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Futebol

25/03 - 08:45

Presentes, traduções hilárias e apertos à mesa alimentam folclore de técnico brasileiros na Ásia
Caio Jr., Sebastião Lazaroni, Oswaldo de Oliveira e Waldemar Lemos contam saias justas provocadas pelo choque cultural de trabalhar em países distantes

Bruno Pessa, iG São Paulo

Há muito tempo técnicos brasileiros se aventuram pelo mercado asiático. Ainda assim, "causos" que exponham as diferenças culturais entre o Brasil e os povos daquele continente seguem a acontecer. Nem intérpretes ou o jogo de cintura dos "boleiros" conseguem evitar situações como as que você confere abaixo:


Perdido no coreanês, por Caio Jr (técnico do Al-Gharafa, Qatar)
"Na minha passagem pelo Japão, houve um jogo em que, após o apito final, um brasileiro e um coreano discutiram no meu time (prefiro não falar o nome do brasileiro). Assim como nós brasileiros tínhamos um intérprete pra traduzir português/japonês, esse coreano tinha um intérprete coreano/japonês. Aí o coreano falava, o intérprete dele passava pra japonês, o intérprete brasileiro traduzia pro português e o brasileiro entendia e respondia, fazendo o processo inverso. Foi uma briga em 3 etapas que até me dava vontade de rir."

Milton Trajano
Ex-Palmeiras e Flamengo, Caio Jr levou um tempinho para se comunicar no Catar...


Mimos nipônicos, por Owasldo Oliveira (técnico do Kashima Antlers, Japão)
"Quando conquistamos o primeiro título nacional, cheguei ao Kashima Antlers no dia seguinte e vi que as dependências e os corredores do clube estavam tomados por arranjos enormes de flores, coroas, cestas, faixas, barris de saquê. Mas muito lotado mesmo. Foi aí que me contaram que eram presentes de torcedores emocionados com o título, que não paravam de chegar. Quando conquistamos os outros títulos, isso se repetiu. Eu também fui muito presenteado com tudo o que se pode imaginar. Flores, faixas para a cabeça, bichos de pelúcia, medalhas, entre outras coisas. São muitos gestos de carinho."


Cachorro à carbonara, por Waldermar Lemos (técnico do Pohang Steelers, Japão)
"O atacante Almir, ex-Botafogo, Atlético-MG e Ponte Preta, foi um dos reforços do Pohang Steelers, da Coréia do Sul para esta temporada. Ele está há algum tempo no futebol sul-coreano e até entende alguma coisa do idioma para o seu dia-a-dia, mas não entende, por exemplo, uma reunião com um treinador sul-coreano. No ano passado, no Ulsan Hyundai, ele passou um aperto. O ex-técnico reuniu o grupo, antes da concentração, fez um discurso e depois fez uma pergunta aos jogadores, que, logo em seguida, levantaram as mãos. A tradutora, naquele dia, tinha faltado e Almir não entendeu nada, mas, com vergonha, resolveu seguir os companheiros e levantou o braço na hora também. Ao consultar um companheiro que o compreendia sobre qual era assunto, ficou sem saber o que fazer. O treinador tinha perguntado quem queria comer carne de cachorro no jantar. Desesperado, pediu que os jogadores explicassem ao técnico que nunca comeria cachorro e, depois do susto, recebeu a autorização para pedir comida italiana."

Milton Trajano
Para se entrosar com o grupo, Almir resolveu concordar com tudo. Até que chegou a hora de comer cachorro...


Traíra Secreto, por Sebastião Lazaroni (técnico do Qatar SC, Qatar)
"No fim de 2009, os brasileiros no Catar prepararam uma festa de Natal e quem deu a ideia foi a esposa do meia Felipe, do Al-Sadd e ex-Fla, Flu, Vasco. Felipe foi o responsável por escolher o nome do evento e todos se divertiram. O nome escolhido foi: Traíra Oculto (uma variação do Amigo Secreto).  O nome do evento só podia ser uma invenção do Felipe, que é brincalhão e é um dos brasileiros mais adaptados ao país. Ele está há muito tempo no Catar."


Língua do boleiro, por Abel Braga (técnico do Al-Jazira, Emirados Árabes)
"Meu time, o Al-Jazira, enfrentou o Al Wahda na semana passada. No Wahda joga o Pinga, que foi meu jogador no Inter. Num lance de disputa de bola, o Pinga caiu junto com um jogador do meu time, eles se embolaram e começaram a discutir. Nisso, meu intérprete, que fica comigo no banco, foi até lá pra intervir e tirar satisfação com o Pinga. Aí fui eu que intervi e falei pro intérprete que era pra deixar os jogadores se entenderem sozinhos."


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