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Futebol

28/10 - 09:00

Atlético-PR aposta na tecnologia médica para buscar vaga no G4
Baixo índice de lesões do clube vai servir de referência para estudo que a CBF prepara sobre o desempenho físico dos jogadores que disputam o Campeonato Brasileiro

Altair Santos, especial para o iG

Recentemente, a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) devolveu o G4 ao Campeonato Brasileiro. Um dos clubes beneficiados foi o Atlético Paranaense, que ganhou uma chance maior para disputar sua quarta Libertadores. Mas não é apenas na oportunidade aberta pela Conmebol que o clube se apega para tentar vaga no torneio intercontinental. A aposta atleticana também recai no uso da tecnologia médica a serviço do elenco. O Atlético entra na reta final do campeonato como a equipe com o menor número de jogadores lesionados, e a expectativa é de que isso faça a diferença.

Segundo o chefe do departamento médico do Atlético, Edílson Thiele, o segredo para que o time chegue “inteiro” à reta final do Campeonato Brasileiro tem a ver com o trabalho preventivo realizado na série de rodadas de meio de semana que ocorreu na fase pós-Copa do Mundo da competição nacional. “Não é só jogar quarta e domingo que lesiona. Um treinamento físico muito puxado ou um coletivo muito puxado pode ser pior que um jogo muito puxado. Por isso, dosamos a carga de treinamento para equilibrar com o excesso de jogos”, explica.

Thiele revela também que o fato de o Atlético ser um dos poucos do país a ter equipamentos que permitem exames de isocinética também ajuda na prevenção de lesões. “Temos condições de avaliar o desequilíbrio muscular do atleta e detectar se ele tem propensão a fadiga. Assim, a preparação física pode dosar a carga”, diz, afirmando que o uso da tecnologia permitiu reduzir pela metade o risco de lesões musculares no elenco. “Há cinco anos, as lesões musculares atingiam 50% dos nossos jogadores. Hoje, reduzimos pela metade esse índice”.

Por conta do trabalho que faz do Atlético Paranaense uma referência em medicina esportiva, a CBF convidou Edílson Thiele a fundar, junto com o médico da seleção brasileira José Luiz Runco, a Comissão Nacional de Médicos de Futebol. O objetivo é realizar um trabalho científico sobre o Campeonato Brasileiro, que vai diagnosticar o número e o tipo de lesões que mais afetam os jogadores, assim como as posições mais propensas a contusões e o tempo de recuperação. “Pela primeira vez, vamos ter todos os dados concretos das lesões que acontecem no futebol brasileiro”, afirma Thiele.

Partindo deste estudo, existe a possibilidade de a CBF, a partir da edição 2011 do Campeonato Brasileiro, reduzir drasticamente as rodadas de meio de semana da competição. Já há estudos que mostram que jogadores de futebol que atuam duas vezes por semana correm seis vezes mais risco de lesões do que os que jogam apenas uma vez por semana. É o que revelou estudo publicado na revista médica americana “American Journal of Sports Medicine”. Segundo a pesquisa, para cada mil horas de um atleta que joga duas vezes por semana, ele se lesiona 25,6 vezes. Já para quem joga só uma vez por semana, o risco cai para 4,1 vezes por mil horas.
 
No Atlético, segundo Edílson Thiele, há três jogadores com taxas ainda menores do que as apontadas pela publicação norte-americana. “O Neto (goleiro), o Rhodolfo e o Manoel (zagueiros) raramente me visitaram neste ano. Ter um elenco com o baixíssimo índice de lesões deles é o nosso ideal”, afirma o médico atleticano, garantindo que, se depender dele, o time vai cumprir a reta final do Campeonato Brasileiro “voando baixo” para tentar vaga na Libertadores.


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Gazeta Press

Manoel Rhodolfo

Manoel e Rhodolfo
Os dois zagueiros estão entre os jogadores que menos se lesionam no elenco do Atlético-PR

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