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Antes esperança de modernização, atual presidente tem cabeça pedida pelos torcedores. Já ex-presidente, associado ao retrocesso, pode voltar “nos braços do povo” em 2014

Cinco anos e um dia separam o rebaixamento do Vasco do último domingo da queda de 2008. E dois dos personagens daquela passagem pela Série B vivem uma inversão de papéis nos dias de hoje. Antes esperança de modernização, o atual presidente Roberto Dinamite tem sua cabeça pedida pelos torcedores. Já o ex-presidente Eurico Miranda, outrora associado ao retrocesso, vê aberta a possibilidade de voltar ao comando “nos braços do povo” em 2014.

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“Queremos a volta do Eurico. Ele roubava, mas pelo menos fazia. Com ele o time não era rebaixado. Vasco é tradição, não humilhação”, afirmou nesta segunda-feira um torcedor vascaíno enquanto esperava o time desembarcar de Joinville após a goleada por 5 a 1 sofrida para o Atlético-PR no aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro.

Miranda foi derrotado por Dinamite em um conturbado processo eleitoral que durou dois anos. Em 2006, Eurico tentou sua segunda reeleição e venceu o pleito por pequena diferença. No entanto, o resultado foi cassado devido a acusações de compra de votos.

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A oposição, liderada por Dinamite, entrou na Justiça e conseguiu que nova disputa ocorresse em 2008. Miranda presidiu o clube de forma interina neste período e tentou por diversas vezes impedir que as novas eleições acontecessem. Sem aceitar concorrer, indicou Amadeu Pinto da Rocha, que perdeu para o atual presidente.

Eurico Miranda perdeu a presidência do Vasco em 2008, mas pode voltar nas eleições de 2014
Hilton Mattos/iG
Eurico Miranda perdeu a presidência do Vasco em 2008, mas pode voltar nas eleições de 2014

Era o fim de uma era na política do Vasco. Miranda estava envolvido com o clube desde 1969, quando foi vice-presidente de patrimônio. Neste ano, teria protagonizado o que ficou conhecido como episódio da “mão de Eurico”: uma queda de energia na sede do clube que impediu que houvesse uma reunião para se discutir a cassação do então presidente Reinaldo de Matos Reis.

Como diretor de futebol, Eurico ganhou prestígio com os títulos brasileiro de 1997 e da Libertadores de 1998. Tanto que venceu duas eleições presidenciais em 2000 e 2003. Envolveu-se em brigas com a Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão do futebol brasileiro, em 2000, e virou réu na CPI do Futebol, em 2001. Mas sua imagem perante os torcedores só se desgastou com os maus resultados do time vascaíno.

Dinamite, o sucessor, assumiu o poder empurrado pela condição de ser o maior jogador da história cruz-maltina. A esperança era de que ele “colocasse a casa em ordem”, tanto que a culpa do primeiro rebaixamento ficou com Eurico. Isso porque a pré-temporada daquele ano foi marcada por uma excursão a Dubai, nos Emirados Árabes, e o treinador era ninguém menos que o recém-aposentado Romário.

Mas a nova diretoria já mostrava inexperiência e cometeu erros, como a demissão de funcionários do clube, contratações ruins e trocas de comando técnico da equipe em diversas ocasiões.

Passados cinco anos, Dinamite não conseguiu devolver o Vasco ao patamar dos grandes. A volta da Série B foi tranquila, mas, de lá para cá, o clube fez apenas uma boa temporada: 2011, quando venceu a Copa do Brasil e foi vice do Brasileiro. Em 2013, com pouco investimento e um time fraco, a equipe foi novamente rebaixada para a segunda divisão. E desta vez vai para a conta do atual presidente.

Neste contexto, o Vasco tem eleições programadas para o segundo semestre de 2014. E, antes símbolo do atraso, Eurico já vê a possibilidade de voltar ao poder.

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