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Porto mudou de treinador e perdeu seus dois principais jogadores, mas segue como favorito ao lado do Benfica, que volta com a mesma base. Sporting reformula time para se reerguer

A nova temporada do Campeonato Português, que começa nesta sexta-feira, está repleta de novidades. Sobretudo entre os três principais clubes do país, Porto, Benfica e Sporting. E, para azar do Sporting, as novidades ajudam a manter a configuração da disputa, que mais uma vez deve restringir a briga pelo título a Porto e Benfica.

Jackson Martinez: colombiano é arma do Porto, que perdeu James Rodríguez e João Moutinho
Paulo Duarte/AP
Jackson Martinez: colombiano é arma do Porto, que perdeu James Rodríguez e João Moutinho

A verdade é que nenhum dos três grandes terminou a temporada plenamente satisfeito. Nem mesmo o tricampeão Porto, que levantou a taça a muito custo, somente na última rodada, e aceitou sem discutir a saída do técnico bicampeão Vítor Pereira. Após dois anos de muita tensão, quase sempre contestado pelos torcedores, o comandante não teve o contrato renovado, escolheu os petrodólares da Arábia Saudita e passou a Paulo Fonseca a atribuição de lutar pelo tetra. Pereira vai sem deixar saudade, prejudicado sobretudo pela queda frente ao Málaga na Liga dos Campeões.

Se o Porto não aprovou seu técnico bicampeão, imagine o Sporting. Sétimo colocado no Campeonato Português 2012/13, pior posição de sua história, o time de Lisboa também terá cara nova no banco de reservas. Sai Jesualdo Ferreira, um dos quatro que comandaram o time na temporada passada, entra Leonardo Jardim. Ao novo comandante, um alento: difícil ficar pior do que estava.

Ironicamente, o trágico Benfica, que conseguiu perder três títulos em duas semanas (Campeonato Português, Liga Europa e Taça de Portugal), é o único do trio que manteve o comandante. Mas Jorge Jesus não pode dar mole, pois será difícil conseguir argumentos a seu favor caso o time termine a temporada sem nenhuma taça.

JOGADORES BRASILEIROS*

Artur, Luisão, Jardel, Cortez e Lima (Bernfica); Helton, Fabiano, Danilo, Maicon, Alex Sandro, Fernando, Carlos Eduardo e Kelvin (Porto); Marcelo Boeck, Jefferson, Weldinho, Maurício e William Magrão (Sporting)
*apenas os brasileiros dos três grandes clubes

AGENDA

Início: 16 de agosto 2013
Término: 11 de maio de 2014
Times que subiram: Belenenses e Arouca
Times que caíram: Moreirense e Beira-Mar
Vagas na Liga dos Campeões: Três
Vagas na Liga Europa: Duas
Vagas diretas de rebaixamento: Duas

BRIGA POR TÍTULO

O Porto inicia a temporada trocando o certo pelo duvidoso, o que não chega a ser novidade. Saem James Rodríguez e João Moutinho, os dois homens de referência no meio-campo, e chegam novatos com potencial a comprovar. Casos do atacante francês Nabil Ghilas, destaque do pequeno Moreirense, de Licá, meia-atacante que brilhou no Estoril, e Quintero, que junta-se ao compatriota Jackson Martínez para manter a tradição colombiana do clube que vem desde os tempos de Falcao García.

O Benfica é quem inicia o campeonato com menos alterações em relação a 2012/2013, mas uma delas pode se fazer sentir com grande intensidade. Adepto do “ou ele ou eu”, o atacante Cardozo prepara-se para deixar a Luz em razão da permanência de Jorge Jesus, que chegou a ser empurrado e ofendido, com o dedo em riste, pelo paraguaio após a derrota para o Vitória de Guimarães na final da Taça de Portugal. Uma perda e tanto, por tratar-se do maior goleador estrangeiro da história do clube, dono da posição desde 2008 e autor de quase 200 gols com a camisa do Benfica.

Cortez agora é jogador do Benfica, que luta para quebrar a hegemonia do Porto
Divulgação
Cortez agora é jogador do Benfica, que luta para quebrar a hegemonia do Porto

LUTA POR VAGAS EUROPEIAS

A perda de jogadores importantes por parte de Porto e Benfica poderia dar ânimo ao Sporting, mas a situação da equipe é ainda pior que a dos rivais. Afundado em uma crise financeira, o Sporting teve que se desfazer de diversos titulares, como o lateral Miguel Lopes, o volante holandês Schaars e seu principal atacante, o também holandês Wolfswinkel.

Entre os reforços, para quatro brasileiros: os laterais Weldinho e Jefferson, o zagueiro Maurício e o volante William Magrão. O mais festejado pela torcida, porém, é o atacante colombiano Montero, vindo do Millonarios. Mas a coisa ainda pode ficar pior, já que os euros de clubes em melhor situação financeira são uma tentação e tanto. Se a diretoria se deixar seduzir, o zagueiro argentino Marcos Rojo e, sobretudo, o goleiro Rui Patrício podem dar adeus a Alvalade.

Maurício: zagueiro brasileiro reforça o Sporting
Reprodução/jornal Record
Maurício: zagueiro brasileiro reforça o Sporting

Com o Sporting em baixa, quem roubou espaço na elite portuguesa é o Braga, desde 2008/09 fixo na zona de classificação para torneios europeus. Com a volta do técnico Jesualdo Ferreira, tricampeão nacional pelo Porto entre 2007 e 2009, o Braga deve continuar assombrando os grandes. Nem as saídas de Márcio Mossoró e Hugo Viana derrubam a confiança do time, reforçado pelo goleiro Eduardo, antigo ídolo do clube, e pelos atacantes Salvador Agra, emprestado pelo Bétis, e Felipe Pardo, ex-Independiente de Medellín.

As surpresas da temporada passada podem se repetir, como o Paços de Ferreira, terceiro colocado, e o Estoril, que acabou em quinto. Para ambos, porém, é importante manter o equilíbrio em um calendário mais carregado, com torneios europeus a se disputar paralelamente ao campeonato nacional. O Vitória de Guimarães não pode ser descartado, como deixou claro ao conquistar a Taça de Portugal.

EQUIPES COADJUVANTES

O Rio Ave, que por pouco não beliscou uma vaga na Liga Europa, volta com poucas mudanças e mais uma vez pode sonhar com uma das 5 primeiras posições. Nacional e Marítimo são outros que podem beliscar uma vaguinha, mas essa pode ser uma meta um pouco exagerada.

BRIGA CONTRA O REBAIXAMENTO

Para Belenenses e Arouca, os recém-promovidos, duas podem ser as fontes de inspiração. Para o bem de sua torcida, que se inspirem no Estoril, que saltou da segunda divisão para o quinto lugar da elite, com vaga assegurada na Liga Europa. A outra opção, nada agradável, é fazer como o Moreirense, que sobreviveu por apenas um ano no topo. Gil Vicente, Olhanense, Vitória de Setúbal e Académica, que já sofreram na parte debaixo da tabela, tendem a repetir a dose.

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