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Boquita, Lenny e Danilo, revelados por clubes renomados do Brasil, tentam voltar aos holofotes ano que vem, quando disputarão o Campeonato Paulista

Boquita, Lenny e Danilo se divertem com pizza durante a concentração em Sorocaba
Reprodução
Boquita, Lenny e Danilo se divertem com pizza durante a concentração em Sorocaba

Boquita, Danilo e Lenny. Sabe o que eles têm em comum? O status de eternas promessas e a esperança de recomeçar no futebol brasileiro. Reunidos no Atlético de Sorocaba, os jogadores se preparam para o Campeonato Paulista de 2014 dispostos a apagar os insucessos recentes e despertar a atenção de grandes clubes do Brasil.

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Com histórias bem semelhantes, os três jogadores iniciaram a carreira em um grande clube do Brasil ainda adolescentes, se destacaram no início e depois caíram no esquecimento. Agora, se reencontram em um clube do interior de São Paulo em busca da oportunidade de voltar a jogar o bom futebol que um dia os colocou em evidência.

Revelação do Corinthians , Boquita ganhou notoriedade na conquista da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2009, quando também foi campeão do Paulistão e da Copa do Brasil com a equipe profissional. No entanto, depois de ser campeão da Série B pela Portuguesa , o volante foi forçado a se afastar dos gramados por causa de uma hérnia de disco e chegou até a repensar a carreira.

“Durante o tempo que eu fiquei parado, passou bastante coisa pela minha cabeça. É claro que você sente um desânimo por ver todo mundo jogando e você em casa. Bate a tristeza. Mas eu tive de ser forte para poder voltar a jogar boa”, afirmou o jogador em entrevista ao iG Esporte .

Depois da cirurgia, Boquita foi para o Atibaia, que disputou a Segunda Divisão do Paulista (equivalente à quarta divisão) para recuperar a forma física, e lá permaneceu apenas por dois meses. Como o salário era baixo, conseguiu se manter financeiramente graças ao que acumulouquando defendia o Corinthians. Ele investiu o dinheiro que ganhava no clube em imóveis e um salão de cabeleireiro, administrado pela mãe.

“Todo jogador passa por isso e tem passagem por clube pequeno. Na vida, nós temos que aprender algumas coisas e enxergar algo melhor. Eu não me arrependo de nada, pois estou melhorando para voltar ao lugar de antes. Quero ser feliz como eu era antigamente. Essa é a maneira pela qual me sinto feliz: jogando e com a chance de voltar a um clube da Série A. Eu quero voltar a ganhar títulos”, discursou o ex-corintiano.

A situação é bem parecida com de Lenny. Depois de deixar o Palmeiras em 2011, passou por  Figueirense (atuou apenas oito minutos em um ano) e Madureira (três jogos no Campeonato Carioca), até parar no Ventforet Kofu, do Japão. Foram apenas dois meses no país asiático, tempo pra lá de suficiente para que sentisse falta do Brasil e encarasse hábitos bem diferentes.

“É uma cultura completamente diferente, com tipos de treinamentos no futebol distintos também. É carro do lado contrário da pista, a entrada de um estabelecimento não é o mesmo lado do qual você está acostumado a entrar, a língua é extremamente complicada e o inglês é pouquíssimo utilizado. No Japão, o treino é bastante técnico. Eles priorizam qualidade do passe, domínio e lançamento”, contou.

Questionado pelo iG  se fica incomodado com a fama de eterna promessa e de jogador “criado pela avó” – termo utilizado por Vanderlei Luxemburgo ao se referir ao atacante em 2009 –, Lenny foi direto: “Já me incomodou. Se falam bem ou mal, eu não estou nem aí. Eu tenho a minha opinião, sei das pessoas que estão sempre comigo, então nem quero saber o que falam. Eu não vejo nada, não leio nada, nem entro na internet. Quanto à minha avó, eu agradeço muito a ela pelo que eu sou e o que falam não vai mudar em nada. Para onde eu vou jogar, eles (avós) sempre estiveram comigo e eu quero ficar com eles. Não importa. Eu dou muito orgulho para eles fazendo o que eu gosto”, declarou.

Arrependido por ter saído do Palmeiras, Lenny se desligou do empresário Cassiano Pereira, que o havia convencido de ir para o Figueirense, e ainda espera receber os pagamentos de férias e 13º salário que o clube de Santa Catarina deve.

Danilo completa o trio. Formado pela Portuguesa, o jovem atacante deixou o clube ao travar uma briga judicial (alegando segregação do trabalho e não pagamento de salários e recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).

“Eu me arrependo profundamente de ter feito isso. Eu nem gosto de falar sobre esse assunto, porque eu fui por embalo de empresários que fizeram a minha cabeça. Se fosse hoje, eu não teria feito isso com o clube que me colocou na vitrine do futebol. Espero um dia voltar, porque eu tenho um carinho enorme pela Portuguesa”, disse.

Danilo disputou o Campeonato Catarinense e a Copa do Brasil pelo Avaí . Porém, com a mudança da comissão técnica, ele acabou emprestado para o Água Santa, clube recente de Diadema-SP que disputa a Segunda Divisão do Paulista. Foi artilheiro da equipe com 12 gols em 15 jogos, despertando atenção de clubes como São Bernardo, Rio Claro, Ituano, Comercial e Atlético de Sorocaba, o escolhido.

“Eu não conhecia o Água Santa, mas fui no clube, visitei a estrutura e tirei informações. Eu fui com o pensamento de fazer um bom trabalho, porque, como eu estava em São Paulo, eu tinha certeza que se eu fosse bem iria aparecer algum time do Paulistão. O clube me recebeu super bem, é um lugar muito bom para trabalhar e que me ajudou a desempenhar um bom futebol”, lembra Danilo.

Com menos de um mês para o fim do ano, Boquita, Danilo e Lenny contam os dias para começar 2014. A virada de ano, para eles, é sinônimo de reinício na carreira. E agora falta pouco.  

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