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30/08 - 17:29

Contrato com construtora prevê ressarcimento pelo Corinthians em obra de estádio
Caso a Odebrecht não recupere em até 15 anos os R$ 350 milhões que inicialmente vai investir na obra, o clube terá que pagar a diferença. Por enquanto a única renda da empresa é a venda do nome da arena

Marcel Rizzo, iG São Paulo

O contrato que Corinthians e a construtora Odebrecht assinarão para a construção de um estádio no bairro de Itaquera, a opção paulista para abrir a Copa do Mundo de 2014, prevê que o clube terá que ressarcir a empresa após 15 anos caso ela não recupere o dinheiro investido na obra.

“Se no período que a Odebrecht tiver direito ao naming rights (o nome do estádio) ela não recuperar o que investiu, o Corinthians tem que pagar a diferença”, confirmou o presidente corintiano Andrés Sanchez. Internamente, o clube trata esse ponto com desdém porque avalia que conseguirá faturar alto com o estádio e poderá pagar a Odebrecht caso necessário. Todos os camarotes, cadeiras e cativas serão do clube, como o iG publicou na sexta-feira, e serão alugados por periodos de três anos, o que vai gerar receita em espaços curtos.

Para levantar uma arena de 48 mil lugares será gasto entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões, bancados 100% pela empreiteira (com financiamento do BNDES). Em contrapartida, a construtora terá o direito de comercializar o nome do estádio por um período variável entre dez e 15 anos.

AE
Parte do terreno no qual será construído o estádio do Corinthians já passa por obras para criação de Poló Tecnológico

Para adequar a obra para 60 mil lugares, número mínimo exigido pela Fifa para que o local receba a abertura, serão gastos mais R$ 170 milhões, valor que o clube e a empreiteira ainda não sabem de onde tirar - Corinthians prefere arquibancada móvel, mas Fifa precisa autorizar.

Levantamento feito por empresa de consultoria contratada pela diretoria de marketing do clube estipulou que não é impossível sonhar com R$ 30 milhões anuais pelo nome da arena – o que faria a Odebrecht lucrar com a obra no período estipulado em contrato.

Toda a pesquisa foi feita baseada na possibilidade de o estádio ser sede de jogos da Copa do Mundo, negociação que meses atrás já era tratada entre Andrés Sanchez e Ricardo Teixeira, o presidente da CBF e do COL (Comitê Organizador da Copa de 2014). 

O valor, entretanto, é superior ao que outros projetos de estádio prevêem. Tanto os outros dois apresentados ao Corinthians por empresas privadas, quanto o da Arena Palestra (a reforma do estádio do Palmeiras) avaliam o naming rigts entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões anuais – ou três vezes menos do que valeria o estádio corintiano.

“O Corinthians projetou esse valor baseado no que conseguiu nos últimos anos com a venda de sua camisa”, disse o diretor de marketing Luís Paulo Rosenberg. Em 2010, a camisa corintiana rendeu R$ 40 milhões (destes R$ R$ 15 milhões apenas para o atacante Ronaldo).

Dois especialistas consultados pelo iG, mas que participam de projetos diferentes e pediram para não ter os nomes divulgados, disseram que para chegar a R$ 30 milhões ano o Corinthians e a Odebrecht precisão oferecer mais do que apenas o nome do estádio. Pode ser espaço na camisa do time, por exemplo. Ou utilizar jogadores do elenco como garotos-propaganda. Mas ambos acham que o valor é alto, apesar da Copa do Mundo.

Um detalhe com relação a isso é importante: durante o Mundial, a Fifa proíbe que nomes de empresas que não são suas parceiras apareçam em qualquer estádio. Ou seja, a Arena X do Corinthians será chamada por outro nome durante o Mundial.

O terreno
O local no qual será erguido o “Fielzão”, como por enquanto é chamado o estádio, foi concedido ao clube em 1988, na gestão de Vicente Matheus, pelo então prefeito da capital Jânio Quadros, por 90 anos. O objetivo era construir um estádio, num prazo de 20 anos, o que não ocorreu.

Em 2008, o Ministério Público acionou o clube e a prefeitura para que explicassem porque o Corinthians não cumpriu com sua parte no acordo, que além de levantar um estádio precisava dar contrapartida à população local, com espaço para realização de atividades físicas, por exemplo.

“A prefeitura e o Corinthians vão até a justiça para acertar a situação. Foi uma concessão e agora o terreno será utilizado para o que foi idealizado inicialmente”, disse o prefeito Gilberto Kassab.

O iG apurou que caso o estádio seja erguido o terreno será doado em definitivo ao clube. Com relação à burocracia de alvarás, que está atrasando, por exemplo, as obras de reforma da Arena Palestra, Kassab diz que são situações diferentes.

“A localidade aqui já têm algumas obras, como o Pólo Tecnológico, um parque e obras viárias. Estamos auxiliando o Palmeiras para que saia o mais rápido possível o deles. Aqui já temos alguns pedidos adiantados e não teremos problemas para começar logo a obra e entregar o estádio em 2013 para a Copa das Confederações”, disse Kassab.


Leia mais sobre: Corinthians Copa do Mundo 2014 Estádio Corinthians

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Divulgação

estadio corinthians maquete

A maquete
Este é o desenho para a obra com capacidade para 48 mil torcedores. Fifa pede mais 15 mil

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