Tamanho do texto

Gastos maiores em 2013 e altos salários pagos por clubes europeus desaceleram mercado brasileiro

 Pato custou R$ 40 milhões ao Corinthians
Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians
Pato custou R$ 40 milhões ao Corinthians

Os clubes brasileiros não devem fazer loucuras e contratar grandes reforços que atuam no futebol europeu no início da temporada 2014. Um dos motivos está no Real desvalorizado. Uma compra em euros ou até mesmo a conversão dos salários de um jogador que ganha na moeda europeia para o Real dificulta transações. Há um ano, um euro valia R$ 2,7. Hoje a conversão está em R$ 3,22.

Para dirigentes e especialistas no mercado do futebol, grandes transferências, como por exemplo a de Alexandre Pato há um ano, têm poucas chances de acontecer desta vez. O Corinthians pagou € 15 milhões ao Milan pelo atacante. Em janeiro de 2013, esse valor equivalia R$ 40 milhões. Hoje, seriam R$ 48 milhões.

Mercado da bola: veja as transferências que movimentam o futebol brasileiro

“O Real em baixa sem dúvida afeta a negociação. O jogador tenta manter o mesmo salário depois da conversão, mas no geral, isso é muito difícil. Acaba acarretando essa dificuldade geral dos clubes em contratar jogadores de fora”, disse José Carlos Brunoro, diretor executivo do Palmeiras.

Veja as principais contratações dos clubes brasileiros para 2014

Amir Somoggi, consultor de marketing e gestão esportiva, aponta outro problema: os clubes brasileiros gastaram além do que poderiam em 2013 e não devem investir tanto no início de 2014. A alta do dólar e do euro em relação ao real apenas confirma esta projeção.

“O euro alto muda o cenário. O que era barato ou acessível não é mais. Neste cenário, é muito melhor vender do que comprar. O que vai sobrar para os clubes brasileiros vai ser buscar no mercado latino-americano”, disse Somoggi.

O Cruzeiro, campeão brasileiro, já anunciou o lateral-esquerdo Miguel Samudio, do Libertad, mesmo clube de Jorge Moreira, pretendido pelo Palmeiras. É o sinal dos tempos.

Em levantamento feito por somoggi, o Grêmio, por exemplo, gastou mais de R$ 100 milhões em 2013. Havia entrado o ano com R$ 28 milhões de superávit, mas os gastos para reforçar o time com jogadores como o chileno Eduardo Vargas, do Napoli, fizeram o clube extrapolar os gastos. 

"Em teoria, este ano deveria ser de investimentos. Os maiores clubes tiveram grandes aportes de TV, de patrocínio, mas, com gastos desenfreados em 2013, a maioria perdeu esse equilíbrio. Cito o caso do Grêmio, mas os outros clubes não estão muito distantes disso", comentou.

De acordo com especialistas, os mais de R$ 40 milhões investidos em Leandro Damião para tirá-lo do Inter e levá-lo ao Santos foram uma "insanidade". Ainda que o dinheiro tenha saído de um grupo estrangeiro, nenhum investimento desse porte deve dar retorno.

"A do Pato já foi uma insanidade. Deveria haver um estudo amplo de marca para gerar receita, mas nenhuma contratação recente teve isso. Além disso, tem o salário alto para honrar", disse Somoggi.

    Notícias Recomendadas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.