iG - Internet Group

iBest

brTurbo

 

Futebol

03/07 - 15:58

Grêmio declara guerra à pirataria
Clube gaúcho é um dos pioneiros do Brasil a adotar programas que combatem venda de produtos não licenciados

Altair Santos, especial para o iG

O Grêmio desenvolve há pelo menos uma década uma programa de combate à pirataria de seus produtos. No Brasil, proporcionalmente ao tamanho de sua torcida, o clube gaúcho é líder em venda de produtos licenciados e foi também o primeiro do país a adotar o selo holográfico para distinguir sua marca de outras falsificadas.

O trabalho, segundo Fabiano Veronezi, responsável pela área de licenciamento da marca Grêmio, é árduo, pois o País tem um problema cultural em relação a não consumir produtos originais. Mesmo assim, ele afirma, em entrevista ao iG, que, através de campanhas, o clube vem conseguindo conscientizar sua torcida a ajudar no combate à pirataria. 
 
iG: Com quais ferramentas o Grêmio conta para combater a pirataria?
Fabiano Veronesi: Nosso departamento jurídico tem uma parceria com um escritório especializado. Eles trabalham justamente nos focos onde a gente sabe que tem maior incidência de produtos piratas.

iG: Quais são estes focos?
Veronesi: Geralmente as incidência ocorrem nos meios de venda informais, onde têm camelôs, lojas de varejo de bairro. Geralmente isso ocorre na periferia, pois nos grandes centros é mais complicado a pirataria vender. Evidentemente que pode existir uma exceção ou outra, mas a grande massa, o grande volume, está justamente nestes setores informais.

iG: Organismos de governo e de segurança pública auxiliam neste combate ou o Grêmio age por iniciativa própria?
Veronesi: Evidentemente que existem as instituições que trabalham em prol da proteção de marca, das patentes, das propriedades e tudo mais, mas o Grêmio tem a sua iniciativa própria. Óbvio que não recusamos parcerias nem ajudas e, inclusive, com nosso conhecimento, já ajudamos a implementar programas neste sentido. Mas, em boa parte dos casos, o Grêmio tem iniciativa própria.

iG: Desde quando o Grêmio iniciou o combate à pirataria?
Veronesi: Proporcionalmente, o Grêmio é a marca de clube de futebol que mais vende no Brasil. Nosso departamento de licenciamento tem um volume grande de produtos e, portanto, sofre bastante a pirataria. Por isso, há pelo menos uma década desenvolvemos um trabalho para combater produtos não licenciados que levem a nossa marca. Seguramente, temos uns dos melhores know-how nesta área no país.

iG: Qual é o produto mais pirateado?
Veronesi: O mais pirateado é a camisa. Depois vêm as bandeiras e daí as bolas de futebol.

iG: O fornecedor de material esportivo ajuda no combate à pirataria da camisa? 
Veronesi: Ajuda. A gente faz ações pontuais e eles sempre ajudam indicando os focos e contribuindo muitas vezes com o nosso jurídico.

iG: Quais benefícios o combate à pirataria já trouxe para o Grêmio?

Veronesi: O combate à pirataria vem nos ajudando a manter a primeira colocação no Brasil, com relação ao faturamento advindo dos royalties, que é sobre a venda de produtos faturados oficiais. Esta colocação, este destaque e este crescimento, se devem muito ao fato também de ter um bom trabalho neste campo jurídico.

iG: É difícil combater a pirataria no Brasil?
Veronesi: A pirataria no Brasil é realmente complicada de se combater. Este não é só um problema da marca do Grêmio, mas é um problema de grandes marcas, marcas multinacionais, marcas esportivas, marcas de grife. Então, é muito complicado. Colocar um fim nisto demandaria um grande tempo, mas objetivamente isto se deve muito à situação social do país.

iG: O futebol é o segmento da economia mais atingido pela pirataria?
Veronesi: Não posso garantir que seja o mais atingido, mas talvez esteja entre os mais atingidos. Seguramente, nosso fornecedor oficial, que é a Puma, junto com Nike e Adidas, é alvo constante da pirataria. Tratam-se de marcar abrangentes, ecléticas, que não estão só no futebol, mas em vários outros esportes. No Brasil, o futebol talvez sejam um dos setores mais atacado pela pirataria.

iG: Existe, dentro do programa de combate à pirataria, uma campanha para conscientizar o torcedor a não comprar produto pirateado ou a repressão ainda é o melhor remédio?
Veronesi: O Grêmio tem este processo de culturalização, através do seu site, através de divulgação, para que na hora da compra seja exigido o selo holográfico. O Grêmio foi pioneiro neste aspecto e lançamos no Brasil o selo holográfico de três canais. É um selo 3D, que vai em todos os produtos oficiais do clube, e cada um tem uma série única numerada. Ele é o nosso legalizador do produto. Todo o produto licenciado do Grêmio tem que carregar este selo. O Grêmio foi o primeiro clube a fazer isso aqui no Brasil. Grandes clubes lá fora já fazem, a exemplo de Manchester United e Barcelona.

iG: Quanto o clube perde de receita com produtos pirateados? Há uma estimativa anual?
Veronesi: Não há um número preciso, mas está na casa dos milhões de reais por ano. Perde-se muito dinheiro com isso.


Leia mais sobre: Grêmio pirataria

> Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG


AE

AE

Pirataria
Segundo Fabiano Veronesi, responsável pelo licenciamento, a camisa do time é o produto mais pirateado

Topo
Contador de notícias