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Futebol

07/04 - 07:53

Koff se diz surpreso com desertores e ataca relação de concorrente com Globo e CBF
Presidente da entidade que representa os 20 clubes de maior torcida do país concorre à reeleição contra Kleber Leite, apoiado por Ricardo Teixeira

Paulo Passos, iG São Paulo

À frente do Clube dos 13 desde 1996, Fábio Koff enfrenta pela primeira vez resistência para se reeleger presidente da entidade. No final de março, Kleber Leite anunciou que concorreria ao cargo, com apoio da Confederação Brasileira de Futebol e da TV Globo. Desde então, os dois travam uma batalha para conquistar os votos dos 20 associados da entidade.
 
Na última terça-feira, a data e as duas chapas da eleição foram homologadas. Na próxima segunda, dia 12 de abril, os presidentes dos clubes definem quem comandará a entidade nos próximos três anos.

Sem conceder entrevistas desde que a disputa foi anunciada, Koff respondeu, por email, às perguntas do iG. O cartola se disse surpreso com a posição dos presidentes de Botafogo e Coritiba, que o apoiavam e nesta semana o informaram que votarão na oposição. Mesmo assim, o atual presidente contabiliza 12 votos, o que lhe daria a vitória.

A principal função do Clube dos 13 é negociar os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. O contrato atual, assinado com a TV Globo e com duração de três temporadas, é de R$ 600 milhões e se encerra no final de 2011.

O ex-presidente do Grêmio, classificou como “inadmissível” o fato de seu opositor ter relações comerciais com a TV Globo e com a CBF. Kleber Leiter é sócio da Klefer, empresa de marketing esportivo que negocia placas de publicidade em estádios e também organiza os amistosos da seleção brasileira.

Leia a entrevista completa:


iG: Qual, na sua opinião, é o interesse de Ricardo Teixeira ao apoiar um candidato de oposição nas eleições do Clube dos 13?

Koff: É uma ilação afirmar qual seria o interesse dele em apoiar alguém. Mas não sai da minha cabeça o episódio ocorrido no fim do ano passado quando, na calada da noite, a CBF retirou imperialmente os direitos da FBA de negociar o contrato de TV da Série B.
 

iG: A eleição de um candidato apoiado pela CBF enfraqueceria o poder dos clubes na negociação com a entidade? Quem perderia mais, os grandes ou os pequenos?

Koff: Sem dúvida. CBF e Clube dos 13 são entidades de princípios antagônicos e isto tem que continuar desta forma, para sobrevivência dos clubes e do próprio C13. Acho que grandes e pequenos perderiam muito, indistintamente.
 

iG: Qual a sua opinião sobre Kleber Leite ser sócio de uma empresa que tem relações com a Globo e com a CBF?
Koff: Inadmissível. Entendo que uma negociação envolve partes que sejam de posições opostas. Com meu adversário à frente do C13 teríamos apenas um lado. E este não seria o dos clubes.
 

iG: Você se sente traído pela maneira como alguns clubes têm participado desse processo eleitoral no Clube dos 13?

Koff: De forma alguma. Independente de quem vença o pleito, os clubes devem permanecer unidos.
 

iG: A adesão do Coritiba e do Botafogo à chapa de oposição decepcionou o senhor? Você acha que houve troca de favores por parte da CBF?

Koff: Evidente que foi surpresa ver dois presidentes que haviam hipotecado irrestrito apoio aparecerem na chapa adversária. Mas jamais os condenei, até pela minha formação profissional de juiz na qual sempre convivi com o contraditório.
 

iG: Qual é a sua relação com Ricardo Teixeira, presidente da CBF?

Koff: Presidimos entidades que são substancialmente antagônicas.
 

iG: Independente do resultado, você considera saudável para a entidade que, após muito tempo, o Clube dos 13 tenha uma eleição de fato?

Koff: Como já disse, passei toda a minha vida convivendo com o contraditório. Tenho convicção de que só se cresce com posições distintas e com embate de idéias.
 

iG: O contrato com a TV Globo encerra no final do próximo ano. Existe alguma negociação em andamento para uma renovação? O Clube dos 13 estuda abrir concorrência para outras emissoras?

Koff: Assim como foi feito no último contrato, para o próximo triênio vamos abrir concorrências para todas as empresas interessadas com rigor de licitação pública.
 

iG: Você acredita que o montante pago aos clubes pelo direito de transmissão das partidas pode aumentar?

Koff: Não tenho dúvidas que vamos ultrapassar substancialmente o valor recorde de 1,5 bilhão de reais obtido no último triênio. Afirmo isso levando em conta a evolução dos clubes, o aumento de grandes craques participando de nossa competição e, especialmente, a proximidade à Copa do Mundo de 2014. O mundo estará com os olhos voltados para o Brasil nos próximos quatro anos, sobretudo para o futebol brasileiro. Diante destes fatores, não é absurdo esperar uma valorização próxima a obtida na última negociação.
 

iG: Críticos do Clube dos 13 dizem que a entidade se limita a negociar contratos com a televisão. Como o senhor recebe tais críticas?
Koff: Quem faz essa afirmação não conhece o nosso trabalho. Hoje o Clube dos 13 tem assento permanente na Associação de Clubes Europeus (ECA), discutindo temas como fair play financeiro e licenciamento de clubes. No marketing, temos participado das principais feiras internacionais, com o intuito de levar nosso futebol além de nossas fronteiras, fomentando a comercialização dos direitos televisivos para a Europa e Ásia. Criamos uma Comissão de Responsabilidade Social que já apóia entidades como o CNJ e o movimento "Todos pela Educação".
 

iG: Você entende que, em algum momento, o Clube dos 13 deveria ter insistido na criação da Liga Nacional de clubes, ao invés de seguir a aceitar o comando da CBF para organizar os torneios nacionais?

Koff: Para se criar uma liga, precisamos respeitar o principio do acesso e descenso. Com vinte clubes não é possível. Quando estudávamos a possibilidade de ampliar o C13 para os demais clubes, a CBF retirou os direitos da FBA [que cuidava dos direitos de transmissão da maioria dos times da série B] e assumiu o contrato de TV da Série B. Mas acredito que vivemos hoje momento propício para envidarmos esforços neste sentido. A insatisfação dos clubes com a interferência descabida da CBF nos faz ter essa convicção.
 

iG: Até quando você pretende seguir como presidente do Clube dos 13?

Koff: Enquanto for da vontade dos clubes.


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Gazeta Press

Presidente do Clube dos 13 em dezembro de 2009

Fábio Koff
Presidente do Clube dos 13 desde 1996, dirigente tenta se reeleger, mas encontra resistências

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