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13/08 - 09:04

Baierdependência: Atlético-PR vive em função de seu veterano meia
Fenômeno, meio-campista Paulo Baier vira ídolo do Atlético Paranaense sem nenhuma conquista relevante pelo clube

Altair Santos, especial para o iG

O meio-campista Paulo Baier, 35 anos, é um fenômeno no Atlético Paranaense. Sem ganhar nenhum título pelo clube, o jogador tornou-se unanimidade entre os atleticanos. A ponto de ofuscar o ídolo Alex Mineiro, que também está no atual elenco e foi o grande nome da conquista do titulo brasileiro de 2001.  

Hoje, o Atlético vive o que já se convencionou chamar de “Baierdependência”, ou seja, quando Paulo Baier não atua ou atua mal, o Atlético fica acéfalo, cai de produção e, invariavelmente, perde jogos. No Campeonato Brasileiro de 2009, o clube atuou sem o jogador em quatro partidas. Resultado: perdeu três e empatou uma (aproveitamento de 8%). Já com Baier em campo, rendeu 54%, venceu 13, empatou 7 e perdeu 9.

Neste ano, o jogador lesionou-se e desfalcou o time em boa parte da primeira fase do Campeonato Paranaense. Foram 10 jogos, em que o Atlético venceu 6, empatou 3 e perdeu 1. A falta de Baier foi agradecida pelo Coritiba, que aproveitou a ausência do líder atleticano para obter pontos extras decisivos para a fase aguda da competição e ganhar o título estadual de 2010.

Gazeta Press
Paulo Baier é o grande ídolo do momento no Atlético-PR

Mas não é só por causa dessa estatística que o meio-campista ganhou o respeito dos atleticanos. Os torcedores do clube o vêem como o comandante da operação que evitou o Atlético de ser rebaixado para a Série B deste ano. Antônio Lopes, técnico do time na temporada passada e que hoje está no Avaí, avaliza a importância de Paulo Baier. “Ele ajudou muito. Experiente, tranquilizou os mais novos e pôs a bola no chão. O Atlético deve muito a ele”, diz.

Agora, o técnico Paulo César Carpegiani trabalha no Atlético para minimizar a “Baierdependência”. Um dos passos nessa direção foi o pedido do treinador para contratar o equatoriano Joffre Guerrón. Reforço mais caro da história do clube – custou um milhão de euros (R$ 2,6 milhões) –, o atacante chegou com muita sede e em sua estreia causou estresse em Baier.

Na derrota por 3 a 1 para o Fluminense, no Maracanã, em 31 de julho, Guerrón tomou a frente em uma cobrança de falta e irritou Baier. “Não gostei. Tem de respeitar a hierarquia. Eu sou o cobrador oficial”, disparou o meio-campista após aquele jogo. No dia seguinte, reviu o que disse e admitiu que estava de cabeça quente. Carpegiani pôs panos quentes, admitindo que Baier é o cobrador oficial, mas sempre que pode reforça a tese de que o Atlético não é nem um nem dois, mas um time. “Preciso de uma equipe com peso igual”, discursa.

Esse equilíbrio, que em tese dissiparia a “Baierdependência”, na prática se mostra difícil de anular. É só relembrar o que aconteceu no empate por 1 a 1 entre Atlético e São Paulo, na Arena da Baixada, dia 8 de agosto. Após a expulsão do zagueiro Manoel, aos 28 minutos do segundo tempo, Paulo Baier organizou o time ao seu jeito para recompor a defesa, enquanto Paulo César Carpegiani gritava na beira do campo para a equipe adotar outra configuração. Prevaleceu a de Baier. “Gostaria que o time mantivesse a postura ofensiva, mas faz parte. O Paulo é o líder. Ele me representa em campo”, contemporiza o técnico.

Considerado um exemplo para o jovem elenco do Atlético, sobretudo pela forma como administra sua careira fora de campo, o meio-campista tenta explicar a “Baierdependência”. “Isso é sentir prazer de jogar. Estou conseguindo jogar bem porque tive uma grande identificação com o Atlético. Mais do que no Goiás, onde joguei por quatro anos”, analisa o artilheiro do Brasileirão na era dos pontos corridos, com 80 gols, e que pretende jogar pelo menos até fechar os 100 gols na competição. “Acho que tenho gás para mais dois ou três anos”, avisa Paulo Baier, cujo contrato com o Atlético vai até o final de 2010. Pelo menos até lá, ao que tudo indica, a “Baierdependência” estará em vigência.


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Paulo Baier
No empate com o São Paulo, jogador atacou de técnico e foi atendido pelos companheiros

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