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21/10 - 07:01

Conselheiros questionam existência de documento fundamental da Arena do Palmeiras
Reunião na última quarta-feira deu prazo de cinco dias para que escritura apareça; obras podem parar novamente

Danilo Lavieri, iG São Paulo

A situação burocrática da Arena Palestra Itália, que parecia resolvida, pode voltar a preocupar o Palmeiras. Uma reunião realizada na noite da última quarta-feira pelo conselho responsável por assuntos das obras colocou em questão a existência da escritura de superfície do estádio.

O encontro foi realizado com a presença de Augusto Dalecio, Carlos Bernardo Fachina, Paulo Nobre, Bernado Francês e Roberto Frizzo. Ficou decretado um prazo de cinco dias para que esse documento apareça nas mãos desse grupo que cuida dos trâmites relacionados ao estádio. Caso contrário, a obra corre o risco de ser paralisada.

O estranho dessa polêmica é que o Palmeiras chegou a divulgar, no dia 15 de junho deste ano, a assinatura deste mesmo documento pela WTorre, empresa responsável pelas obras, e por vários dirigentes do Palmeiras.

Mesmo assim, Roberto Frizzo afirmou não ter certeza de que o documento exista, mas disse que prefere acreditar que ele realmente esteja nas mãos do clube.

"A reunião de hoje só foi para checarmos alguns documentos. E queremos crer que está tudo certo. Não vimos esse documento ainda. Não é plausível achar que essa obra já tenha começado e esteja nesse nível sem esse documento. A comissão só pediu para ver os papéis, não é nada além disso. Se esse documento não existir, é um problema grave", afirmou Roberto Frizzo, que esteve na reunião dessa quarta. 

Antes mesmo de poder ceder a área para a WTorre, o Palmeiras precisou fazer uma mudança no seu estatuto, que foi oficializada no dia 29 de setembro de 2008. As antigas leis do clube não permitiam que o terreno fosse cedido para qualquer outra empresa.

Fato é que, sem essa documentação, as obras não poderiam ter começado. E elas já estão a pleno vapor. O ginásio G1 teve a sua derrubada iniciada, as casas da rua Padre Antônio de Tomás já foram completamente demolidas e cadeiras do atual estádio foram retiradas.

Outro problema para a nova casa palmeirense é o seguro que precisa ser assinado. Sem a escritura, não é possível fazer o contato com uma empresa de seguros e, como consequência, não há garantias financeiras de que a obra comece e não pare no meio. A WTorre diz já ter conseguido um empréstimo da primeira metade junto ao Banco do Brasil e também afirma que já fez o contrato de seguro.

Questionado sobre o assunto, José Cyrillo Jr, atual diretor administrativo da gestão de Salvador Hugo Palaia e homem forte da Arena, afirmou que o documento existe. Em contato com a reportagem, o dirigente mostrou certa irritação para responder.

"É claro que isso existe. A escritura é um documento público. As pessoas que duvidem podem ir no cartório e pedirem uma cópia dela", afirmou Cyrillo, que não esteve na reunião com Frizzo, Nobre e outros três conselheiros. 

Capítulo por capítulo da "novela Arena"

O iG acompanha cada capítulo da "novela Arena". Depois de resolvido os problemas internos, como a mudança de estatuto, o Palmeiras travou em liberações públicas. O Cades (Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) exigia alguns laudos, como o do relatório da acústica. Pensando em driblar a burocracia, o time tentou fazer um acordo com a Prefeitura, que não deu certo por esbarrar em termos jurídicos.

Alguns dias depois, com o documento de acústica na mão e protocolado pela Prefeitura, o time esperava a aprovação do Cades. Depois de ter conseguido o "ok" do órgão público, o Palmeiras dependia da Sehab (Secretaria de Habitação).

Com todos documentos na mesa, a Sehab pôde autorizar as obras e forneceu o alvará de construção, que foi entregue em mãos ao presidente Luiz Gonzaga Belluzzo, que estava licenciado e até chorou com a cerimônia. Com tudo certo, a WTorre chegou até a desenhar estratégia de relacionamento com o torcedor.

A expectativa é que a obra custe cerca de R$ 330 milhões e esteja pronta em meados de 2013, ainda na Copa das Confederações.


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Ricardo Lombardi

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