rebaixamento no último Campeonato Brasileiro e, naquela época, não encontrou a oportunidade de se apresentar como um disciplinador.

"No ano passado, não deu para passar quase nada porque vim apagar um incêndio duro. Não dava tempo de ficar de conversinha. Era só tirar e colocar e jogador e acabou, pois o sufoco estava danado. Agora, eles já sabem quem eu sou, o que penso de futebol e que vejo a questão da disciplina de forma muito rigorosa", avisou, sem se importar em tornar públicas as cobranças feitas internamente.

A principal exigência de Muricy se referiu ao comportamento de seus reservas. "O técnico que está comandando esse grupo é experiente e não aceita pressão de ninguém, ainda mais de jogador. Em um time de futebol, eles não precisam ser amigos, mas parceiros. Respeito não é só na hora de fazer a festinha dos filhos. Quando eu escolher alguém para jogar, não dá para o outro ficar de carinha feia, fazendo biquinho. Isso não me impressiona em nada. Esse tipo de atleta não vai ficar aqui", ameaçou.

Os jogadores do São Paulo entenderam o recado. Como verdadeiros soldados, todos que concederam entrevistas na pré-temporada seguiram o comandante e repetiram a necessidade de compor "uma família" dentro do elenco. "Foi o que disse para eles no primeiro dia. E isso tem a ver com se gostar um pouco, com disciplina", reforçou o pai da família tricolor.