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Ex-goleiro da seleção brasileira foi enterrado nesta terça-feira, em São Paulo. Presidente da CBF esteve presente no funeral

Gylmar acolhe o choro do menino Pelé na final da Copa de 1958
Reprodução
Gylmar acolhe o choro do menino Pelé na final da Copa de 1958

Foram 13 anos de luta intensa de Gylmar dos Santos Neves contra as complicações causadas por um acidente vascular cerebral (AVC) sofrido em 2000. Na noite do último domingo, o goleiro que marcou época em Corinthians, Santos e seleção brasileira morreu na capital paulista e na tarde desta segunda-feira foi enterrado no Cemitério do Morumby. Apesar da tristeza pela perda do patriarca, os familiares não esconderam a sensação de alívio.

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Marcelo Neves, um dos filhos goleiro, foi o porta-voz da família nos últimos dias para informar o estado de saúde de Gilmar. O irmão Rogério, que reside nos Estados Unidos, retornou ao Brasil às pressas para acompanhar o pai. Durante o velório na Zona Sul de São Paulo, os dois acalmaram a mão, Marlene Izar, e confortaram as crianças da família.

"Estávamos há 13 anos nessa batalha: ele tentava se recuperar e não conseguia, era uma doença muito complicada. Isso vai minando quem convive com quem sofre um AVC. A gente sofreu bastante, principalmente minha mãe. É triste falar dessa maneira, mas chega uma hora que para um homem que sempre foi um atleta, um homem público, ter que ficar confinado numa cadeira de rodas, numa cama por 13 anos não vale a pena. É um alívio para ele e para todos nós", afirmou Marcelo.

O corpo de Gilmar foi enterrado às 14h55 sob aplausos de familiares e amigos, e logo o jazigo foi coberto por flores, lembranças sobre os feitos do goleiro durante a vitoriosa carreira foram exaltados. Além do histórico dentro das quatro linhas, as qualidades como patriarca da família Neves também foram exaltados.

"Tenho que lembrar o homem correto que ele sempre foi. Como goleiro não preciso nem falar que ele foi o melhor do mundo, mas foi também o melhor pai e o melhor marido do mundo", destacou Marcelo, antes de lembrar um hábito nada convencional de Gilmar durante as viagens de ônibus com os clubes que defendeu.

Na contramão dos boleiros, o bicampeão mundial com o Brasil em 1958 e 1962 não era adepto aos sambas entoados a caminho dos jogos. Muito pelo contrário. "Ele não gostava de pagode e samba no ônibus, então quando começavam com essas coisas, ele levantava e chutava o bumbo para ninguém mais tocar", relembrou Marcelo, com bom humor.


Marin lamenta

Presidente da CBF, José Maria Marin compareceu ao enterrou e lamentou a perda: "O Brasil perde um atleta, um chefe de família, um pai maravilhoso. E o futebol do mundo perde um dos maiores goleiros de sua história. Ele possuía inúmeras qualidades, não só de um grande goleiro, mas de uma grande pessoa. Foi o maior de todos os tempos, principalmente pelo exemplo", destacou o dirigente.

O presidente da CBF também aproveitou para fazer um apelo para que os brasileiros não apaguem os feitos de Gilmar: "Espero que os jogadores que surgirem depois se lembrem sempre dele, porque nós contemporâneos nunca tiraremos Gilmar da memória. Quero que os próximos, não só os atletas, mas principalmente aqueles que amam o futebol, que sempre cultivem com o maior carinho e gratidão o que realmente representou Gilmar dos Santos Neves para o futebol brasileiro".

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