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O time gaúcho já não é mais a preferência do veterano goleiro desde que ele deixou as categorias de base da equipe, aos 21 anos, em 1999

Após Deola e Bruno fracassarem na tentativa de substituir Marcos, o Palmeiras contratou Fernando Prass na esperança de que o goleiro, com sua experiência, não sucumbisse à missão. E o jogador de 35 anos vai além das defesas em campo. Chamado de coroa pelo elenco, formado só por atletas mais novos do que ele, o camisa 25 até se assume gremista como ensinamento aos colegas.

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"O cara que é profissional, digno e tem caráter não tem razão para esconder uma paixão de quando era criança e adolescente", ensinou, sem pensar duas vezes ao revelar o time do coração. "Em 1981, eu já estava no Olímpico vendo jogos com meus pais, e lembro muito dos gols do Renato Portaluppi no título mundial de 1983. Passei a minha infância dentro do Olímpico. Fui torcedor, sócio, minha família toda é gremista."

Fernando Prass, goleiro do Palmeiras
SÉRGIO BARZAGHI/GAZETA PRESS
Fernando Prass, goleiro do Palmeiras

O discurso de em tom de professor se mantém ao falar da postura profissional. O time gaúcho já não é mais a preferência do veterano desde que ele deixou as categorias de base da equipe, aos 21 anos, em 1999 - ainda teve rápida passagem em 2001. "Quando você entra no meio profissional, perde o vínculo. Torço contra qualquer time a meu favor. Em primeiro lugar, estou eu", indicou.

Desde então, a torcida de Prass passou a ser por, na sequência, Francana-SP, Vila Nova-GO, Coritiba, União de Leiria, de Portugal, Vasco da Gama e Palmeiras. "Faço um laço muito grande e forte com as equipes pelas quais jogo e tenho conquistas e o levo para o resto da minha vida, com um carinho muito grande. Faço o melhor e dou tudo pelo clube em que estou. Hoje, posso dizer que sou fanático pelo Palmeiras.

"Um fanático que sofre com a juventude dos companheiros. Já é uma tradicional na Academia de Futebol ver os jogadores chamando o goleiro de "coroa" nos rachões, e até torcedores adotaram o apelido. "No jogo contra o Icasa, uns três ou quatro daquela molecadinha que entra com a gente me chamou de coroa", contou Prass, rindo.

"Não sou velho, sou jovem ainda, mas o grupo é muito novo. Tenho até 17 anos de diferença para alguns dessa meninada, e os mais novos gostam de brincar. Tomara que cheguem à minha idade conseguindo, pelo menos, correr", provocou o camisa 25, como resposta.

E capacidade física não falta ao jogador de 35 anos, que não deixa de treinar como os outros de sua posição mesmo no dia seguinte às partidas. "Para mim, não é difícil ser goleiro. Se eu não fosse apaixonado pela minha profissão, seria um fardo. Para quem está de fora, pode parecer loucura, mas faço o que gosto", disse Prass, hoje gostando mais do Palmeiras do que do Grêmio, como manda o profissionalismo.

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