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18/05 - 08:00

Investidores planejam lucrar R$ 155 milhões com estádio corintiano

Este é o valor que o banco e as construtoras avaliam como possível obter com venda de camarotes e outros itens. Veja detalhes do projeto que será apresentado segunda-feira ao Conselho corintiano

Marcel Rizzo, iG São Paulo

O plano financeiro para a construção do estádio estará detalhado no projeto que o banco Banif e as construtoras Hochtief e EIT apresentarão na segunda-feira ao Conselho Deliberativo do Corinthians. Em encontro preliminar com o presidente do CD, Carlos Senger, os investidores ouviram do corintiano que a principal preocupação dos conselheiros é saber como a obra será paga e se não trará ônus ao clube.

O iG teve acesso à documentação que será apresentada e que especifica a engenharia financeira. O lucro que os investidores pretendem ganhar com a operação aparece na página 40: a previsão é de R$ 155,7 milhões.

Reprodução

Uma das imagens que será disponibilizada aos conselheiros na segunda mostra o estádio disposto nos dois terrenos que seriam comprados

Este valor seria atingido com a venda de camarotes, cadeiras VIP, cativas, da concessão para venda de publicidade interna e com o “naming rights”, que é o direito de uma empresa estampar o nome da arena, por 20 anos. No total seriam arrecadados R$ 590,5 milhões com os itens descritos. Subtraindo os R$ 342,7 milhões da construção e compras de terrenos (de 100 mil m²), mais R$ 92,1 milhões de juros do financiamento bancário, chegariam ao lucro líquido de R$ 155,7 milhões.

Os críticos de propostas de parceria para a construção de estádio, como o diretor de marketing Luís Paulo Rosenberg, avaliam que o Corinthians não pode abrir o direito da venda de camarotes e cativas e, principalmente, de escolher a empresa que aparecerá no nome do estádio. Os que apóiam dizem que o clube não teria como iniciar uma obra sem ter um parceiro com capacidade de injetar R$ 100 milhões.

Veja abaixo detalhes do projeto que será apresentado na segunda-feira ao Conselho corintiano.

Como lucrar
Os investidores venderão 15 mil cadeiras cativas, mil cadeiras cativas VIP, 50 office arena (lojas internas), além da concessão para venda de publicidade interna (placas de publicidade, por exemplo). O “naming rights” seria negociado com uma ou até duas empresas por um período de 20 anos. Com todas essas operações é possível arrecadar R$ 590,5 milhões, que descontados valores de construção, compra de terrenos (só este custaria R$ 36 milhões) e juros bancários chegariam aos R$ 155,7 milhões de lucro.

E o Corinthians?
Na assinatura do contrato, o clube cede ao investidor a marca “Corinthians”. Este é um dos pontos que incomodam os críticos a parcerias como esta. Os sócios teriam liberdade para negociar qualquer cota de patrocínio do “Estádio do Corinthians”, inclusive o nome da arena.  Por 20 anos, a empresa que comprar o “naming rights” tem o direito de explorar este nome. Os investidores saem da operação assim que conseguirem o lucro e doam o campo ao clube – a empresa detentora do “naming rights”, porém, mantém seu nome ali pelo tempo que o contrato estipular. Durante o período de concessão, o Corinthians fatura com venda de ingressos, de bilhetes de estacionamento (serão 3 mil vagas) e do aluguel de espaço para lojas e restaurantes na área externa.

- Reprodução
Projeto prevê 56,2 mil lugares, 3 mil vagas de estacionamento e passarela para estação de trem

O estádio
O projeto de arquitetura foi feito por Augusto França Neto, que será comprado pelos investidores. França Neto foi levado à operação pelo conselheiro corintiano Edgar Soares. Seriam 24 mil lugares de arquibancada e numerada no anel inferior e 14,2 mil no superior. No intermediário, a divisão seria 15 mil cadeiras cativas, mil cadeiras cativas VIP e 100 camarotes para 16 pessoas, totalizando 1,6 mil cadeiras. Serão mais 200 vagas para tribuna de honra e 200 para a imprensa, totalizando aproximadamente 56 mil lugares. O total da área construída será de 71.487 m².

Acesso
O relatório aponta facilidades de acesso para os torcedores. São dois terrenos que seriam comprados, na divisa entre São Paulo e Guarulhos, próximo à rodovia Ayrton Senna. Segundo o documento, 11 linhas de ônibus atendem a região, além de uma estação da linha 12, a Safira, da CPTM, que está próxima. O projeto prevê a construção de uma passarela de 250 metros, que passe por cima do rio Tietê para que os torcedores que descerem na estação Engenheiro Goulart da CPTM possam caminhar até o estádio. Os estacionamentos seriam dois: um coberto, dentro do estádio, para 1,2 mil automóveis e outro externo, no próprio terreno, com 1.750 vagas.


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