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Para Victor Hugo Casagrande, biografia recém lançada ajuda seu pai a lidar com vício, mas não considera sua batalha contra as drogas completamente vencida

Victor Hugo, filho de Casagrande
Bruno Winckler / iG
Victor Hugo, filho de Casagrande

Victor Hugo Feliciano Casagrande, 27 anos, irmão mais velho de Ugo Leonardo, 23, e Symon, 20, sorriu muito na noite de terça-feira em uma livraria de São Paulo. Estava feliz pela conquista de seu pai, Walter, que ali recebia amigos e fãs. Para quem esteve perto da morte, tornar públicos, e em vida, os registros de uma história de superação é motivo de orgulho. E Victor sorria orgulhoso de seu pai, que lançava sua biografia intitulada  "Casagrande e seus demônios"

"A gente vê muitas vezes essas biografias serem lançadas com a história de quem já morreu. Mas ele sobreviveu para contar e hoje está aqui recebendo o carinho de muita gente. A gente fica muito feliz por isso", disse Victor Hugo, jornalista da TV Record. "Se quando ele jogava, a vitória vinha com um troféu, esse livro tem esse simbolismo e é um troféu para representar a vida dele".

O semblante de satisfação do filho mais velho do ex-jogador só muda quando perguntado se a luta de seu pai contra o vício nas drogas já está vencida por completo. Sério, ele reconhece que não está. Ele, seus irmãos e os familiares de Casagrande ainda têm papel decisivo nesta luta diária contra recaídas.

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"Ele mesmo fala que essa partida está empatada. Ele estava perdendo o jogo, mas empatou. Ele precisa de acompanhamento ainda, não sai de casa à noite, sempre está com sua psicóloga e sabe que vai precisar disso para conseguir se manter longe do vício", disse Victor Hugo, responsável por levar Casagrande para ser internado à força em setembro 2007, após o acidente de carro que quase o matou. 

Para Victor, a internação do pai serviu para que ele percebesse que suas atitudes só estavam o afastando de quem ele mais gosta e quem mais gosta dele. "Ele conta no livro que o usuário de droga é um egoísta. Só se importa com o prazer dele ali enquanto usa e se esquece que essa atitude acompanha uma série de situações drásticas e traumáticas para quem o ama, no caso a família dele".

A internação de Casagrande durou pouco mais de um ano. Nesse período, os oito primeiros meses foram de total exclusão de seus amigos e familiares. Para Victor, a certeza de que a internação compulsória era necessária veio quando ele visitou o pai pela primeira vez após levá-lo para a clínica de reabilitação. "Ele estava muito melhor do que quando o deixei lá. Muito melhor. Consciente da sua situação de dependente. Essa era nossa maior luta".

Antes da internação, a família de Casagrande tentava convencê-lo a parar de se drogar espontaneamente, conta Victor. Nesse momento, ainda segundo o filho do ex-jogador, aparecia o lado positivo e negativo da proximidade familiar com o dependente. Um lado o orientava, o outro passava a mão em sua cabeça e acreditava no seu discurso "de que tinha o controle da situação".

O acidente de carro mudou tudo. Alterado após horas de consumo desenfreado de drogas e bebidas, ele tomou o volante, acelerou, capotou e quase colocou fim à sua vida. "Ali vimos que não dava mais. Se não fizéssemos algo o fim poderia ter sido trágico e não haveria nada para celebrar. Por isso esse livro é como se fosse troféu".

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