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Em meio à maratona diária, matemático diz que gosta de ser referência no cálculo de probabilidades de futebol

Tristão Garcia é frequentemente consultado sobre estatísticas de futebol
Reprodução/Internet
Tristão Garcia é frequentemente consultado sobre estatísticas de futebol

Entre suas aulas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, suas partidas diárias de tênis, a gerência do Petrópolis Tênis Clube e a administração de serviços de informação, Tristão Garcia passa boa parte de seus dias fazendo contas sobre futebol. Só não sobra muito tempo para calcular os minutos de sono.

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"Acho que foram duas horas na última noite", disse o matemático de 55 anos, após uma jornada de muito trabalho na UFRGS.  "Vou dizer um troço que vai te deixar engasgado, mas vou dizer. O Campeonato Brasileiro neste ano não foi parelho, mas costuma ser muito equilibrado. E esse campeonato tão parelho tem um critério completamente errado", afirmou Tristão, antes de transcorrer longamente sobre a "redundância matemática" de a vitória valer três pontos e ser usada para desempatar times com a mesma pontuação.

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O gaúcho adora ser uma referência no cálculo de probabilidades no futebol. Mesmo em uma competição decidida com enorme antecedência, seu telefone não para de tocar, com solicitações sobre as chances de classificação à Libertadores e os riscos de rebaixamento à Série B .

Por isso, Tristão ficou feliz quando a TV Globo pediu uma projeção sobre o momento em que o Cruzeiro levantaria o troféu. Deu trabalho, mas ele gostou. "Já era campeão fazia muito tempo. Mas sempre tem um perneta que diz: ‘Tal combinação tira o título’. E o cara acha que vai acontecer porque ele imaginou."

O matemático não gosta da concorrência. Irrita-se quando jornalistas mineiros o consultam, comparando seus números com os de um estatístico local, mas faz questão de argumentar em causa própria. Tanto que se gaba de ter desenvolvido programas de computador que atualizam corretamente as classificações do Campeonato Italiano e do Campeonato Espanhol : "A Gazzetta dello Sport e o Marca erram; o meu site está certo".

Assim, o matemático gaúcho vibrou quando a edição deste ano da Soccerex, feira de futebol que vinha acontecendo ao final de cada temporada no Rio de Janeiro, foi cancelada. "Eu achei graça, cara. Nunca me convidaram para dizer qualquer coisa naquela p... E acham que discutem futebol", sorriu.

A vaidade só ficou mais clara, durante a conversa com a reportagem, quando ele suspeitou que seria apenas um personagem de uma reportagem com vários outros. "Ah, já entendi! Estás fazendo com vários matemáticos essa porcaria. Se é isso, nem me fala, que isso é coisa de...", resmungou.

Tristão, então, foi informado de que era ele mesmo o centro das atenções. E admitiu o prazer que sente quando um de seus telefones toca com perguntas sobre o Campeonato Brasileiro. Elas acontecem até mesmo após as suas aulas de Teoria de Circuito e sistemas de controle e automação na UFRGS, oriundas de alunos que gostam de futebol.

"É bacana ser consultado para saber o que está acontecendo. Quem é que não tem essa vaidade de consultado sobre um negócio, ainda mais um negócio sobre o qual todo o mundo tem opinião, como o futebol? Concorda? Isso é bacana e me mantém motivado. Outra, a gente aprende muito com os jornalistas perguntando. É muito rico o negócio, tem outros enfoques", comentou.

A vaidade do gaúcho, porém, é mais intelectual do que física. A página que resume seu perfil no site de futebol que administra, o Infobola , identifica-o como "Profº Tristão". O texto é acompanhado de uma caricatura, e ele diz não ter nenhuma fotografia no acervo pessoal a ceder para a ilustração da reportagem.

"Eu não tenho mesmo, honestamente", disse, antes de indicar como possível fonte da imagem o jornal carioca O Globo . "Não pode colocar a foto deles? Eles são muito legais, foram eles que me lançaram lá no Rio. Quer o telefone deles? As fotos que eu tenho foram eles que tiraram. Não sou muito preocupado com as aparências", explicou. A essa altura, Tristão Garcia estava claramente empolgado. Entre ridicularizar o aproveitamento de Paulo Autuori (1,33 ponto por jogo) e Luiz Felipe Scolari (1,17) nos pontos corridos e criticar Tite por duvidar de seus números - que se confirmaram com o Corinthians fora da próxima Copa Libertadores -, ele só lamentou ter de desligar o telefone após 66 minutos.

"Ficou bom o material para ti aí, cara? Está bom, então. Tem jogo às sete, por isso não posso continuar. Mas, se precisar, tu me liga, é um prazer falar com vocês. Pega leve aí, falei demais. As coisas polêmicas você tira fora. Um abraço."

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