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10/09 - 07:00

Diretoria do Corinthians procura estatais para dar nome ao estádio
Com valor de "naming rights" superestimado, clube sonda empresas do Governo Federal para ter parâmetro do que cobrar. Construtora já prevê gastar mais do que R$ 335 milhões na obra

Marcel Rizzo, iG São Paulo

Os alvos da diretoria corintiana para oferecer o nome do futuro estádio, num primeiro momento, serão empresas estatais. Já foi feita uma consulta à Petrobras e a segunda será ao Banco do Brasil. O clube entende que empresas ligadas ao Governo Federal podem pagar o valor desejado pelo “naming rights”: R$ 335 milhões por dez anos, avaliado por especialistas como acima da média de mercado. Ou, pelo menos, o contato servirá como parâmetro para a consulta às empresas privadas, no futuro. 

A primeira sondagem, como mostrou o iG na semana passada, foi com a petroquímica Braskem, antes ainda até da assinatura do pré-contrato entre Corinthians e a construtora Odebrecht. A Braskem pertence ao Grupo Odebrecht, portanto seria um acordo amarrado “em casa”. A petroquímica não se interessou.

“Não estamos conversando sobre valores com as empresas. Estamos entrando em contato para falar sobre o conceito do projeto”, explicou o diretor de marketing corintiano, Luís Paulo Rosenberg.

AE
Andrés Sanchez tratou diretamente com presidência da Odebrecht a engenharia financeira para a obra do estádio

O dirigente admite que não tem como calcular o valor do “naming rights” do estádio, que tem projeto de ser construído no terreno que o clube possui no bairro de Itaquera, zona Leste da Capital. Por isso a consulta a algumas empresas, para pesquisar. Como comparativo, os outros dois projetos que o Corinthians analisou para a construção de uma arena (o de Guarulhos e outro em Itaquera) previam máximo de R$ 12 milhões por ano pelo nome, ou R$ 120 milhões em dez. É quase três vezes menos do que o contrato assinado entre Corinthians e Odebrecht estabelece.

“É claro que não fizemos uma conta e chegamos ao número exato de que o valor da obra é igual ao do “naming rights”, os R$ 335 milhões. Como não sabemos quanto vale este produto pode ser menos, aí o Corinthians teria que completar, ou mais, o lucro ficando para o clube. Não podemos menosprezar o valor de uma marca que trouxe o Ronaldo de volta ao Brasil”, disse Rosenberg.

O contrato entre Corinthians e Odebrecht prevê que a construtora solicite empréstimo ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no valor orçado de R$ 335 milhões (nesta quantia já está incluído o lucro da construtora). O Corinthians pagaria a empresa com o valor arrecadado com o “naming rights”. Se for menos do que o acordado, o clube tem de completar a diferença.

“O que não teríamos problema de fazer, porque quando as prestações do BNDES começarem a vencer, daqui três anos, o estádio já estará em funcionamento e pelas nossas contas rendendo até R$ 100 milhões por ano com diversas receitas”, disse Rosenberg. Se começar quando previsto, em janeiro de 2011, a previsão é que a arena fique pronta até meados de 2013.

Defasado
O valor da obra, porém, pode ser maior do que R$ 335 milhões, apesar de Luís Paulo Rosenberg jurar que vetará qualquer regalia que aumente este custo. Em privado, diretores da Odebrecht admitem que dificilmente levantarão o estádio por menos de R$ 400 milhões, mesmo evitando usar pias de mármores, para citar exemplo de Rosenberg sobre mordomias vetadas.

Marcel Rizzo
Aníbal Coutinho (esquerda), arquiteto responsável pelo projeto, Luís Paulo Rosenberg (centro) e Carlos Paschoal, representante da Odebrecht, durante apresentação dos planos para o "Itaquerão"

Se chegar a essa quantia, ou o “naming rights“ teria que ser ainda mais valorizado ou o Corinthians terá realmente que desembolsar uma quantia generosa para completar o valor que a construtora pegará emprestado no BNDES. Já prevendo essa dificuldade em pagar, e um possível aumento dos custos da construção, o contrato, que inicialmente previa dez anos para quitação, pode ser estendido para 15.

Tanto o clube, quanto a empresa, afirmam que não gastarão um centavo para ampliar a capacidade de 48 mil (do projeto apresentado) para 68 mil espectadores, exigência da Fifa para que o estádio receba a abertura da Copa do Mundo de 2014. O projeto foi apontado pela CBF e pelo Governo paulista como única opção para abrir o Mundial em São Paulo, um desejo da Fifa por questões econômicas.

Para colocar mais 20 mil lugares no estádio seriam gastos aproximadamente R$ 180 milhões. Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do COL (Comitê Organizador Local) do Mundial, disse que ajudaria o Corinthians e a Odebrecht a conseguirem investidores privados. No final das contas, se o projeto for aprovado pela Fifa, a entidade poderia colocar dinheiro, como fez na África do Sul. E o Corinthians pode nem precisar devolver dinheiro à Odebrecht (esta diferença entraria na cota da Fifa).

Cori aprova
Na noite desta quinta-feira, o Conselho de Orientação (Cori) do Corinthians aprovou o projeto assinado por Corinthians e Odebrecht. Os detalhes já tinham sido apresentados aos conselheiros há três semanas. As outras duas propostas sugeridas ao clube, apenas por questões burocráticas, foram apresentadas nesta quinta, mas recusadas. No dia 13 de setembro, o Conselho Deliberativo deve avaliar a oferta.


Leia mais sobre: Copa do Mundo 2014 Estádio Corinthians Itaquera

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Divulgação

estadio corinthians maquete

O projeto
Estádio corintiano prevê 48 mil lugares, o que não permite fazer a abertura da Copa

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