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Atacante não liga para comentários e repete postura em relação a outras passagens "tumultuadas" da sua vida

Sheik brinca com funcionário do Corinthians antes da partida contra o Vitória, no Pacaembu
Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians
Sheik brinca com funcionário do Corinthians antes da partida contra o Vitória, no Pacaembu

Um selinho em um amigo não é nada perto do que Emerson Sheik já fez na sua vida fora dos gramados. Nascido em uma favela de Nova Iguaçu, por mais de uma vez já contou que viu amigos de infância morrerem vítimas do tráfico de drogas. Na final da Libertadores em que foi herói do título inédito do Corinthians, lembrou do seu passado.

"Sou favelado, sou de Nova Iguaçu, não vou deixar nenhum jogador do Boca Juniors crescer para cima de mim", disse naquele 27 de junho de 2012, após a primeira final e uma semana antes dos gols que nenhum corintiano vai esquecer.

Bem antes de escrever esta história, o atacante que ganhou o apelido de "Sheik" por conta da sua história de sucesso no futebol do Oriente Médio - ele até foi convocado para defender a seleção do Catar - teve sua primeira dívida com a justiça revelada.

Em 2007 ele foi detido por falsidade ideológica. Onze anos antes ele forjara documentos para ser aceito nas categorias de base do Sâo Paulo. Ele nasceu em 6 de setembro de 1978 e em janeiro de 1996, quando tinha 17 anos, sua mãe, Carmem Lúcia Passos, obteve uma certidão com data de nascimento em 1981. Ali ganhou o nome que carregaria ao longo da carreira e agregou "Emerson" ao seu nome de batismo: Márcio "Emerson" Passos de Albuquerque. 

Depois de ter seu passaporte retido, ele foi condenado a pagar serviços comunitários pela Justiça do Rio. "Faço isso amarradão. Isso é passado, mas ajudar crianças que têm a infância que eu tive é um prazer", disse Emerson no dia que chegou ao Corinthians em maio de 2011.

"No início da minha carreira houve esse erro, esse problema. Tive uma inscrição na época que joguei no São Paulo. Tudo foi desfeito e aí fiz minha inscrição com nome verdadeiro. Está tudo resolvido. Vida nova. Por favor, mudar de assunto", disse Emerson na ocasião. 

Ele chegara ao Corinthians depois de uma atitude nada convencional durante sua passagem pelo Fluminense. Num ônibus da delegação, o jogador cantou uma música da torcida do Flamengo . Foi a senha para se despedir do clube pelo qual conquistou o segundo dos três títulos brasileiros consecutivos da sua carreira. Conquistara um pelo Flamengo em 2009 e veio a ser campeão pelo Corinthians em 2011. Um feito inédito para qualquer jogador. 

Já no Corinthians, quase que como um "João de Santo Cristo" da famosa música da Legião Urbana, ele foi para o "inferno pela segunda vez" e voltou a ser alvo da Justiça. Desta vez, por conta de suposto envolvimento num esquema de contrabando de carros importados e de lavagem de dinheiro. Investigado, teve de prestar esclarecimenos nos últimos dois anos. Só neste mês - numa primeira decisão judicial e que ainda cabe recurso - ele foi inocentado

Neste dois anos e três meses de Corinthians, o atacante foi notícia não só pelo que fez em campo. O episódio do selinho foi só mais um. Em 2012, durante premiação da MTV, ele "flertou" com o VJ Didi Effe, homossexual assumido. Na ocasião, disse que "perderia meia hora" com Didi e não deu bola para a repercussão entre os torcedores corintianos. Mesma posição tomada após o "selinho" do último domingo. 

"A galera levou para um lado negativo, acho que é um preconceito babaca. Com todo o respeito que eu tenho pelo torcedor corintiano, e não estou chamando ninguém de babaca, o preconceito é desnecessário. Na página em que eu publiquei essa foto, tem outros fotos dessas, selinho com meu filho, selinho com duas amigas minhas", afirmou Emerson à TV Bandeirantes.

Emerson Sheik e sua macaca de estimação, Cuta
Divulgação
Emerson Sheik e sua macaca de estimação, Cuta

Uma das suas amigas, a macaca Cuta, ganhou fama. Foi usada até como desculpa para ter se atrasado a um treino. Por mais de uma vez usou um helicóptero. E é comum vê-lo brincando com funcionários do Corinthians sem nenhum medo do que outros vão pensar (como na foto que abre este texto). 

"Acho que o mundo do futebol é muito machista. Quero deixar bem claro que em nenhum momento desrespeitei alguém. Se alguém se sentiu desrespeitado, desculpa, mas era o Emerson pessoa, não o atleta. O Isaac (Azar) é um cara por quem tenho um imenso carinho, que agrega muito na minha vida. É um queridão, e a esposa dele está grávida de nove meses. Está vindo um menininho",  disse, tentando colocar fim a uma discussão, para ele, sem sentido. 

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