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12/07 - 09:47

Japão investe em "garimpeiro de talentos" para ser campeão do mundo
Carlos Alberto Dias, ex-Coritiba e Botafogo, escolhe jovens que fazem estágio no Brasil e, aos 18 anos, vão para o país asiático

Altair Santos, especial para o iG

O Japão tem um plano de, até 2050, sagrar-se campeão da Copa do Mundo. E a fórmula passa pelo Brasil. Estão no País alguns jovens jogadores, na faixa entre 15 e 17 anos, que futuramente serão convidados a se naturalizar japoneses para defender a seleção nipônica.

Por trás deste projeto estão ex-jogadores brasileiros que já atuaram no Japão. Um deles é o ex-meio-campista Carlos Alberto Dias, ídolo do Coritiba e do Botafogo entre o final dos anos 1980 e começo dos 1990. Hoje empresário e dono de um CT na cidade de Colombo, na região metropolitana de Curitiba, Dias garimpa jovens talentos no Sul.

O ex-jogador vincula os jogadores a clubes japoneses, como o Shizuoka, onde atuou de 2002 e 2004, e os coloca para estagiar em equipes brasileiras – Corinthians e Grêmio têm parceria com o Shizuoka. Quando os jovens atingem 18 anos, se transferem para o Japão.

Segundo Dias, dois jogadores garimpados por ele já integram o projeto. “Um eu mandei para o Corinthians e outro para o Grêmio e agora já estamos trabalhando mais garotos para mandar para os clubes”, afirma. Os atletas, ambos de 16 anos, são atacantes. “O que foi para o Corinthians se chama Paulo; para o Grêmio, foi o Patrick”, completa.

Carlos Alberto Dias foi escolhido a dedo para integrar o projeto. Não é à toa. Revelado pelo Matsubara, clube do interior paranaense fundado por japoneses, o ex-jogador foi um dos primeiros brasileiros a atuar no futebol do Japão, antes mesmo de nascer a J-League (campeonato local), em 1992.

Com 18 anos, em 1986, ele foi vendido ao Bellmare Hiratsuka – clube que nem existe mais no Japão – pelo equivalente a R$ 15 milhões. Ficou no oriente até 1988, quando veio atuar no Coritiba, onde formou um dos melhores times do clube paranaense. “Era um timaço. Tinha um dos melhores meio-campo e ataque em que atuei, com Osvaldo, Serginho, Chicão e Kazu”, relembra.

Seu futebol intenso o levou para o Botafogo, na época presidido pelo “bicheiro” Emil Pinheiro. O jogador foi pivô de uma disputa judicial, na qual o Coritiba praticamente não lucrou com sua transferência para o time carioca. No Botafogo, Dias foi bicampeão estadual e vice-brasileiro, em 1992.

Em 1995, ele retornou ao futebol japonês para defender o Shimizu S-Pulse. Neste time, recorda que marcou o gol mais bonito daquela temporada na J-League. “Foi o gol que o Pelé não fez, com um chute lá do meio-campo. O lance ficou passando durante quatro meses na televisão japonesa. Naquele ano fiz 18 gols na temporada”, conta.

Muito conhecido no futebol japonês, Dias viaja a cada três meses para lá, a fim de relatar a evolução do projeto no Brasil. Quanto à língua, ele não se aperta. “Hoje eu falo muito bem o japonês”, diz o garimpeiro oriental.


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us Carlos Alberto Dias

Carlos Alberto Dias
Jogador, que fez sucesso no Japão, atua como garimpeiros de talentos para o futebol nipônico

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