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27/05 - 11:54

Coritiba e Paraná unem forças e também querem uma arena

Rivais articulam união para atrair investidores que construam um estádio para fazer frente à já bem encaminhada Arena da Baixada, que pertence ao rival Atlético

Altair Santos, para o iG

Na Itália, o San Siro-Giuseppe Meazza é a casa tanto do Milan quanto da Inter. A enorme rivalidade não impede que os rivais compartilhem o mesmo estádio. Baseado neste conceito, Coritiba e Paraná Clube decidiram unir esforços para viabilizar um estádio que possam dividir.

Rivais do futebol paranaense, os dois clubes avaliam que a ideia de compartilhar um mesmo palco de jogo pode gerar economia de R$ 5 milhões para ambos. Trata-se do valor estimado por ano com gastos de manutenção dos estádios Couto Pereira (35 mil lugares) e Durival Britto (16 mil lugares).

Mas o objetivo principal da parceria é evitar que Coritiba e Paraná Clube fiquem para trás do concorrente direto: o Atlético Paranaense. A equipe construiu a Arena da Baixada em 1999, e o estádio foi indicado para sediar jogos da Copa do Mundo de 2014. em meio à rivalidade, esse “privilégio” atleticano obriga os rivais a correrem atrás. 

No caso do Coritiba, trata-se de um empreendimento em que a necessidade fala mais alto do que a rivalidade. Segundo o vice-presidente do clube, Vilson Ribeiro de Andrade, a atual casa da equipe suporta só mais dez anos do jeito que está. “O Couto Pereira, por ser um estádio construído no final dos anos 1960, começo dos 1970, já carece de constantes investimentos e melhorias, o que torna sua manutenção onerosa para o clube”, explica.

Uma reforma no Couto Pereira, hoje, não sairia por menos de R$ 100 milhões. E o que dizer da Vila Capanema, que foi construída em 1947 para sediar jogos da Copa do Mundo de 1950? Em 2006, o Paraná investiu cerca de R$ 10 milhões numa adequação do estádio ao estatuto do torcedor, mas o presidente Aquilino Romani abraçou totalmente a ideia de uma arena compartilhada com o Coritiba. “Temos que pensar nos próximos 50 anos, e esse projeto permite projetar o clube para as gerações futuras”, afirma.

O estádio seria construído com capital de um investidor – especula-se que a empreiteira Andrade Gutierrez -, que exploraria os anexos da arena, como um complexo comercial. O cálculo é que uma obra desta envergadura, para pelo menos 40 mil lugares, não sairia por menos de R$ 600 milhões. Segundo Vilson Ribeiro de Andrade, o projeto, ainda embrionário, depende de viabilizar sua engenharia econômica. “A viabilidade deste projeto teria obrigatoriamente de passar por análise financeira dos investidores, acopladas com outras soluções, como torres comerciais, hotéis e shopping”, diz.

O fato de Coritiba e Paraná se revezarem na utilização da arena permitiria que o estádios fosse plenamente usado ao longo de todo o calendário do futebol nacional. “Hoje, um dos problemas dos estádios é que eles, em alguns casos, chegam a ter só dois jogos por mês. Isso afasta qualquer investidor, pois o que ele quer é que o empreendimento tenha circulação de gente para que se viabilize economicamente”, explica Aquilino Romani.

Um passo importante para tirar o projeto do papel é definir o local em que o estádio será construído. Coritiba e Paraná sonham com a área hoje ocupada pelo desativado Pinheirão. Trata-se de um terreno de quase 65 mil metros quadrados, que hoje pertence à Federação Paranaense de Futebol, mas está penhorada por dívidas com o IPTU e o INSS.

Os dois clubes, diante das tratativas políticas para viabilizar a adequação da Arena da Baixada com recursos públicos, querem uma compensação e pedem a desoneração da área. Se conseguirem, terão movido um obstáculo importante para atrair um investidor. “Se for analisar, estamos em vantagem em relação ao Atlético. Eles têm de iniciar as obras já, para atender o cronograma da Fifa. Nós temos mais tempo. Se tudo der certo, acreditamos que em um ano as obras podem começar, com entrega prevista para 2014”, finaliza Vilson Ribeiro de Andrade.


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