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02/09 - 07:45

Em um ano, Ney Franco assimila DNA do Coritiba
Técnico comandava o time no rebaixamento, fez pacto para devolvê-lo à Série A em 2011 e caminha bem para cumprir a promessa

Altair Santos, especial para o iG

Em agosto, o técnico Ney Franco completou um ano de Coritiba. Na história recente do clube, ele só é superado por Paulo Bonamigo, que ficou quase dois anos no comando do time paranaense, entre 2002 e 2003.

Ney Franco era o técnico do Coritiba no rebaixamento de 2009 e firmou um pacto com o clube de que o devolveria à primeira divisão. Por isso, recusou recentemente convites de Cruzeiro e Goiás.

Neste primeiro turno, o técnico vem cumprindo seu objetivo: mantém o clube no G4 desde a sétima rodada. No returno, Ney Franco aposta na volta ao Couto Pereira para consolidar sua meta. Para ele, o Coritiba tem outros seis adversários com que se preocupar, mas vê um final de ano promissor para o clube. Confira na entrevista a seguir:
 
iG: Quais as virtudes do atual elenco do Coritiba?
Ney Franco: Hoje temos dois jogadores para cada posição. O elenco é mesclado por jogadores experientes e jovens, com a média de idade interessante para disputar um Campeonato Brasileiro de pontos corridos. Além disso, houve um bom equilíbrio entre jogadores contratados, jogadores que ficaram da temporada passada e jogadores que subiram na base. Juntando estes três grupos, temos uma equipe bem homogênea.

iG: O Coritiba construiu uma ótima campanha neste turno da Série B, praticamente atuando fora de casa. O que dá para esperar do time no returno, quando ele voltar a jogar no Couto Pereira?
Ney Franco: Dá para esperar um desempenho melhor do que no primeiro turno. No primeiro turno a gente teve um desgaste muito forte na parte física em relação às outras equipes. Trocamos muitas sessões de treinamento por viagens. Com o retorno ao Couto Pereira coincidindo com o returno, vamos melhorar ainda mais o desempenho da equipe, principalmente no plano físico. A equipe deu uma caída em função desta sequência de viagens que a gente teve no primeiro turno.

iG: A partir do momento em que o Coritiba desponta como um dos favoritos, o que é mais difícil: manter o desempenho do time ou controlar o clima de “já ganhou”?
Ney Franco: As duas coisas. Tivemos um momento na competição que poderíamos ter aberto uma boa vantagem até do segundo colocado, mas não conseguimos. Passamos cinco rodadas na liderança do campeonato e os adversários estudaram muito a gente. Aliado a isto, tem que controlar liderança e a ansiedade que ela gera no torcedor e no próprio elenco.

iG: A meta é ganhar a Série B ou finalizar dentro do G4 já satisfaz o clube?
Ney Franco: O objetivo nosso é chegar entre os quatro. Logicamente, se a gente tiver a competência de, além de estar entre os quatro, sermos campeões, acho que é bom para o clube e para todos os profissionais que estão aqui. Mas o objetivo do clube na temporada é claro: o retorno para a Série A, seja em primeiro, segundo terceiro ou quarto.

iG: Por conta da boa campanha do Coritiba, você recebeu propostas para treinar outras equipes? Veio à tona que pelo menos o Cruzeiro lhe fez uma proposta. O que o fez não aceitar?
Ney Franco: Eu tive duas propostas oficiais. Uma do Cruzeiro e outra do Goiás. A não aceitação foi muito em cima dos objetivos traçadas no início da temporada, junto com a diretoria do Coritiba. Ela, no início do ano, me procurou para desenvolver um projeto para o clube de retorno à Série A. Estes convites que citei vieram justamente quando estávamos no meio destes objetivos. Eu me sentiria desconfortável se saísse neste momento e deixasse o Coritiba na mão. A diretoria do Coritiba tem uma seriedade muito grande, e eu não ficaria confortável em sair do clube e deixar o projeto no meio do caminho.

iG: Devolvendo o Coritiba à Primeira Divisão de 2011 você dá seu trabalho por concluído no clube? 
Ney Franco: Não. Se atingir o objetivo desta temporada vou querer sentar para conversar com o clube e ver se há interesse na minha permanência. Vejo a possibilidade de fazer um ciclo maior e um trabalho de longo prazo no clube.

iG: Se o Coritiba estivesse atualmente na primeira divisão, você acredita que com esse time seria possível fazer boa campanha?
Ney Franco: São competições distintas. A Série A é uma competição mais técnica, mais competitiva, com jogadores com mais qualidade técnica. Este elenco, na Série A, me daria uma base, mas precisaria ser reforçado com mais quatro ou cinco jogadores. Com isso, teria uma equipe altamente competitiva dentro da Série A.

iG: Já dá para traçar quais serão os adversários diretos do Coritiba nesta Série B?
Ney Franco: Acho que sim. No returno, a competição vai se assentar com a definição dos blocos da frente, intermediário e de trás. Além do Coritiba, coloco entre os candidatos diretos o Figueirense, a Portuguesa, o São Caetano e o Náutico. A Ponte Preta está crescendo, e acho que o Sport vai crescer no returno e pode chegar. Creio que teremos seis ou sete equipes em condições de lutar pelo acesso.

iG: Quando você foi contratado pelo Coritiba, imaginou que poderia enfrentar resistência por ter dirigido o rival Atlético em temporadas anteriores?
Ney Franco: Não. Até porque no período que eu trabalhei no Atlético eu sempre respeitei muito a instituição Coritiba e os torcedores do Coritiba. Eu tive a experiência na época que trabalhei com o Atlético de jogar contra o Coritiba e, independentemente dos resultados, sempre respeitei muito a instituição. Acho que o trabalho que eu fiz no Atlético foi um trabalho de muita qualidade. Consegui tirar a equipe do rebaixamento e a gente teve este objetivo conquistado no Atlético. Como eu imaginava, no Coritiba não enfrentei nenhuma resistência em relação a ter trabalhado no Atlético.

iG: Com o Coritiba voltando à primeira divisão em 2011, o que você acha que precisa ser feito para que o clube não fique mais nessa gangorra de sobe-desce?
Ney Franco: O clube precisa dar uma melhorada em termos estruturais, e já está trabalhando para isso. O estádio está ganhando melhorias, assim como o CT. Também está nos planos um departamento que dê condições melhores de trabalho à fisioterapia. O clube também precisa envolver e aproveitar melhor os jogadores formados na base e fazer contratações precisas para a primeira divisão. Em um campeonato competitivo como é a Série A não dá para errar na hora de contratar.


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Técnico tem a missão de levar o time de volta a Séria A e já recursou Cruzeiro e Goiás

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