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03/12 - 16:52

Invasão de campo completa um ano: é o "11 de setembro" do Coritiba

Tumulto fez do clube o primeiro do Brasil a romper com facções organizadas, mas as feridas causadas pelo distúrbio no Couto Pereira continuam abertas

Altair Santos, especial para o iG

Na próxima segunda-feira, completará um ano do dia em que a torcida do Coritiba invadiu o gramado do Couto Pereira após o empatou por 1 a 1 com o Fluminense, resultado que rebaixou o time paranaense para a Série B do Brasileiro. O quebra-quebra resultou na maior pena já imposta pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva): dez perdas de mando de campo, além da interdição do estádio por quase oito meses.

Por isso, a data de 6 de dezembro é uma espécie de “11 de setembro” para o Coritiba. E, como nos Estados Unidos, traumatizados pelos ataques terroristas de 2001, as feridas do clube também não cicatrizaram. Desde então, torcida e diretoria nunca mais falaram a mesma linguagem.

A ponto de, no encerramento da Série B deste ano, a principal facção organizada do Coritiba, a Império Alviverde, ter realizado um protesto para vaiar o acesso do clube. Com faixas de luto e gritos de ordem contra a diretoria, a torcida acabou apupada pelos demais torcedores que estavam no estádio.

Para o vice-presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, a ruptura é um caminho sem volta. O dirigente é quem liderou o banimento da facção das entranhas do clube e, amparado legalmente, veta qualquer ação da torcida no estádio. “Se quiserem voltar a frequentar o estádio, farão como torcedores comuns”, diz o dirigente.

Os demais torcedores do clube demonstram estar do lado da diretoria. Tanto é que amplificaram a fidelidade ao fazer o número de sócios bater na casa dos 18 mil, número que não existia quando as organizadas tinham lugar cativo no Couto Pereira. Enfraquecida, a facção tem recorrido ao Ministério Público do Paraná para ingressar no estádio com bandeiras, uniforme, bateria e faixas que exaltam sua marca. O Coritiba contragolpeia com liminares que impedem o acesso.

O presidente da facção, Luiz Fernando Corrêa, alega perseguição. Em nota, ele dá sua versão para o caso. “Durante o ano de 2010, participei de diversas reuniões com o Ministério Público e cumpri todos os acordos firmados no TAC (Termo de Ajustamento de Conduta). Desde o inicio, condenei a invasão de campo. Buscarei, também dentro da lei, garantir o direito dos sócios e simpatizantes da entidade. Invoco o artigo 5º da Constituição, pois todo o cidadão tem o direito de ir e vir, bem como o direito a livre associação”, diz.

O fato é que, passado um ano, o Coritiba está reinventando seus aficionados. Saiu o torcedor, entrou o sócio. E por ser o primeiro do Brasil a romper definitivamente com facções organizadas, o clube fará parte de um projeto-piloto que o Ministério dos Esportes lança no ano que vem, com o objetivo de preparar as torcidas para a Copa do Mundo de 2014. Trata-se do “Torcida Legal”.

Todos os torcedores de clube que frequentam o estádio, sócios ou não, serão cadastrados, e as catracas do Couto Pereira terão um sistema de identificação biométrica. Significa que, se algum torcedor tiver ficha criminal, será automaticamente detido na porta do estádio. “O Coritiba se sente honrado por ser o primeiro clube a ter coragem de tomar essa medida”, diz o vice do clube. A Império, no entanto, não se dá por vencida. E, um ano depois, as feridas seguem abertas.


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