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Carreiras de alguns atacantes mostram que se firmar em equipe grande é mais complicado que se tornar goleador da principal competição nacional

Ser artilheiro do Campeonato Brasileiro é uma glória para poucos. Se firmar em uma grande equipe na sequência, para menos ainda. Isso é o que mostram as carreiras de alguns atletas que já conseguiram ser goleadores da principal competição do País. São esses os casos de Dimba, Souza, Josiel e Keirrison, por exemplo. E Ederson, autor de 20 gols em 2013, que se cuide.

Confira a lista dos artilheiros do Brasileirão na era dos pontos corridos:

Dimba foi o artilheiro do Brasileirão em 2003 ao marcar 31 gols pelo Goiás . Na temporada seguinte, seguiu para o Al-Ittihad, da Arábia Saudita. Contratado pelo Flamengo em julho de 2004, época em que o clube da Gávea vivia fase conturbada que incluía os já habituais atrasos de salário, não repetiu o mesmo desempenho e foi embora sem deixar saudades.

“Primeiro, eu acho que isso (jogadores que não brilham em time grande após serem artilheiros por pequenos) não acontece. Isso é coisa que contaram na mídia por alguns metidos a especialistas de futebol, que não são. Vejo pelo contrário. O cara que faz gol no time pequeno também faz no médio, faz no grande, faz na várzea, faz no Morumbi, faz em qualquer lugar. Porque o cara não desaprende a fazer gols. É que alguns casos isolados, por motivos específicos, não deram certo. E muitas pessoas não procuram saber o que aconteceu realmente naquele momento, naquele local e acaba jogando isso dessa forma que voce perguntou, coisa que não é”, afirmou Dimba ao iG Esporte .

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O atacante, porém, admite que decepcionou no clube carioca. E tem uma explicação. “O que eu acho que acontece é que depende muito do momento, do lugar, do time que você está, do estilo de jogo que você está envolvido. Eu fui artilheiro do Campeonato Brasileiro com 31 gols. Hoje os artilheiros estão fazendo quantos? E fui pra Arábia, depois voltei para o Flamengo. Como ia acontecer ser artilheiro na situação que o Flamengo estava e no tumulto que o Flamengo se encontrava no momento? São vários fatores”, prosseguiu o hoje jogador do Sobradinho, do Distrito Federal.

Souza, ex-Goiás, foi o artilheiro em 2006 com 17 gols, mas não deixou saudades no Corinthians
Gazeta Press
Souza, ex-Goiás, foi o artilheiro em 2006 com 17 gols, mas não deixou saudades no Corinthians

Hoje no Bahia , Souza viveu a glória em 2006, quando foi o goleador do torneio ao balançar as redes 17 vezes. O Flamengo foi seu destino em 2007, mas, apesar de ter feito o gol do título carioca daquele ano, nunca caiu no gosto do torcedor, que constantemente gritava pelo nome de Obina. O Corinthians o contratou em 2009 e o resultado também não foi satisfatório: seis gols em 32 partidas.

Enquanto Souza tentava se firmar no Flamengo, Josiel marcava 20 gols pelo Paraná e conquistava a artilharia do Brasileirão de 2007. Depois de passagem pelo Al-Wahda, dos Emirados Árabes Unidos, foi emprestado também ao time rubro-negro em 2009 e, apesar de importantes gols, já era reserva antes do término do estadual.

Já Keirrison brilhou pelo Coritiba em 2008. Ele dividiu a artilharia daquela temporada com Kléber Pereira, então no Santos , e Washington, do Fluminense , com 21 gols. Foi para o Palmeiras no ano seguinte e se destacou no Paulistão ao ir às redes 16 vezes em 14 jogos. Antes que se pudesse fazer uma avaliação melhor, o atacante foi comprado pelo Barcelona, mas nem chegou a atuar na Espanha, sendo emprestado para diversos clubes, incluindo Santos e Cruzeiro .

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Uma das exceções neste cenário é justamente o já citado Washington. Sua artilharia pelo Flu foi a segunda. Antes ele já havia sido o goleador do Brasileirão em 2004, quando defendia o Atlético-PR . Naquele campeonato, inclusive, quebrou o recorde de gols marcados em uma só edição: 34.

“Ser artilheiro do Brasileiro é muito difícil. Você enfrenta grandes equipes, grandes artilheiros”, falou o ex-jogador e hoje secretário municipal de esportes em Caxias do Sul, ao iG Esporte . E ele concorda com a análise de Dimba.

“A questão de estar em um time considerado menor não é pelo fato de a camisa pesar. É o fato da equipe também. Às vezes uma equipe está mais ajeitada, joga mais em função do centroavante. E ele chega na equipe maior e joga em outro esquema que não favorece tanto”, afirmou Washington.

Para o ex-atacante de Atlético-PR e Fluminense, que também defendeu o São Paulo , atacante que não conseguir suportar pressão de imprensa e torcida deve mudar de carreira.

Washington fez 34 pelo Atlético-PR em 2004 e é o recordista de gols em uma só edição do Brasileirão
Gazeta Press
Washington fez 34 pelo Atlético-PR em 2004 e é o recordista de gols em uma só edição do Brasileirão

“Acho que quem está se preparando para ser jogador e artilheiro já faz parte você querer crescer sempre e ter mais pressão. Se não estiver preparado, tem que desistir na primeira. Acho que a pressão pode aumentar (em time grande), mas não vai afetar um atacante dentro de campo”, disse o “Coração Valente”.

Modesto, Washington falou ainda que vê sua marca de 34 como possível de ser superada. Mas reconheceu que isso é muito difícil.

“São jogos duríssimos, e aquele ano foi excepcional para mim. Mesmo sendo um ano excepcional para outro atacante, acho que vai ser difícil”, afirmou o ex-jogador.

Em 2013, Ederson foi o artilheiro do Brasileirão ao marcar 20 gols. A receita do atleta do Atlético-PR para continuar brilhando, porém, não vai além do “trabalhar forte” e da ajuda divina.

“Tenho que continuar trabalhando muito forte, continuar confiando em Deus, porque Ele está me ajudando muito. As bolas estão sobrando para mim pela honra Dele, então vou continuar trabalhando muito forte para chegar bem em 2014 também”, disse Ederson, que seguirá no time paranaense em 2014.

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