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Um dos criadores da Federação Brasileira de Treinadores, técnico gaúcho espera que a nova entidade ajude a dar condições de trabalho à classe

Paulo Roberto Falcão trabalhou pela última vez como treinador no Bahia
Divulgação
Paulo Roberto Falcão trabalhou pela última vez como treinador no Bahia

Paulo Roberto Falcão tem o nome marcado na história do futebol como um dos maiores meio campistas de todos os tempos ao vestir as camisas de Internacional e Roma. À beira do gramado, no entanto, o técnico ainda não emplacou um trabalho duradouro, sempre vítima do imediatismo dos dirigentes dos clubes em que trabalhou.

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Incomodado com a falta de respaldo das diretorias das  Falcão se aliou a companheiros de profissão na empreitada da FBTF (Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol), fundada nesta segunda-feira. "Queremos ter os direitos preservados, pois os deveres nós certamente sabemos quais são. Nós queremos que ter condição de fazer um trabalho com mais consistência, um contrato maior, com as mínimas condições de trabalho. Que os contratos sejam cumpridos rigorosamente, que na hora da dispensa os acertos sejam feitos corretamente", ressaltou Falcão.

A carreira de treinador de Falcão começou em 1990, logo na seleção brasileira , mas a trajetória durou praticamente um ano, sendo encerrada após a Copa América de 1991. Para o seu lugar, foi chamado Carlos Alberto Parreira. Dez anos depois, o comandante teve a chance de retornar a carreira, sendo contratado pelo Inter e acreditava que um grande trabalho poderia ser feito no Beira-Rio.

O Internacional faturou o Campeonato Gaúcho de 2011 e era apontado como um dos favoritos ao título da Copa Libertadores da América. Nas oitavas de final, no entanto, o time de D’Alessandro, Oscar e Leandro Damião foi surpreendido pelo Peñarol, dando adeus à competição e resultado na demissão de Falcão.

Em 2012, o técnico repetiu a dose em um torneio estadual ao conquistar o baiano com o Bahia , mas a pressão por bons resultados no Campeonato Brasileiro também encerraram a passagem do treinador pelo clube baiano. 

Veja também: Com Scolari e Falcão, treinadores lançam Federação em São Paulo

Falcão assegura que os treinadores não esperam ter vida fácil. A intenção dos adeptos da FBTF é que a relação com os clubes seja mais equilibrada. De acordo com o treinador gaúcho, os dirigentes exageram na exposição dos técnicos à imprensa ao cobrar publicamente resultados em momentos já conturbados dentro de um elenco.

"É claro que o treinador que não tem resultado é cobrado, mas tem que ser blindado. Tem que haver a cobrança, mas a comissão técnica tem que trabalhar com tranquilidade. Não pode trabalhar com pressão do tipo: 'Se não ganhar quarta pode sair'. Onde fica o lado emocional? É um ser humano, um profissional, e o resultado não depende só do treinador. Ninguém pode julgar um profissional por dois ou três meses de trabalho", defendeu.

Com contratos definidos e respeitados, segundo Falcão, os clubes também poderão tirar proveito, evitando técnicos com ‘prazo de validade’ ou que não sejam compatíveis com a história: "O clube vai poder pensar melhor para escolher um profissional que se encaixe nas tradições, não vai ter mais contratação para apagar incêndio".

* Com Gazeta Esportiva

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