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Futebol

31/07 - 15:42

Atlético-PR contrata guru para espantar fantasma do rebaixamento
O motivador João Carlos de Oliveira frequenta a concentração do time desde a 10ª rodada do Brasileirão

Altair Santos, especial para o iG

As recentes edições do Campeonato Brasileiro não foram do jeito que o torcedor do Atlético Paranaense esperava. Em 2008, o clube livrou-se do rebaixamento por apenas um ponto. No ano passado, não foi diferente: escapou da degola por três pontos. Nesta temporada, o roteiro apontava para o mesmo caminho. Na fase pré-Copa da competição, o Atlético freqüentou a chamada ZR (zona de rebaixamento), mas decidiu dar um basta na ameaça constante.

Convicta de que o clube estava caindo naquilo que Nelson Rodrigues definiu como a “síndrome do vira-lata” – tese que define equipes que não conseguem reagir às adversidades -, a diretoria atleticana decidiu recorrer a alternativas extra-campo. Em vez de trocar de técnico ou buscar reforços, resolveu contratar um guru para mexer com os jogadores. Desde a 10ª rodada, o motivador João Carlos de Oliveira frequenta a concentração do Atlético em dias de jogos.

Palestrante conhecido no mundo corporativo, João Carlos de Oliveira se diz especialista em tirar o estresse das pessoas. “As pessoas hoje são submetidas a situações de alto impacto, com alta carga de adrenalina. O que eu faço é trabalhar a confiança, aquele negócio de acreditar em si mesmo, que é o que faz a diferença”, diz.

O motivador trabalha pela primeira vez com jogadores de futebol e afirma que não vê muita diferença do que ele encontra no mundo corporativo. “O jogador é um especialista, assim como são o médico e o engenheiro. Eu não ensino ele a tocar melhor na bola ou acertar o chute. O que eu faço é ajudá-lo a sentir que pode repetir no jogo o alto desempenho que ele atinge nos treinos”, revela.

Para João Carlos de Oliveira, a diferença entre a profissão de jogador de futebol e as outras está naquelas 20, 30, 50 mil pessoas que veem ele trabalhar. “Uma coisa é você ouvir 10 pessoas gritar 'uh'. Outra é ouvir 50 mil gritando. Na primeira vaia, tem jogador que pensa: 'meu Deus, meus Deus, não vou conseguir'. Daí ele trava e toda a semana de trabalho vai por água abaixo. Minha função é, digamos, impedir que ele trave”.

A palestra do motivador atleticano é recheada por muitas brincadeiras, exercícios de relaxamento e vídeos motivacionais na tentativa de fazer o time entrar sem estresse em campo. “O João tirou uma pressão sobre os jogadores. Ele tem sido muito útil para fazer os atletas entenderem que devem funcionar como uma equipe”, explica o técnico Paulo César Carpegiani.

O Atlético-PR recorrer a gurus não é novidade na história do clube. Outros motivadores, como Evandro Motta, e psicólogos, como Suzy Fleury, já foram contratados pela equipe. Até bruxos já treinaram o time. Em 1983, o Atlético fez sua terceira melhor campanha no Campeonato Brasileiro sob a batuta do técnico Hélio Alves – o Feiticeiro. Famoso por suas mandingas, ele não dispensava despachos antes das partidas e baforadas de charuto na cara dos jogadores que estavam “carregados”. Aos 81 anos, Hélio Alves morreu no ano passado, mas deixou uma herança da qual o Atlético-PR não abre mão. 


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João Carlos de Oliveira
Motivador tem a missão de fazer com que jogadores não travem com vaias em campo

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