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Treinador brasileiromostra pessimismo com a falta de profissionalismo do futebol do país-sede da Copa de 2022

País rico, escolhido como sede da Copa do Mundo de 2022 e em ascensão no futebol mundial. Esta é a realidade do Catar, nação que conta com muitos jogadores brasileiros e um treinador profissional por essência. Zico, ex-comandante da seleção japonesa, é o atual técnico do Al Gharafa, mas diferentemente de seus tempos à frente dos nipônicos, não está otimista com relação ao seu trabalho no Oriente Médio. Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo , o brasileiro até elogiou alguns fatores, mas, majoritariamente, criticou as condições do futebol catari.

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Zico afirmou que não vê possibilidade de evolução do esporte no país. "Aqui tudo funciona, tem toda a infraestrutura. O país para viver é tranquilo, tem as regras, a cultura, como em qualquer lugar, que você tem de respeitar. Só que, em um país que pretende realizar a Copa, eu pensei que ia encontrar mais profissionalismo. Foi a única coisa que não encontrei", criticou.

Para Zico, parte de seu pessimismo pode ser explicado pela falta de tradição futebolística do país. "Dá a impressão que o jogador de futebol está ali por obrigação. Tudo está à frente. Então você traz profissionais de fora, paga-se muito bem, mas os estádios estão vazios, não dá motivação nenhuma. E daqui é um passo para você ir para lugar nenhum", acrescentou.

O ex-flamenguista também citou o fator religioso como determinante para a não profissionalização do futebol local. "O clima já não ajuda. Aí, no intervalo do jogo, o jogador tem de fazer a reza dele. Você tem de esperar. Eu peguei isso na Turquia, mas lá eles colocavam o futebol na frente. Pediam permissão a Alá e no dia do jogo eles se alimentavam. Aqui você vai treinar e tem três caras em jejum. O futebol, infelizmente, não comporta isso", acrescentou o treinador, que, na Turquia, foi o comandante o Fenerbahce.

Zico também comentou sobre a polêmica que vem envolvendo a realização da Copa do Mundo em junho de 2022. Algumas federações reclamaram do forte calor que faz nesta época do ano junto à Fifa, que já admitiu, através de seu presidente, Joseph Blatter, que errou ao escolher o Catar como sede do principal torneio de futebol do mundo daqui a oito anos.

"Dinheiro não é problema, mas em junho não tem a menor condição. Período de julho não dá. Falam dos estádios com ar condicionado. O problema é que Copa do Mundo não é só o jogo. Como é que você vai treinar? Não vejo possibilidade. Junho, julho aqui é um forno. Não dá para sair de casa. Faz 50 graus", declarou Zico, que ainda deu a sua opinião sobre os jogadores consagrados que vão atuar no futebol catari.

"É fim de carreira. Não tem perspectiva. Daqui você não sai para lugar nenhum. Um cara que está em boa fase, em bom momento, não recomendaria vir para cá de jeito nenhum, de jeito nenhum", encerrou.

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