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Em nota, presidente do Corinthians pediu rigor a quem há três meses dedicou título

Torcedores de Vasco e Corinthians brigam no Mané Garrincha
Adalberto Marques/ Agif/Gazeta Press
Torcedores de Vasco e Corinthians brigam no Mané Garrincha

O presidente do Corinthians , Mario Gobbi, divulgou nota oficial no site do clube pedindo rigor aos torcedores que foram flagrados em atos de violência na partida contra o Vasco no último domingo em Brasília pelo Campeonato Brasileiro. Dois deles, Cleuter Barreto Barros, conhecido como "Manaus", e Leandro Silva de Oliveira, o "Soldado", estavam entre os 12 torcedores a quem Gobbi dedicou o título paulista e a Recopa deste ano.

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“Eu nunca disse que aqueles 12 torcedores teriam salvo conduto ou que jamais estariam envolvidos em problemas futuros. Se agora o estão, que pese sobre eles a lei, a mesma lei que os tornou livres anteriormente”, diz Gobbi em um dos trechos da nota.

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A nota tem o objetivo de minimizar os efeitos de uma possível punição que o Corinthians venha a sofrer por conta da briga do último final de semana. O STJD analisa as imagens dos torcedores e ameaça tanto Corinthians como Vasco com a perda de mandos de jogos ou obrigar os dois times a jogar de portões fechados.

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“Importante salientar que defendi, sim, os doze torcedores de Oruro, já que contra eles naquele episódio específico não havia prova que justificasse suas prisões”, defende-se Gobbi, para quem o novo episódio nada tem a ver com a prisão na Bolívia. Os 12 corintianos ficaram detidos por conta das investigações da morte de Kevin Beltrán, de 14 anos. O menor H.A.M., que assumiu o disparo que matou o garoto está no Brasil. O caso está encerrado sem punições.


Leia a nota oficial de Mario Gobbi:

Muitos têm me pedido uma posição sobre a briga entre torcedores do Corinthians e do Vasco, ocorrida domingo, no estádio Mané Garrincha, durante o jogo das duas equipes.

Pois bem, ainda que ontem o clube tenha soltado nota oficial clara dizendo-se a favor da severa punição dos envolvidos, respeitando sempre o que manda a lei brasileira, volto a expor minha opinião.

Sou favorável a punição de TODOS os culpados pelo ocorrido, sejam eles torcedores de qualquer time, vinculados ou não às torcidas organizadas.

Importante salientar que defendi, sim, os doze torcedores de Oruro, já que contra eles naquele episódio específico não havia prova que justificasse suas prisões.

Entretanto, eu nunca disse que aqueles 12 torcedores teriam salvo conduto ou que jamais estariam envolvidos em problemas futuros. Se agora o estão, que pese sobre eles a lei, a mesma lei que os tornou livres anteriormente.

Mas veja, essa questão de investigar, identificar e punir os culpados não é obrigação do Corinthians ou de qualquer outro clube, ou entidade esportiva. Cabe tão somente aos poderes do Estado.

É também dever do Estado, proporcionar estudo, educação, cultura, emprego, distribuição de renda, moradia, justiça, segurança pública, enfim, uma vida digna ao seu povo, dentro de uma sociedade justa, o que podemos reduzir em cidadania.

Para saber se um país cumpre sua função social, basta verificar a estatística dos ilícitos. Este índice será ínfimo naquelas localidades que desenvolvem suas obrigações na formação dos adultos de amanhã.

Não me parece razoável cobrar de associações e de seus dirigentes aquilo que o Estado deveria fazer.

É egoísta e simplista pinçar do mundo jurídico somente os direitos que lhe agrada, criando-se uma sociedade alternativa, segundo suas vontades e convicções.

Defender a cidadania, dentre outros, é empunhar a bandeira do direito de ir e vir, da liberdade de expressão, da presunção de inocência, da liberdade de manifestação, da ampla defesa, do contraditório, da vida, do acesso ao judiciário, da educação, da cultura, etc. Enfim, são cláusulas pétreas e liberdades clássicas consagradas na Lei Maior e que nos dá sustentação a viver num país livre, com respeito ao próximo.

Sou a favor do debate sério sobre o tema. Sem soluções mágicas ou simplistas que possam resolver essa questão sem amparo legal, sem apoio e participação do Estado, da imprensa e demais setores da sociedade civil. Com o objetivo de discutir não só os efeitos, mas principalmente as causas geradoras da criminalidade, cobrando-se os responsáveis.

Já vimos o fim das bandeiras, a extinção de torcidas, jogos com portões fechados, jogos em praças distantes e nada disso resolveu o problema da violência.

Ou tratamos toda a questão com a responsabilidade que ela exige, ou estaremos daqui uma semana, um mês ou um ano, apontando mais uma solução genial para o tema.

Mário Gobbi Filho

Presidente do Sport Club Corinthians Paulista

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