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Optar por gastar o montante seria uma alternativa contraditória à política econômica que o presidente Paulo Nobre quer implantar no clube

Gilson Kleina, técnico do Palmeiras
Andre Penner/AP
Gilson Kleina, técnico do Palmeiras

Mais uma vez, Paulo Nobre enfrenta forte pressão interna para demitir Gilson Kleina, além de lidar com a própria irritação. Mas, como ocorreu após a derrota por 6 a 2 para o Mirassol em março, o que pode atrapalhar a troca de técnico são os custos que a decisão gerariam. O valor se aproxima de R$ 1 milhão só para o treinador.

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O Palmeiras ainda deve a parte da comissão técnica um mês de direito de imagem (maior parte do salário) que deveria ter sido pago pelo ex-presidente Arnaldo Tirone no ano passado. E, para romper o contrato que mantém com Kleina até dezembro, seria necessário desembolsar parte dos salários restantes.

Somando a dívida existente e os vencimentos a que o treinador tem direito, ceder às cobranças por troca no clube e à própria indignação fará Nobre gastar quase R$ 1 milhão. Um valor considerado alto e que, mais uma vez, pode fazer Kleina continuar no clube.

Optar por gastar o montante seria uma alternativa contraditória à política econômica que o presidente quer implantar. Por isso, o mais provável é que o diretor executivo José Carlos Brunoro, escolhido para dar entrevista coletiva depois do treino na manhã desta sexta-feira, reforce a permanência do treinador.

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O que complica a troca no comando são também os custos de um sucessor para Kleina. O novo treinador já chegaria com o peso de comandar o time na temporada do centenário do clube, no ano que vem, e cobraria caro. Nomes que agradam a Nobre, como Vanderlei Luxemburgo e Abel Braga, têm alto custo. Assim, seria melhor manter o salário de Kleina à espera do acesso em seus últimos quatro meses de contrato.

Mas Kleina nunca esteve em posição tão próxima da demissão. Ele nunca foi o preferido de Nobre, que só o manteve após sua eleição porque sua posse ocorreu quando o Paulistão já tinha começado. Por falta de dinheiro, houve mais um voto de confiança após a vergonhosa goleada em Mirassol, mas agora existe a desconfiança de uma empolgação descontrolada pela campanha na Série B do Brasileiro.

Antes da reunião nessa quinta-feira, comum em dias seguintes a jogos, Kleina estava disposto a citar desfalques como Valdivia e concordar com a apatia citada pelo presidente na derrota por 3 a 0 para o Atlético-PR que eliminou o clube da Copa do Brasil. A promessa de mobilização para se recuperar foi outra explicação do técnico, que quer permanecer. E ele terminou a quinta-feira ainda como funcionário do clube.

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