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Futebol

25/03 - 09:00

Qualidade de vida e estabilidade mantêm treinadores longe do Brasil
Segurança dentro e fora do clube dá tranquilidade a técnicos como Caio Júnior e Felipão, há tempos afastados do País

Bruno Pessa, iG São Paulo

Há dois anos fora do Brasil, desde que assumiu o comando do Al-Jazira, Abel Braga não esconde que ainda sente saudade de atividades que os Emirados Árabes Unidos não lhe proporcionam. “É claro que sinto falta do meu teatro, meus bailes, ver meu filho e os amigos. Mas estou muito bem. Digo até que poderia ganhar melhor no Brasil hoje, se quisesse, mas mesmo assim não vale a pena sair daqui”, avalia o técnico que levou o Internacional ao título mundial em 2006. “A qualidade de vida que tenho nos Emirados, sem coisas como estresse, trânsito, violência, isso o meu país não pode me dar”, complementa.

Crítico da atuação da imprensa brasileira na cobertura do futebol, Abel cita outro ponto que torna vantajosa a saída dos treinadores do Brasil. “A imprensa aí tem um poder muito grande, te põe para cima e para baixo, até te demite. Os comentários têm que ser mais comedidos, isso cria um constrangimento que te afeta, afeta a tua família e leva as pessoas a saírem”, analisa ele.

Caio Júnior, desde o ano passado no Catar, também não reclama da vida que leva no Oriente Médio. “As condições de trabalho são boas, financeiramente e profissionalmente. Hoje em dia acho crucial a questão social, a segurança que você tem ao sair na rua. E aqui não vejo violência, consigo caminhar de noite e ter uma rotina que me lembra a infância no interior do Paraná”, diz o treinador do Al-Gharafa, que já trabalhou em clubes como Palmeiras, Goiás e Flamengo.

Divulgação
Caio Júnior no dia em que foi apresentado no Al-Gharafa


Felipão satisfeito
Campeão mundial com a seleção brasileira em 2002, Luiz Felipe Scolari recusa propostas de países mais desenvolvidos em termos de futebol para dar sequência ao seu projeto no desconhecido Uzbequistão.

“Sou muito requisitado por clubes e seleções, mas como estou feliz, tenho dito não a muitos convites. Em muitos países asiáticos, vive-se de forma mais que segura que no Brasil, e como o futebol está sempre em evolução, há humildade dos atletas e uma vontade de crescer que acaba me satisfazendo”, explica Felipão, comandante do Bunyodkor.

Se Scolari não relata dificuldades de adaptação, outros técnicos compartilham duas barreiras no cotidiano da função em países asiáticos: calor excessivo e idioma estranho. “O árabe convive com 45ºC, às vezes 50ºC, e não treina sob sol, só de noite. No inverno, o mais cedo é no fim da tarde. Aí você fica com o dia inteiro ocioso, e acaba sendo chato porque fica difícil encaixar atividades culturais e de lazer”, reclama Abel Braga, seguido por Caio Júnior e Sebastião Lazaroni. “No meio do ano faz 50ºC, os treinos começam às 21h e às vezes os times chegam a ir para a Europa para treinar”, revela Caio.

O idioma japonês deu trabalho para Oswaldo de Oliveira nos primeiros tempos de Kashima Antlers. “Desde que assumi o cargo, conto com a ajuda de um intérprete que facilita bastante essa questão. No início, não foi fácil porque eu precisava ver que ele conseguia transmitir exatamente aquilo que eu dizia, sem mais e nem menos. Agora já estamos bem entrosados. A cultura é realmente bem diferente, mas no dia-a-dia nos adequando aos poucos".

No Catar desde 2008, Lazaroni ressalta a importância de ter o auxílio de um intérprete que também fala português. “A maioria dos jogadores falam inglês e nossa comunicação é boa. Mas tenho um intérprete que é um ex-jogador do clube, jogou na Grécia, na Espanha, na França e foi da seleção de Marrocos. Ele também fala português e isso é importante porque, quando é necessário, consegue passar exatamente o que preciso", conta o técnico do Qatar SC.


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felipao bunyodkor scolari

Luiz Felipe Scolari
Treinador pentacampeão com a seleção brasileira em 2002 disse que está satisfeito no Uzbequistão

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