iG - Internet Group

iBest

brTurbo

 

Futebol

08/10 - 14:21, atualizada às 14:45 08/10

Cipullo pede paz política no Palmeiras e não conversa com atual diretor
Ex-diretor de futebol evita atritos com atual gestão, diz que ainda não falou com Wlademir Pescarmona e aposta em título da Copa Sul-Americana e briga pelo G-3

Danilo Lavieri, iG São Paulo

"O Palmeiras precisa de paz na política". A frase é do ex-diretor de futebol e atual vice-presidente do Palmeiras, Gilberto Cipullo. Sua saída do principal departamento do clube aconteceu assim que Luiz Gonzaga Belluzzo pediu licença da presidência por problemas cardíacos, passando o cargo para Salvador Hugo Palaia. Apesar de toda confusão que viveu no fim do mês passado, Cipullo afirma que ainda pretende continuar na política palmeirense.

"Eu deixei o futebol, mas continuo no dia a dia político. Fico no Palmeiras como vice-presidente até janeiro de 2011", afirma o dirigente, que toma todo cuidado para falar da atual gestão palmeirense. "Eu tomei a decisão de não comentar nada sobre quem está lá agora. O que o Palmeiras menos precisa é de confusão para tumultuar o ambiente".

Cipullo nega que tenha intenção de concorrer à presidência e que esteja trabalhando para a formação de uma chapa da situação. O fato é que, internamente, seu nome não tem força o suficiente para combater a oposição. Para muitos conselheiros, a saída de Cipullo foi encarada com naturalidade, mas o jeito que ocorreu sua destituição assustou os que têm poder de voto.

Uma das estratégias de Cipullo para não ver Salvador Hugo Palaia permanecer no poder após as eleições seria colocar Seraphim del Grande como nome para sucessão de Belluzzo. O problema é convencer Palaia, de quem é desafeto declarado, de não querer ser candidato. O atual presidente interino já declarou que pretende concorrer em 2011.

"Acho muito cedo para falar sobre política. Eu tenho a mesma opinião do Seraphim [del Grande, membro do COF]. Precisamos apaziguar os problemas políticos. Queremos acabar com as rivalidades para que o grupo atual tenha capacidade de governar. Vivemos um momento muito favorável, com um elenco robusto, com o alvará na mão. Se essa paz não for possível agora, que aconteça depois das eleições para que quem assuma esteja em tranquilidade", afirmou Cipullo, desconversando sobre a possibilidade de ser um dos protagonistas da campanha.

O panorama para as eleições de janeiro de 2011 pode acabar sendo com três grupos. De um lado, os que apóiam Palaia; do outro, os que estão ao lado de Seraphim e Cipullo; e por fim a oposição, que será encabeçada ou por Arnaldo Tirone ou Roberto Frizzo. Os oposicionistas, aliás, comemoram a instabilidade política do clube. As incertezas permitem que os trabalhos para reunir o maior número de votos possível comecem desde já.

Diretoria antiga já trabalhava com nomes para 2011

Atualmente, o diretor de futebol é Wlademir Pescarmona (leia entrevista com ele). Assim que assumiu o cargo, o dirigente disse que era amigo de Cipullo e afirmou que pretendia contar com a ajuda do ex-diretor. Mas o fato é que, segundo Cipullo, os dois não conversaram até agora.

Justamente por isso, Felipão precisou repassar todas as suas ideias novamente para Pescarmona. Sem revelar nomes, Cipullo afirmou que já estava atrás de jogadores que faziam parte dos planos do técnico para o ano que vem.

"Obviamente, não posso falar com quem a gente já conversava, mas já estávamos atuando de acordo com as necessidades de Felipão. Agora, essa é uma conversa que eles vão precisar ter novamente entre a nova diretoria e o treinador", disse Cipullo.

O ex-diretor de futebol avaliou seus quase quatro anos de gestão como bons. Segundo ele, o Palmeiras deixou a situação de coadjuvante para assumir um papel de protagonista durante sua gestão. Ele reclama da falta de reconhecimento do título paulista e ainda afirma que o time brigará pelo título da Copa Sul-Americana.

"De maneira bem realista, a nossa gestão foi boa. Nós pegamos o Palmeiras em uma situação de mercado ruim, desacreditado. Na nossa gestão, o Palmeiras passou a ser protagonista. Conseguimos o título do Paulista, embora as pessoas não reconheçam o valor. Brigamos pelo título do Brasileiro de 2009, fizemos uma boa Libertadores. Enfim, entregamos um time muito forte e uma comissão técnica de gabarito internacional. Eles têm chance de brigar pela Sul-Americana e podem chegar na briga pelo topo do Brasileirão. Ainda faltam 30 pontos para serem disputados", disse Cipullo

Sobre os problemas ocorridos em sua gestão, Cipullo aponta para a resistência que teve na hora de contratar e demitir treinador. Cipullo revelou que preferia ter continuado com Vanderlei Luxemburgo e que teria demitido mais cedo Muricy Ramalho.

"A demissão do Vanderlei foi em uma hora imprópria, não era a hora. Mas fui voto vencido. Além disso, o Palmeiras poderia ter demitido Muricy Ramalho mais cedo. Assim que perdeu o título, detectamos que seria muito difícil uma reação, até pela situação em que ficou o elenco", finalizou.


Leia mais sobre: cipullo palmeiras seraphim del grande palaia

> Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG


Fotoarena

GIlberto Cipullo, vice-presidente de futebol do Palmeiras, em coletiva no dia 18/5/2010

Gilberto Cipullo
Ex-diretor de futebol do Palmeiras não quer Salvador Palaia concorrendo às eleições de 2011

Topo
Contador de notícias