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A associação Resgate Santista divulga manifesto retirando apoio à gestão de Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro

Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro enfrenta uma crise polítca no Santos
Gazeta Press
Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro enfrenta uma crise polítca no Santos

A fase não anda mesmo das melhores para o presidente do Santos , Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro, o Laor. Além de continuar enfrentando problemas de saúde - ele voltou a ser internado nesta terça-feira no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para nova bateria de exames -, o dirigente vê ampliar a crise política dentro do clube. Nesta quarta-feira, a AMRS (Associação Movimento Resgate Santista) divulgou manifesto anunciando o rompimento com o presidente santista. A Resgate Santista teve papel importante na eleição de Laor, em dezembro de 2009, após anos de domínio político do ex-presidente Marcelo Teixeira.

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Segundo a nota, assinada pelo presidente da Resgate Santista, Fábio Vianna, ao contrário do que ocorreu no início da gestão de Lao, o Santos "deixou de seguir os princípios pregados pela AMRS: transparência, democratização e profissionalização", pontos que estariam distanciando o clube dos associados e torcedores.

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A Resgate Santista também reclama de ter sido deixada de lado das principais decisões políticas do clube desde a conquista da Taça Libertadores de 2011. O manifesto cita inclusive a criação de um grupo dissiente, chamado "Eu Sou Santos", afirmando que este grupo tem como único objetivo a tomada de poder no clube.

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Nas últimas semanas, diversas mudanças estão ocorrendo na parte administrativa do Santos, atingindo inclusive cargos de diretoria. A mais recente destas mudanças foi a demissão do gerente de marketing, Armênio Neto, peça importante no plano que ajudou a manter Neymar no Santos desde 2010, quando intensificou-se o assédio dos clubes da Europa.

Veja a íntegra do manifesto da Resgate Santista

Nota à torcida santista

A Associação Movimento Resgate Santista convocou, no fim de 2009, a comunidade santista a buscar mudanças na gestão do Santos FC, apresentando Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro – o Laor – como candidato à Presidência do clube. A AMRS, contando com o apoio da Terceira Via Santista, acreditava ser necessário mudar os rumos da administração do Santos, que, provinciana e sem criatividade, refletia-se em um time sem brilho dentro dos gramados e sem receitas e prestígio fora dele. O associado santista abraçou esse projeto, elegendo Laor e sua chapa.

A AMRS teve um papel muito importante nessa eleição, por meio de uma intensa mobilização da torcida. Diversos de seus membros também participaram ativamente dos primeiros anos de mandato, que tiveram um efeito transformador na condução do clube em termos de sustentabilidade financeira, engrandecimento de imagem e de relevantes conquistas no futebol, como a Libertadores de 2011. Outros avanços inegáveis ocorreram nos âmbitos administrativo e institucional, como a expansão do quadro associativo de 15 mil para 50 mil sócios, o aumento das receitas oriundas de contratos de patrocínio e a reforma do Estatuto Social do clube, que pôs fim às infinitas reeleições e restabeleceu a proporcionalidade no Conselho Deliberativo. Temos muito orgulho de ter contribuído decisivamente – quer com ideias, quer com capital humano – para que essas modificações fossem possíveis.

Infelizmente, às escondidas, um plano de tomada de poder foi cautelosamente armado em diversas frentes (financeira, política interna da Resgate e política do Santos Futebol Clube), cujos atos começaram a ganhar corpo a partir da conquista da Libertadores. No decorrer desse processo, a AMRS passou a ser sistematicamente alijada do processo político e deliberativo de assuntos importantes. Visando a concretizar esse plano, diversos titulares dos cargos obtidos às custas do prestígio político da Resgate lideraram um movimento de dissidência, que culminou com a formação do grupo “Eu sou Santos”.

Obviamente, como esse grupo está calcado em um plano de tomada de poder e não voltado aos interesses do clube, os atos praticados por ele rasgou em definitivo todo o programa formulado anteriormente pela Resgate.

Nesse contexto, a gestão do Santos FC deixou de seguir os princípios pregados pela AMRS: transparência, democratização e profissionalização, o que vem distanciando o Santos FC de seus associados e torcedores. Isso pode ser percebido em diversas esferas do clube:

1) A comunicação com os associados e a torcida é muito frágil e os planos de governo são minimamente compartilhados;

2) O futebol, razão principal para a existência do clube, parece estar abandonado e desprovido da dinâmica de ação e reação tão necessária para a sua evolução;

3) As contratações de jogadores são feitas sem critérios objetivos. Esses jogadores passam pelo clube sem sequer serem testados de verdade;

4) A definição dos mandos de jogos na capital paulista, onde vive a maior parte dos torcedores do Santos FC, não é programada com a devida antecedência e também é feita sem critérios objetivos;

5) As reuniões do Conselho Deliberativo são pouco abertas a questionamentos;

5) A contratação e a avaliação de desempenho de profissionais da gestão são realizadas sem método visível e sempre ocultas entre quatro paredes, sujeitas a alto nível de subjetividade;

6) Há uma desatenção com as lideranças santistas que constituem a massa social do clube;Há a manutenção de um ambiente de muitas controvérsias e insatisfações reprimidas, tanto entre dirigentes como entre a torcida, sem que as mesmas sejam esclarecidas;

7) Falta um plano de metas de curto, médio e longo prazo mais visível e com avaliações periódicas abertas a todos os Conselheiros e Associados;

8) Ocorre um isolamento crescente do grupo no poder do corpo social do clube.

Esses fatos levaram a AMRS a pensar no futuro do Santos FC e em como se posicionar daqui para frente. Nesse processo, decidimos, com a adesão de nossos associados, pela retirada do apoio a essa diretoria que ajudamos a eleger. Entendemos que uma gestão que não respeita os princípios da transparência, do profissionalismo e da democracia preconizados pela AMRS não pode ser apoiada por nós. Nos propomos a participar de discussões que possam reagrupar politicamente os santistas em torno de ideais democráticos e participativos. Nosso objetivo é novamente impulsionar o Santos a crescer e a assumir uma postura de clube inovador e de liderança efetiva no futebol brasileiro.

Atenciosamente,

Fábio Vianna

Presidente da Associação Movimento Resgate Santista