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Futebol

16/04 - 08:15

Copa do Nordeste tenta renascer, mas sofre com bagunça e desdém dos grandes

Clubes tradicionais ameaçam não participar de torneio que tem jogo marcado para dia da final da Copa do Mundo e financiamento incerto

Marcel Rizzo, iG São Paulo

Um campeonato ressuscitado por causa de uma questão judicial, com regulamento e tabela feitos à revelia dos principais participantes e com rodada marcada para o dia da final da Copa do Mundo. Assim está desenhada a Copa do Nordeste, torneio finado em 2003, quando se chamava Campeonato do Nordeste e perdeu espaço para os estaduais, mas que teve o retorno selado após acordo na Justiça entre a direção da Liga do Nordeste e a CBF, no início de abril.

Isso não quer dizer que a competição vá sair do papel. Vitória e Ceará, integrantes da Série A do Brasileiro, e Sport, da Série B, não garantem presença, apesar de incluídos no regulamento com outros 13 times, de sete estados, e terem jogos marcados na tabela que prevê calendário de 9 de junho a 1° de dezembro - com rodada dia 11 de julho, final do Mundial da África, e o mês de setembro inteiro inativo.

Reunião na tarde desta sexta-feira, em Natal, vai discutir critérios financeiros, como patrocinadores e cota de televisão. O mais provável é que os principais clubes participem com times reservas ou até de juvenis, mas não está descartado que algum deles decida simplesmente abdicar da vaga, o que coloca em risco a realização da disputa.
 
“Sinceramente, não recebemos nada oficial desta Copa do Nordeste. Não podemos tratar certos assuntos com amadorismo. Tem grande chance de o Sport não participar”, disse o diretor de futebol Aluísio Maluf.

Na tabela que a direção do Sport diz nunca ter recebido, há um clássico contra o Náutico marcado para 28 de julho, um dia após a equipe entrar em campo pela Série B contra o Duque de Caxias.

“Se não quiser participar, vou fazer o quê? Não vou morrer pedindo. Mas acredito que meu sacrifício vai ter sido válido e todos os clubes vão aderir depois da reunião”, analisou Eduardo Rocha, presidente da Liga do Nordeste.

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Sport x Náutico se enfrentam pelo Pernambucano. Jogo em data ruim na Copa do Nordeste

O Vitória também tem tabela truncada. Participante da Copa Sul-Americana, duas datas, 28 de julho e 4 de agosto, serão coincidentes. “A princípio, não é bom por causa da precocidade. Como vamos arrumar patrocinadores em menos de dois meses? Não é algo barato, que você vende em uma quitanda”, argumentou Alexi Portela, presidente do Vitória.

Eduardo Rocha admitiu os problemas na tabela e que a rodada marcada para o dia da final do Mundial será alterada. Mas já adiantou que os jogos em dias consecutivos serão mantidos. A razão é a falta de datas. Isso levará, acredita ela, na participação de alguns atletas reservas nessas partidas da competição.

As críticas à fórmula apresentada não significam veto à competição no futuro, mas os dirigentes de Vitória e Sport discordam com relação às datas. Enquanto Maluf diz que não abre mão de um Pernambucano longo e forte no primeiro semestre, Portela acha que o Baiano tem que diminuir e a Copa do Nordeste ser disputada antes do Brasileiro.

“Sabe quanto faturamos com o estadual até agora? R$ 300 mil de bilheteria. A TV (Record) paga muito pouco. Eles cedem espaço publicitário nos estádios, mas não conseguimos vender. Um regional forte daria mais dinheiro, mas tem que ser organizado direito”, explicou o presidente do Vitória.

Acordo judicial
A Copa do Nordeste foi o regional que mais empolgou o público no início desta década. Era disputado no primeiro semestre, no lugar dos estaduais. Quando a CBF decidiu acabar com esses torneios, devido à pressão das federações, a Liga do Nordeste, entidade criada para organizar a Copa, decidiu processar a CBF. Alegou perda de dinheiro com acertos de patrocínio futuros que não seriam honrados.

A CBF perdeu nas duas primeiras instâncias e o valor pedido pela Liga já chegava a quase R$ 20 milhões, com juros. “Fizemos um acordo judicial e a CBF decidiu incluir a Copa do Nordeste no calendário, desde que não coincida com o Brasileiro e com a Sul-Americana. A organização é por conta da Liga”, explicou Virgílio Elíseo, diretor do departamento técnico da CBF. A entidade se livrou de um processo e permitiu que a Copa do Nordeste fosse realizada ao menos por três anos – tempo insuficiente para levantar os mesmos R$ 20 milhões que a Liga abriu mão.

“Queremos saber justamente essa questão de dinheiro. Podemos até participar com um time B, se for viável financeiramente. Mas não podemos esquecer que o Ceará dará toda prioridade para a Série A”, afirmou o presidente Evandro Leitão.

Eduardo Rocha disse que no contrato que mostrará nesta sexta aos clubes a TopSports, empresa de marketing esportivo que organizará o torneio, se dispõe a adiantar R$ 2,4 milhões para ser rateado, o que daria R$ 150 mil por agremiação. “Imagino que ao final da competição cada clube embolse R$ 500 mil. O Sport, na Série B, vai ganhar R$ 800 mil para jogar oito meses”. A rede de postos de combustíveis Ale negocia para ser um dos patrocinadores e o Esporte TV Interativo, da TopSports, transmitirá as partidas.

Só que até mesmo quem nem sabe se terá o que jogar no segundo semestre coloca em dúvida a viabilidade financeira. O Treze precisa ser campeão paraibano, competição que está no quadrangular final, para disputar a Série D do Brasileiro. Em caso de derrota, só teria a Copa do Nordeste em seu calendário até dezembro.

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Treze encara o Santa Cruz em amistoso no ano passado. Times da Série D podem lucrar

“Acho que neste ano teremos prejuízos. Mas nos próximos acredito em lucro. Se bem feita, a Copa do Nordeste é mais vantajosa para o Treze do que uma Série D e até uma Série C. Dá mais visibilidade. Mas o torneio deste ano ainda é uma incógnita”, explicou o presidente Marcelo Nóbrega.

Eduardo Rocha não vê possibilidade de o campeonato ser cancelado por falta de quorum. “Vai acontecer. Neste primeiro ano talvez tenhamos mais dificuldades, mas nos próximos podemos até voltar para o primeiro trimestre. Os clubes serão valorizados. O processo contra a CBF duraria anos. Agora podemos ter dinheiro a curto prazo”, analisa Rocha.


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