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Carlos Miguel Aidar pensa em fazer uma entidade que cuidaria dos clubes e tentaria acabar com a violência, punindo quem estivesse errado

Carlos Miguel Aidar aproveitou o confronto entre torcedores de Atlético-PR e Vasco no domingo, na última rodada do Campeonato Brasileiro , para solidificar um dos seus projetos de campanha. Candidato a suceder Juvenal Juvêncio (de quem tem apoio) na presidência do São Paulo , ele conta com a instituição de uma Liga Nacional de clubes também para combater a violência.

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"Poderíamos colocar alguns pontos como regras dentro da Liga. Se fez errado, tem que ser punido. Vamos discutir esse assunto na instituição, que deve ser muito profissional e exemplar, cuidando dos interesses dos nossos clubes. Assim, a CBF ficaria encarregada apenas da Seleção Brasileira", comentou Aidar.

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Fundador e ex-presidente do Clube dos 13 (entidade enfraquecida depois que o Corinthians passou a negociar individualmente a venda dos direitos de transmissão de seus jogos), o concorrente à presidência do São Paulo sabe das dificuldades de concretizar o projeto. "Será que vão me dar ouvidos?", questionou, mudando a sua prioridade. "Primeiro, quero montar um time para o São Paulo ganhar campeonatos. Depois disso, pensaremos em mudar a cara do futebol brasileiro."

Veja fotos da violência nas arquibancadas na partida Atlético-PR x Vasco


Mesmo sem a criação da Liga, Aidar acredita em mecanismos capazes de impedir a repetição da guerra entre torcidas ocorrida na Arena Joinville, no domingo. "Se não houver vontade política, continuaremos nessa mesmice até o dia em que morrerão uns 20 em um estádio de futebol. Devemos mudar a legislação, criminalizando essas atitudes dos torcedores. Isso seria possível com a obrigatoriedade de monitoramento do público, usando recursos que possibilitassem a polícia identificar e prender os criminosos. O cidadão seria processado pela nova lei e iria para a cadeia nos dias dos jogos. O que houve na partida do Vasco foi tentativa de homicídio. Os caras têm que ir em cana e pagar. É ridículo", lamentou.

Assim como no caso da Liga, o ex-presidente do Clube dos 13 reconhece que a legislação proposta por ele correria risco de ser engavetada. "Infelizmente, isso demanda processo legislativo, com vários parlamentares querendo aparecer e a Bancada da Bola interessada em ajudar aqueles clubes sem vontade de parar de subsidiar as suas torcidas organizadas", previu.

Juvenal Juvêncio, atual presidente do São Paulo, é um dos dirigentes brasileiros que mantêm bom relacionamento com as torcidas organizadas de sua equipe. A diretoria encabeçada por ele foi defendida por essas uniformizadas quando o clube enfrentava crise no último Campeonato Brasileiro, com ameaça de rebaixamento.

Também por confusão nas arquibancadas, o São Paulo foi obrigado a mandar jogos longe do Morumbi durante a competição nacional. "Isso é a mesma coisa que nada. O torcedor se desloca para esses lugares que estão a pelo menos 100 km de distância. Deveríamos fechar os portões dos estádios à torcida da casa e dar 5% do que seria a carga de ingressos à visitante. Assim, o time infrator atuaria com torcida contrária. Essa seria uma solução provisória", sugeriu Aidar.

O candidato só não abre mão de policiamento nos jogos, em detrimento de segurança particular. "Isso é um absurdo. Você viu o que aconteceu em Joinville? A função da Polícia Militar é dar segurança à população. Sem ela, quem vai oferecer isso? A segurança privada? Isso não existe", concluiu Carlos Miguel Aidar.

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