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Desentendimento entre Adalberto Baptista e Rogério Ceni, mudanças de treinadores e bastidores de eleição para novo presidente ajudam a conturbar ambiente

Adalberto Baptista, diretor do São Paulo e desafeto do goleiro Rogério Ceni
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Adalberto Baptista, diretor do São Paulo e desafeto do goleiro Rogério Ceni

Futebol e política não estão alinhados no São Paulo nos últimos meses. Já de olho na eleição que irá colocar fim a oito anos de Juvenal Juvêncio no poder, o clube se vê em meio à pior crise de sua história. E as ações da diretoria refletem diretamente na equipe, 18ª colocada no Brasileirão e ameaçada pelo rebaixamento à Série B.

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Faz uma semana que Adalberto Baptista foi reintegrado à diretoria tricolor. Homem de confiança de Juvenal, o ex-diretor de futebol é agora diretor secretário-geral. Tão logo voltou, tratou de criticar Rogério Ceni, dizendo em entrevista ao jornal Lance! que o goleiro quis se colocar acima do clube. Ele falou ainda que a equipe não estaria nessa situação se o antigo técnico Ney Franco não tivesse sido demitido.

Ambos já haviam se desentendido após a perda da Recopa Sul-Americana para o Corinthians em julho. Na ocasião, Ceni falou que o São Paulo parou no tempo futebolisticamente. Adalberto rebateu falando sobre atuações do camisa 1. Pouco depois entregou o cargo.

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Coincidentemente, dentro de campo as coisas voltaram a desandar depois de cinco jogos de invencibilidade. A equipe foi derrotada por Criciúma, em pleno Morumbi, e Coritiba. Foi o fim de uma maratona de jogos provada por causa da excursão que o time fez à Europa, para disputar torneios amistosos, e Ásia, onde participou da Copa Suruga.

Os tropeços custaram o emprego do técnico Paulo Autuori, que, mesmo antes de ser demitido, já havia manifestado sua preocupação com a situação política. “Nós temos que trabalhar para que a política não atrapalhe o time. A política não é minha área. A minha área é treinar e trabalhar a equipe”, afirmou o ex-técnico são-paulino.

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A recém-contratação de Muricy expõe ainda a falta de planejamento da diretoria tricolor. Em julho, o novo comandante havia sido preterido porque Juvenal Juvêncio falou que trazê-lo de volta seria não agir com a razão, mas com a emoção. Ramalho tem rejeição de influentes cartolas do clube e terá que conviver com isso novamente no Morumbi.

Antes disso, outro ponto negativo foi a decisão de se mexer apenas depois da Copa das Confederações. A saída de Ney Franco quando o Brasileirão já estava em andamento novamente fez com que o time tivesse pouco tempo para treinar com Autuori.

Paralelamente a esta questão está a corrida eleitoral. Conselheiros do São Paulo irão eleger seu novo presidente em abril de 2014, o que já movimenta os bastidores. Kalil Abdalla se demitiu do posto de diretor jurídico para concorrer ao lugar de Juvenal. Ele tem o apoio de Marco Aurélio Cunha, principal nome da oposição.

Pelo lado da situação, Juvenal vem realizando reuniões para definir quem será o candidato. Os nomes mais fortes são o vice-presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o vice de marketing Júlio Casares e o ex-presidente e atual conselheiro vitalício Carlos Miguel Aidar.

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