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Especialistas apontam série de decisões desgastantes como motivo para a onda de lesões. Gramado duro também prejudica

Deco e Fred são dois dos jogadores do Flu no departamento médico
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Deco e Fred são dois dos jogadores do Flu no departamento médico

Nas últimas semanas, os torcedores do Fluminense que têm ido às Laranjeiras para acompanhar o treino do clube estão voltando para casa decepcionados. Em campo, jovens das categorias de base se misturam aos reservas e alguns titulares que escaparam da onda de lesões. Foto com as estrelas? Raridade. Enquanto isso, na academia do clube, estrelas como Fred , Rafael Sobis e Diguinho tentam se recuperar para voltar logo aos gramados.

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'Punido' pela boa campanha na temporada até o momento, tendo conquistado o Campeonato Carioca e avançado às quartas de final da Copa Libertadores , sendo eliminado para o Boca Juniors, o time carioca paga a conta no Campeonato Brasileiro . Em duas rodadas, usou oito jovens da base, entrando em campo com um time considerado 'C' no início do ano.

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Apenas cinco meses e 33 jogos na temporada, alguns decisivos e disputados num intervalo de três dias. O Fluminense se tornou uma espécie de garoto-propaganda do seu próprio patrocinador, a cooperativa de saúde Unimed. A sala médica está lotada.

Com um descanso de 10 dias entre a última partida pelo Brasileirão , no empate de 2 a 2 com o Figueirense , e o jogo contra o Santos , no próximo dia 6 de junho, o preparador físico do clube carioca, Cristiano Nunes, espera recuperar os jogadores e minimizar a possibilidade de novas lesões para a sequência do torneio nacional.

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"A série de jogos foi muito intensa. Foi o clube, no meu ponto de visita, que enfrentou a sequência de jogos mais difíceis. Botafogo , Internacional , Boca Juniors . Questões específicas do jogo, de ter de correr atrás do placar, jogar com atleta a menos, fizeram com que acontecesse o desgaste físico e psicológico. A gente espera aproveitar esse intervalo de tempo para promover essa recuperação e tentar minimizar esse problema com o decorrer do Brasileiro".

A opinião também é compartilhada por outro especialista na área da medicina esportiva. Para o doutor Beny Schmidt, um dos criadores do Reffis (Núcleo de Reabilitação Esportiva Fisioterápica e Fisiológica), do São Paulo, e chefe do Laboratório de Patologia Neuromuscular. 

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“O Fluminense , assim como o Santos , está pagando pelo número insuportável de jogos imposto pela Fifa. Ambos chegaram às finais dos estaduais, disputando também a Copa Libertadores. A lesão é consequência, vira rotina de trabalho para os atletas. O ideal é que reduzissem de 10% a 15% o número de partidas”, disse Schmidt.

Gramado duro
Outro problema para os jogadores do Fluminense está no gramado das Laranjeiras. Apesar de ter passado por uma reforma no início do ano, bancada pela Unimed, e ter trocado a empresa que cuida do campo, o terreno continua bastante duro e compacto. Thiago Neves prendeu o pé e torceu o tornozelo em um buraco no início de maio. 

O iG apurou que alguns jogadores reclamaram de dores por conta do tipo do gramado das Laranjeiras, motivo de queixas desde a época do técnico Muricy Ramalho, em 2010. Apesar de não relacionar as lesões ao local de treinamento do Fluminense, Beny Schmidt admite que terrenos duros podem provocar maior desgaste com o tempo.

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“O terreno duro não absorve a energia sinética do movimento, o que pode causar lesões de joelho e, em menor grau, musculares. Quanto menos confortável para o atleta, pior. O gramado sintético, por exemplo, não é recomendado para a prática esportiva de alto rendimento. Pode atrapalhar na recuperação de lesões também”, destacou Schmidt.

Atualmente o Fluminense tem seis jogadores no departamento médico. Os atacantes Fred e Rafael Sobis, os volantes Valencia e Diguinho, o zagueiro Leandro Euzébio e o meia Deco, que já está em fase final de recuperação.

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