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Atacante do Goiás é um dos destaques do Brasileirão 2013, mas análise de fisiologistas e ex-jogador mostram que ele não deverá ter outra temporada de alto rendimento

Os 13 gols marcados por Walter, atacante do Goiás , até aqui no Campeonato Brasileiro de 2013 reacenderam uma antiga questão no futebol: até que ponto o preparo físico influencia no rendimento de um atleta? E, mais, há espaço para “gordinhos” no esporte de alto nível hoje em dia?

O iG Esporte conversou com dois dos mais competentes nomes da fisiologia no Brasil. Bruno Mazziotti, fisioterapeuta do Corinthians , é amigo de Ronaldo e trabalhou com o ex-atacante em seu final de carreira no clube paulista. Já Turíbio Leite foi por anos a referência no São Paulo e é idealizador do Reffis (Núcleo de Reabilitação Esportiva Fisioterápica e Fisiológica).

Acha que há espaço para jogadores gordinhos no futebol de hoje? Deixe seu comentário

Abordado sobre Walter, Mazziotti foi cauteloso e levantou uma questão importante: “a boa forma física passa pelos aspectos peso e estética?”. Em sua opinião, não necessariamente. No caso do atleta do Goiás, o aparente sobrepeso pode estar sendo compensado por outros bons indicadores de performance.

“Estamos falando baseados apenas na questão visual do jogador. Mas potência, velocidade, mobilidade, força e flexibilidade são valências que fazer parte dos indicadores de performance. Visualmente, ele (Walter) se encontra acima. Mas, para o rendimento dele, me parece que as outras valências estão conseguindo suportar ou até equilibrar a situação para que ele possa desempenhar o futebol”, afirmou o fisiologista corintiano.

Ronaldo jogou com sobrepeso os últimos anos de sua carreira no Corinthians
AP
Ronaldo jogou com sobrepeso os últimos anos de sua carreira no Corinthians

Turíbio Leite destacou que o estilo de jogo de Walter não é de muita movimentação durante uma partida, o que diminui seu desgaste físico. Mas que, mesmo assim, precisa de muita técnica para conseguir atuar bem para compensar.

“Ele tem excesso de peso e carrega uma carga a mais que os outros. Mas não tem uma exigência física tão acentuada durante o jogo como um meia ou um ala. Ele é um especialista. Tem um passe muito bom e uma certa experiência que permite com que se poupe durante o jogo. Mas um jogador na condição dele precisa ter técnica e muitos recursos, com chutar muito bem”, disse Leite.

É possível aqui fazer um paralelo com Ronaldo e seus tempos de Corinthians, quando claramente o ex-atacante atuava acima de seu peso ideal.

“No caso do Ronaldo até mesmo as lesões o atrapalharam em função de ganho de peso e massa muscular. Ele tem essa característica de robustez, de ter bastante massa magra. Evidentemente que se a gente vê imagens do Ronaldo em 2002 e 2012, são imagens completamente diferentes, mas alguns indicadores de performance nos davam a possibilidade de trabalhar com esse atleta mesmo que esse sobrepeso estivesse presente”, explicou Mazziotti.

“Tem alguma semelhança, mas o Ronaldo era um jogador com uma técnica muito superior à do Walter”, completou Leite.

Já o ex-meia Neto, também famoso por jogar com uns quilinhos a mais, disse que não há espaço para gordinhos no futebol atual. Em sua opinião, Walter não terá outra temporada boa como a de 2013 se não cuidar de seu físico.

Famoso por jogar acima do peso, Neto admitiu que irresponsabilidade o tirou de duas Copas do Mundo
Agência Corinthians
Famoso por jogar acima do peso, Neto admitiu que irresponsabilidade o tirou de duas Copas do Mundo


“O Walter é muito bom jogador, de bom arranque, fazedor de gols, mas com esse peso que ele está o sobrepeso dele é só esse ano. Ele não vai jogar outro campeonato legal, não. No futebol de hoje se depende muito do preparo físico. Se ele tivesse um acompanhamento melhor e quisesse, poderia jogar muito mais bola. O índice técnico dele foi acima do previsto e por muito pouco tempo”, falou Neto.

Hoje comentarista, o ex-corintiano fez até um mea-culpa ao recordar seus tempos de atleta. Em sua opinião, sua irresponsabilidade ao cuidar de sua preparação física o tirou de duas Copas do Mundo: "se tivesse a cabeça que tenho hoje, teria jogado em 1990 e 1994”, admitiu.

Há uma outra preocupação ainda sobre o futuro de Walter caso ele continue com esse aparente sobrepeso. Para Mazziotti, haverá desgaste natural das articulações do jogador. Neto concordou e afirmou que "em 20 anos, quando ele tiver que parar de jogar bola, ele não anda".

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