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Com a vitória no Morumbi, o XV de Piracicaba afastou o perigo de rebaixamento no Campeonato Paulista

“É quarta-feira”, cantou a torcida do São Paulo, neste sábado, no estádio do Morumbi, mesmo com o time já garantido em primeiro lugar para as quartas de final do Campeonato Paulista. Com o foco exclusivo no próximo meio de semana, quando recebe o Atlético-MG para definir sua vida na Libertadores, o São Paulo foi surpreendido pelo XV de Piracicaba, que venceu por 1 a 0, afastou suas chances de rebaixamento e ainda viu o Tricolor protagonizar uma de suas atuações mais desanimadas de 2013.

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Cañete tenta jogada pelo São Paulo na derrota diante do XV de Piracicaba
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Cañete tenta jogada pelo São Paulo na derrota diante do XV de Piracicaba

Apesar de alguns lampejos quando Cañete foi recuado para atuar ao lado de Jadson no meio-campo, o São Paulo atuou de forma lenta e discreta em todo o primeiro tempo, contrapondo com a postura agressiva do XV de Piracicaba. Mesmo voltando do intervalo mais interessado no jogo, o time de Ney Franco sofreu dois baques: o gol de Luiz Eduardo após cobrança de escanteio de Diguinho, aos 10 minutos, e os cantos de pressão da torcida, com nove mil representantes na fria noite de sábado.

O próximo compromisso do São Paulo é o seu mais importante em anos: com titulares e 22 mil ingressos vendidos antecipadamente, a equipe recebe o Atlético-MG na quarta-feira, pela última rodada da fase de grupos da Libertadores, dependendo de uma vitória e uma combinação de resultado para avançar.

Leia mais: Se passar de fase, São Paulo vai enfrentar o Atlético-MG nas oitavas

Pelo Paulista, o Tricolor conclui a interminável primeira fase no próximo domingo, quando visita o Mogi Mirim às 16 horas (de Brasília) em mais uma partida sem pretensões, pois o clube do interior também já pode entrar em campo classificado. Já o XV de Piracicaba, que se salvou do mesmo destino de Guarani, União Barbarense e São Caetano, que foram rebaixados, terá uma semana de preparação antes de receber o Botafogo-SP no Barão de Serra Negra.

O jogo

O desentrosamento do mistão escalado por Ney Franco neste sábado ficou evidente desde os primeiros minutos de bola rolando. Desorganizado, o São Paulo tentava rodar a bola e inverter as posições dos três atacantes, sempre com Jadson centralizado no meio, mas não conseguia. Logo no primeiro minuto de jogo, o volante Fabrício mostrou serviço com um levantamento na área para Wallyson, mas o goleiro Bruno Fuso saiu bem e abafou, desfazendo a primeira ousadia tricolor.

Diante de um adversário eu não encontrava seu espaço dentro de campo e de uma torcida que não preenchia nem de longe os espaços vazios do Morumbi, o XV de Piracicaba se animou. A primeira chance ocorreu aos quatro minutos, quando Diego Silva cortou a frágil marcação de meio-campo e lançou Marcelo Soares pela esquerda. Após a tentativa de drible, Edson Silva cortou. A zaga do São Paulo trabalhava pela primeira vez em um início de jogo movimentado e caracterizado pela necessidade de corrigir os erros da dupla de volantes.

O São Paulo não deixou barato. Em contra-ataque rápido pela esquerda, o lateral Cortez fez bela jogada ao fintar três marcadores, mas não soube o que fazer ao atingir a linha de fundo. Na sequência, Jadson tentou um lançamento de três dedos para Wallyson, que abria pela direita na tentativa de fazer a formação com três atacantes funcionar. O impedimento foi assinalado e, após a batida errada do XV, Denis recebeu recuo, foi lento para a bola e quase deu espaço para a abertura de placar. Aos 14, Danilo Sacramento criou jogada pelo centro, recebeu o toque e concluiu à esquerda do gol.

Insatisfeito, Ney Franco fez uma alteração tática na metade do primeiro tempo, ao manter Cañete recuado ao lado de Jadson, como um quarto homem de meio-campo e não um terceiro atacante. Animado e bem postado, o Tricolor criou boas oportunidades com Fabrício, que fez finta pela direita e sofreu uma falta cobrada por Jadson na barreira, com Cañete, que cortou a marcação pelo meio e chutou por cima do gol de Bruno Fuso, e com Ademilson, que tentou voleio para fora.

Com a torcida tricolor pedindo raça e a do XV de Piracicaba animada, ocupando boa parte do espaço reservado no Morumbi, o time do interior partiu para cima, sem a tática de apostar no erro do adversário como foi no começo. Aos 28, após jogada de Diguinho, Marcelo Soares recebeu de Márcio Diogo e bateu na trave de Denis, em posição irregular. Logo na sequência, Marcelo tentou de novo, de longe, para boa defesa do reserva de Rogério Ceni, que xingou toda a defesa. Sem sossegar, Márcio Diogo percebeu a marcação à distância do meio-campo tricolor, cortou para o lado e bateu da intermediária, no travessão de Denis.

Como havia prometido antes de a bola rolar, Ney Franco fez duas alterações antes do fim do primeiro tempo, mas surpreendeu ao sacar Jadson, que apresentou problema muscular e foi poupado. Ao lado de Denilson, cansado com só , o camisa 10 deu espaço a Lucas Farias e João Schmidt, que deram todo fôlego nos minutos finais, mas não fizeram tanta diferença.

Se a alteração tática e as duas trocas de peças não deram resultado, Ney Franco resolveu colocar um ingrediente que faltou ao São Paulo no primeiro tempo: a agressividade. Logo nos primeiros minutos da etapa complementar, Rodrigo Caio avançou sem marcação e bateu da entrada da área para boa defesa de Bruno Fuso. No escanteio cobrado após o lance, a bola sobrou na diagonal para Edson Silva, que soltou uma pedrada em cima do goleiro quinzista.

No momento da partida em que nenhum dos times se arriscava no campo de ataque adversário, a bola parada fez a diferença a favor do XV de Piracicaba. Aos 10 minutos do segundo tempo, Diguinho levantou a bola na área em cobrança de escanteio e o zagueiro Luiz Eduardo apareceu nas costas da marcação para cabecear no canto de Denis e abrir o placar. Cinco minutos depois, o autor do gol interceptou uma jogada perigosa de ataque do São Paulo e fez a torcida interiorana comemorar como se tivesse marcado outro gol.

Do outro lado das arquibancadas, os são-paulinos faziam questão de lembrar para os jogadores em busca da reação, pedindo “raça” e citando “é quarta-feira”. Dentro de campo, no entanto, Lucas Farias foi um dos poucos a tentar agredir o adversário, primeiro com um cruzamento da ponta direita, falha de Bruno Fuso e domínio errado de Henrique Miranda. Dez minutos mais tarde, aos 26, o reserva da lateral direita tabelou perto da entrada da área e bateu com força para defesa em dois tempos do goleiro do XV. Assustado, o XV reagiu aos 33, com falha de Cortez após cruzamento de Janílson e ótima defesa de Denis em chute de Paulinho e, na sequência, outra intervenção incrível na cobrança de escanteio.

Nervoso pelos gritos da torcida, o time do São Paulo arriscou demais de fora da área e não conseguiu igualar o placar nos instantes finais. No último minuto, ainda, em posição irregular, Henrique Miranda perdeu ótima chance, frente a frente com Bruno Fuso. Da torcida, fica o aviso: "é quarta-feira".

FICHA TÉCNICA
SÃO PAULO 0 X 1 XV DE PIRACICABA

Local : Estádio do Morumbi, em São Paulo (SP)
Data : 13 de abril de 2013, sábado
Horário : 18h30 (de Brasília)
Árbitro : Rodrigo Guarizo do Amaral
Assistentes : Vicente Romano Neto e Alberto Masseira
Cartões amarelos : Luiz Eduardo, Danilo Sacramento (XV de Piracicaba)

GOL : XV de Piracicaba - Luiz Eduardo, aos 10 minutos do segundo tempo.

SÃO PAULO : Denis; Rodrigo Caio (Henrique Miranda), Rhodolfo, Edson Silva e Cortez; Fabrício, Denilson (Lucas Farias), Jadson (João Schmidt) e Cañete; Wallyson e Ademilson
Técnico : Ney Franco

XV DE PIRACICABA : Bruno Fuso; Vinicius Bovi, Pedro Paulo, Luiz Eduardo e Janílson; Glauber, Diego Silva (Adílson Goiano), Danilo Sacramento e Diguinho (Adriano); Márcio Diogo (Paulinho) e Marcelo Soares
Técnico : Edison Só

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