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Meia revelado pelo time de Campinas relembra ação contra clube em 2004 e quase ida para seleção da Áustria; de volta após dez anos, não poderá jogar a final da Copa Sul-Americana

Adrianinho comemora seu gol na virada da Ponte Preta sobre o Vasco no Brasileirão
Marcos Bezerra/Futura Press
Adrianinho comemora seu gol na virada da Ponte Preta sobre o Vasco no Brasileirão

Poucos jogadores se identificam tanto com a Ponte Preta como Adrianinho. Revelado pelo time de Campinas, o meia de 33 anos frequenta o estádio Moisés Lucarelli desde os 12. Em uma história de altos e baixos, que passou até por um processo contra o clube, o atleta, suspenso, será um torcedor ilustre na final da Copa Sul-Americana. E admite: o elenco nunca imaginou estar nessa decisão contra o argentino Lanús.

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Adrianinho iniciou sua trajetória na Ponte em 1992. A subida ao futebol profissional foi em 2000. Nas quatro temporadas que esteve no time principal, chamou a atenção do Corinthians, equipe que o contratou em 2004. Antes disso, porém, quase defendeu a seleção da Áustria, país do qual tem cidadania.

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“Fui pré-convocado em 2003 para dois amistosos. Eles pediram a confirmação dos documentos e a Ponte Preta mandou tudo. Chegou uma informação de que o treinador havia me pré-convocado para ver se eu era austríaco, se poderia jogar. Me perguntaram se eu gostaria, eu falei que sim. Mas aí a federação austríaca não permitiu que um estrangeiro jogasse na seleção deles”, contou o meia ao iG .

Se a experiência de defender uma seleção não se concretizou, a passagem no Parque São Jorge também não foi positiva. Sem fazer sucesso, Adrianinho saiu rápido e passou por Paysandu, Flamengo, Vila Nova, Ipatinga, Ceará e Brasiliense. Até retornar para a Ponte. O curioso, no entanto, é que o convite para voltar aconteceu enquanto corrida um processo do jogador contra o clube.

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“Eu tinha uma ação contra a Ponte Preta de 2004. No ano de 2003 a Ponte teve alguns problemas e ficou alguns meses sem pagar os jogadores. Eu procurei várias vezes o diretor na época e ficou esse impasse todos esses anos, quase dez anos. E aí a Ponte me procurou para me pagar e perguntou se eu queria voltar. Tudo foi resolvido com advogados”, falou o meia.

Hoje com as contas em dia, Adrianinho faz parte do elenco que vive o maior momento da história ponte-pretana. E a chegada na final da Copa Sul-Americana era algo que nem os próprios atletas acreditavam ser possível.

“A gente não imaginava. A gente até sonhava, mas não imaginava. Por ser um campeonato de tiro curto, a gente tinha esse sonho. Campeonato de tiro longo, como é o Brasileiro, é mais difícil de ser campeã. Mas um campeonato de tiro curto, de eliminação, às vezes você consegue chegar. E a gente tinha esse sonho, mas era muito longe. Quando a gente via adversários como Vélez, São Paulo... O sonho era longe, mas hoje ele está próximo”, afirmou Adrianinho.

Adrianinho, meia da Ponte Preta, está suspenso e não joga a final da Sul-Americana
Mauro Horita/Agif/Gazeta Press
Adrianinho, meia da Ponte Preta, está suspenso e não joga a final da Sul-Americana


Porém, suspenso por causa de sua expulsão na partida de volta contra o Vélez Sarsfield, na Argentina, nas quartas e final, ele terá que ser apenas mais um torcedor nas partidas contra o Lanús.

“Eu não vou poder estar em campo, mas estou com o elenco. Estarei lá (no Pacaembu) e quarta-feira que vem talvez esteja na Argentina. Porque vai ser difícil, vai ser mais uma guerra. O Lanús tem muita qualidade, experiência e alguns jogadores decisivos como o El Tanque. É um time perigoso. Eu acho que o do Velez tecnicamente é até melhor, mas o Lanús é mais agressivo e perigoso. É um time que joga mais ou menos como a gente, lá atrás e sai na velocidade para surpreender”, analisou o meia da Ponte.

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De lamentação para Adrianinho em 2013 fica somente o rebaixamento ponte-pretano para a Série B do Brasileirão. Algo que, para o jogador, poderia ter sido evitado com um primeiro turo mais consistente.

“O primeiro turno da Ponte foi muito ruim. Não estávamos jogando ainda a Sul-Americana e não conseguimos tirar proveito disso. Fizemos 15 pontos no primeiro turno, foi muito ruim. E aí pesou pro segundo, que foi quando começou a Sul-Americana. E aí começaram as decisões. Era toda quarta e domingo uma final praticamente. É um desgaste físico e mental maior. Todo jogo era decisivo. E em campeonato de pontos corridos é mais difícil isso aí”, falou Adrianinho.

E é nessa mistura de sensações que a Ponte Preta fará na noite desta quarta o primeiro dos dois jogos mais importantes de sua história de 113 anos. Se, por um lado, o clube sabe que terá que disputar a segunda divisão nacional em 2014, por outro, pode conquistar o primeiro título de expressão de sua história. E logo na primeira vez que participa de um torneio continental.

O duelo de ida será realizado nesta quarta, no Pacaembu. A partida de volta acontece na semana que vem, em Buenos Aires.

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