Tamanho do texto

Além de governador da província do Chaco, Jorge Capitanich é presidente do Sarmiento, time em cujo campo será disputado o Superclássico das Américas neste quarta-feira

Se o jogo de ida do Superclássico das Américas foi disputado em Goiânia pela proximidade entre CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e o Governo de Goiás, a partida de volta, em Resistencia, na Argentina, não será diferente. O fato de a seleção brasileira ter que jogar em um estádio de time de 4ª divisão, que tem capacidade para apenas 25 mil pessoas e não recebe um jogo há cerca de dois meses, é consequência de troca de favores entre a presidente Cristina Kirchner e o governador da província do Chaco, Jorge Capitanich - que, por acaso, é presidente do Sarmiento de Resistencia, time que vai ceder seu campo para o duelo entre Brasil e Argentina.

Quem vencerá o Superclássico das Américas: Brasil ou Argentina? Deixe seu palpite!

Capitanich é um dos maiores aliados de Kirchner, e quer usar a partida para posicionar o Chaco como "um lugar excelente para a realização de eventos esportivos nacionais e internacionais", segundo declarou em coletiva de apresentação do Superclássico. Seu Estado é um dos mais pobres da Argentina, com altos índices de desemprego e também de analfabetismo (5%, contra 2% da média nacional). Apesar disso, vem crescendo economicamente, graças à força da agricultura - os principais cultivos são algodão, soja, milho, sorgo e cana-de-açúcar. Isso não mascara, porém, a falta de insfraestrutura de Resistencia (275 mil habitantes, 940km de Buenos Aires) para o Superclássico.

VEJA:  Brasil leva vantagem sobre Argentina no histórico do Superclássico das Américas

Estádio Centenário: em 2011, foi palco da última aparição do ex-presidente Néstor Kirchner antes de sua morte
Divulgação
Estádio Centenário: em 2011, foi palco da última aparição do ex-presidente Néstor Kirchner antes de sua morte

Com uma rede hoteleira bastante modesta, já que não é um polo de turismo, a cidade não tem condições de receber torcedores, jornalistas e comitivas das seleções. Com isso, muita gente terá que se hospedar na cidade vizinha, Corrientes, que é separada de Resistencia apenas por uma ponte. Na capital da província de Corrientes, há mais hotéis e melhor infraestrutura. Além disso, o Estádio Centenário, que vai receber o jogo, comporta apenas 25 mil torcedores (capacidade, por exemplo, da Fonte Luminosa, em Araraquara-SP, de São Januário, estádio do Vasco, ou do Independência, do América-MG), muito pouco para receber o maior clássico sul-americano.

MAIS:  Cidade do Superclássico tem calor, inundações e hotel-cassino de luxo

Capitanich e Cristina Kirchner: muy amigos
Télam
Capitanich e Cristina Kirchner: muy amigos

O Centenário não é usado em jogos oficiais há cerca de dois meses. O dono do estádio é o pequeno Sarmiento, que disputa o Torneo Argentino B (4ª divisão) e tem como presidente justamente Jorge Capitanich, governador da província do Chaco (atualmente em seu 2° mandato) e homem-forte do partido Justicialista, o mesmo da presidente Cristina Kirchner. A arena foi construída em 2011 (graças a uma aliança entre Capitanich e o Governo Federal), e sua inauguração, em um amistoso entre Argentina e Paraguai, foi a última aparição pública do ex-presidente Néstor Kirchner (marido de Cristina) antes de sua morte. Apesar disso, o estado do gramado é ruim, com reparos sendo feitos em cima da hora antes do clássico. Algo que já era esperado pelos jogadores da seleção brasileira.

O JOGO:  Com atletas da seleção principal, Brasil decide título contra Argentina sem estrelas

"Vai ser parecido com gramado de jogo da Libertadores. Estamos acostumados com isso. Vai sair faísca, a gente sabe bem, só que vamos para jogar só na bola", disse o volante Ralf, do Corinthians. O santista Arouca, seu companheiro de meio-campo, também comentou sobre o acanhamento do estádio, algo que aumentará a pressão sobre os brasileiros: "Vamos enfrentar uma grande pressão, sem dúvida, mas já estamos acostumados com isso. Em um Brasil x Argentina, não poderia ser diferente", afirmou o volante, que, apesar da pouca experiência na seleção, já foi campeão da Copa Libertadores com a equipe da Vila Belmiro. Veja um pouco mais de Resistencia :

*colaborou João Pontes, iG São Paulo

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.