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Clube promove encontro para exigir que entidade seja mais transparente com seus gastos

Maradona na chegada ao encontro em São Paulo
Alex Falcão/Futura Press
Maradona na chegada ao encontro em São Paulo

O Corinthians iniciou nesta quarta-feira uma briga aberta contra a Conmebol. Para isso, convidou ícones do futebol sul-americano como Diego Armando Maradona, Enzo Francescoli e Romário para uma reunião no Parque São Jorge, sede do clube na zona leste de São Paulo. O encontro foi organizado pelo ex-presidente do clube, Andrés Sanchez, que também convidou dirigentes dos maiores clubes brasileiros e de algumas equipes estrangeiras.

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Estiveram presentes representantes de 20 clubes, segundo a assessoria de imprensa. Entre eles, Peñarol e Nacional, ambos do Uruguai, Libertad, do Paraguai, Caracas, da Venezuela, LDU, do Equador, e Sporting Cristal, do Peru. José Carlos Peres, ex-assessor da presidência do Santos, representou o G4, grupo que reúne os 4 grandes paulistas. Outra presença ilustre foi Adelis Chavez, irmão de Hugo Chavez e presidente do Zamora, da Venezuela.

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A reunião tem como primeira motivação a exigência de maior transparência nas contas da Conmebol. A principal reclamação é em relação aos valores pagos pela entidade aos clubes que participam da Libertadores . Sabe-se que os contratos de TV assinados pela Conmebol são altos, mas alega-se que o montante não é repartido com os clubes da mesma forma que faz, por exemplo, a Uefa na Liga dos Campeões.

Romário chega para participar da reunião no Parque São Jorge
Bruno Wickler/iG
Romário chega para participar da reunião no Parque São Jorge

A insatisfação do Corinthians com a forma como a Conmebol conduz a Libertadores e seus patrocínios vem de antes da conquista do torneio em 2012. Em 2011, ainda presidente do clube, Andrés Sanchez disse que a Libertadores não era rentável. Desde então tenta reunir forças do futebol sul-americano para que a briga contra a entidade vá além das fronteiras do Parque São Jorge.

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“Financeiramente para o Corinthians, disputar uma Libertadores não tem nada rentável. Da cota que pagam eu pago muito mais de taxas, esse tipo de coisa. Disse que teríamos que brigar. Ganhamos menos do que no Paulista. Aí fica difícil. Não quero dizer que não vamos disputar. Tem que forçar a barra pra ter mais cota, mais abertura e saber quanto é o contrato de TV. Se for peitar e não jogar, se eu fosse o presidente, eu faria”, disse Andrés.

Andrés Sanchez, o organizador do evento
Alex Falcão/Futura Press
Andrés Sanchez, o organizador do evento

A estratégia de Sanchez em reunir nomes consagrados do futebol sul-americano serve também como estratégia política na sua campanha para se tornar o próximo presidente da CBF. José Maria Marin já disse que não tentará a reeleição e tenta que Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista, seja o eleito em abril de 2014.

Antes de entrar na reunião, o deputado Romário falou rapidamente com os jornalistas e elogiou a iniciativa de Sanchez em organizar o encontro. "Esta reunião veio em boa hora. Já era tempo de trazer um pouco de moralidade para o futebol. Esses dirigentes [da CBF e da Conmebol] já estão no poder há muito termpo. É preciso que quem já foi atleta ajude a mudar isso", afirmou o ex-jogador e hoje deputado.

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Além das cotas de TV, a reunião no Parque São Jorge tratou também das taxas que a Conmebol cobra a cada partida da Libertadores. A entidade recebe 10% de todas as rendas dos jogos do torneio. Pelo regulamento, os clubes ganham US$ 120 mil por partida, mas com 10% da renda indo para a Conmebol esse valor praticamente não fica com o clube. "Do jeito que está, a gente acaba pagando para jogar a Libertadores", diz Sanchez.

Em 2013, o Atlético-MG ganhou R$ 11,5 milhões pelo título da Libertadores. Já o Bayern de Munique, campeão europeu, embolsou R$ 159 milhões da Uefa. Os dirigentes reconhecem a disparidade entre as duas ligas, mas desejam que essa diferença ao menos diminua.

Em mais de 50 edições da Libertadores, pouco mudou em relação ao retorno financeiro dado pelo torneio. O Santos dos anos 60, bicampeão da Libertadores em 1962 e 1963, não participou das edições seguintes do torneio porque não tinha retorno financeiro o bastante para sustentar o time de astros de então. O clube da Vila Belmiro preferiu então viajar o mundo disputando amistosos, algo mais rentável do que jogar a Libertadores.

Galeria de fotos relembra a carreira do argentino Diego Maradona:


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