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Se temporada teve rebaixamento no Brasileirão e decisão na Sul-Americana, jogo no Pacaembu teve gol do adversário e recuperação do time de Campinas

O roteiro não saiu como o esperado pela torcida da Ponte Preta. Os quase 29 mil torcedores que compareceram ao Pacaembu voltam para casa com mistura de sentimentos após o empate em 1 a 1 : a decepção pelo tropeço como mandante na final da Copa Sul-americana e a esperança pela reação demonstrada nos minutos finais para seguir vivo e tentar derrubar o Lanús na Argentina na próxima quarta-feira.

Ponte Preta pode faturar a Sul-Americana? Comente com outros leitores

Fellipe Bastos comemora gol de empate da Ponte Preta diante do Lanús no Pacaembu
Paulo Whitaker/Reuters
Fellipe Bastos comemora gol de empate da Ponte Preta diante do Lanús no Pacaembu


"Foi muito importante o gol, mas mais importante ainda foi a partida que a gente fez para reagir. Jogamos bem mesmo com o Lanús dificultando bastante para nosso time. Como espero dificultar para eles lá também. Meu gol foi bom para manter a esperança do torcedor e do grupo. Estamos vivos nessa final para buscar o título", exaltou Fellipe Bastos, autor do único tento da Macaca.

Mais sobre o jogo: Com gols de falta, Ponte Preta e Lanús empatam na primeira partida da final

O panorama da primeira decisão é semelhante a todo ano do time campineiro. Da ótima campanha na primeira fase do Campeonato Paulista à eliminação com goleada para o Corinthians nas quartas de final. Da conquista do Troféu do Interior à demissão de Guto Ferreira, hoje na Portuguesa. De finalista da Copa Sul-americana à rebaixada no Campeonato Brasileiro.

"O jogo foi emocionante demais mesmo. Só o futebol reúne tanta gente com essa festa como a de hoje (quarta-feira). Eu corro todo dia pra manter o coração bom e não ter nenhum tipo de problema devido a esse sofrimento. Não quero sofrer mais uma vez, mas se tiver que sofrer que a gente consiga vencer e ultrapassar todos esses obstáculos para ficar com o título", desabafou o técnico Jorginho.

Maior exemplo da temporada de oscilações da Macaca, a possível conquista da Sul-americana empolga a todos no clube. Protagonista e melhor jogador da primeira final - recebeu prêmio da Conmebol - Fellipe Bastos espera que a sina alterar sentimentos bons e ruins continue e que a torcida possa festejar a primeira taça internacional em 113 anos de história pouco mais de uma semana após a queda para a Série B.

"A gente só pensa no título. Pensa em conquistar, em trazer essa felicidade para o torcedor. No Brasileirão as coisas não ocorreram da maneira que esperávamos, e por isso não pensamos no vice. Não passa pela nossa cabeça qualquer outra coisa a não ser o título. Temos que fecha o ano com chave de ouro. Não podemos perder a oportunidade de dar alegria aos torcedores e aos funcionários", prometeu o meio campista.

Torcida da Ponte Preta faz a festa no Pacaembu
Wagner Carmo/Inovafoto/Gazeta Press
Torcida da Ponte Preta faz a festa no Pacaembu

Jorginho também não esconde a ansiedade pela finalíssima do dia 11 de novembro, em La Fortaleza. Com passagens pelo futebol japonês, Figueirense e Flamengo, o técnico reconhece que terá de encarar o principal compromisso da curta carreira à beira dos gramados: "É o jogo mais importante da minha vida como treinador e quero dar essa alegria à torcida que está há 113 anos esperando. Quero muito que isso aconteça".

Mosaico da torcida

Enquanto os jogadores vivem a ansiedade pela segunda partida da Sul-Americana, os torcedores incentivam o time na primeira final. Eles lotaram o Pacaembu e prepararam um mosaico no setor laranja. Quando a Macaca subiu ao gramado embalada por show pirotécnico, os torcedores que estavam no setor laranja levantaram pedaços de pano em preto e branco e formaram a sigla AAAPP (Associação Atlética Ponte Preta), além de duas faixas transversais para representar o uniforme da equipe.

Há registros de que alguns ponte-pretanos chegaram ao estádio paulistano por volta das 11 horas da manhã. A poucas horas do início do primeiro jogo da final, o Pacaembu já recebia ótimo público. Os setores que ficam nas laterais do gramado foram praticamente tomados pelos campineiros, bem como o tobogã. Aos poucos, a massa alvinegra tomou conta de todos os espaços e o público registrado foi de 28.979 para renda de mais de R$ 500 mil.