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Futebol

15/03 - 11:09

Cacau fala que seu objetivo é ir à Copa: "Daria tudo pela Alemanha"
Artilheiro brasileiro do Stuttgart tem grandes chances de defender a seleção alemã na Copa do Mundo

Mário André Monteiro, iG São Paulo

Além dos brasileiros da seleção de Dunga, a Copa do Mundo de 2010 pode contar com outros atletas nacionais em campo, mas defendendo as cores de outras nações. Um deles é Claudemir Jerônimo Barretto, o famoso Cacau, atacante do Stuttgart, que se naturalizou alemão no início de 2009 e tem reais chances de defender a tricampeã no Mundial.

Aos 28 anos, o jogador vem sendo convocado frequentemente pelo treinador Joachim Low e os recentes gols anotados na Liga dos Campeões e no Campeonato Alemão deixaram esse sonho mais próximo.

Em entrevista exclusiva ao iG Esporte, Cacau contou como foi seu começo de carreira no futebol brasileiro, sua ida para a Alemanha, os planos para o futuro e, claro, suas chances de defender a Nationalelf na África do Sul.


iG: Como foi seu começo no futebol?

Cacau: Na verdade eu comecei jogando em Mogi das Cruzes, numa escolinha de futebol, depois saí de lá e joguei três anos nas categorias de base do Palmeiras, joguei por três meses no Nacional-SP e antes de vir para Alemanha eu estava numa escolinha de futebol chamada Joana D'Arc.


iG: E a oportunidade de jogar na Alemanha surgiu como?

Cacau: O meu treinador em Mogi, que tem um primo em Munique, me indicou e eu fui lá pra cidade fazer o teste.


iG: Você iniciou sua caminhada no futebol alemão no Türk Gücü, um time pequeno de Munique. Como foi esse começo?

Cacau: Começou difícil por causa do idioma, mas depois me adaptei também ao futebol alemão. E foi consciente mesmo esse começo numa equipe pequena, onde eu pude jogar sem pressão, aprender a língua e principalmente o estilo de jogo.


iG: Qual a diferença do futebol jogado na Alemanha e no Brasil?
Cacau: Muda bastante coisa. Principalmente na força física, onde eles dão muito valor e onde eu melhorei demais.


iG: Você costuma visitar o Brasil?

Cacau: Sempre que a gente tem férias aqui eu volto para o Brasil, para São Paulo.


iG: A fase que você vive atualmente é a melhor de sua carreira?

Cacau: Teve a época que nós fomos campeões aqui (2007), que foi uma fase muito boa. Mas agora é diferente, tem a seleção, possibilidade de ir para Copa, jogos na Champions League. São situações diferentes, mas as fases vividas são iguais.


iG: Por falar em Champions, dá para eliminar o Barcelona?

Cacau: Nós sabemos que eles são favoritos, mas vamos dar o nosso melhor e se tiver uma chance a gente quer aproveitar. Se não der, queremos, pelo menos, sair bem da competição.


iG: O Stuttgart começou mal a temporada, chegou inclusive a frequentar a zona de rebaixamento da Bundesliga, mas se recuperou. Por que esse início tão ruim?

Cacau: São vários fatores. É difícil apontar uma coisa que estava tão mal, mas o treinador conseguiu dar estabilidade para o time e isso ajudou bastante.


iG: A naturalização foi pedido de alguém, algum técnico, ou decisão sua?

Cacau: Foi uma decisão minha e da minha esposa, e por nossos filhos terem nascido na Alemanha, e também por já estarmos há 10 anos aqui. Queremos dar uma oportunidade para nossos filhos no futuro. Acredito que eles são os principais "culpados" por essa decisão de naturalizar.


iG: Por você ser brasileiro e jogar na Alemanha, houve preconceito?

Cacau: Nunca teve.


iG: Qual o gol mais bonito que já marcou?

Cacau: É difícil dizer, fiz vários gols bonitos, mas o que me marcou bastante foi no ano em que fomos campeões, em 2007, na segunda rodada, de uma distância de uns 30 metros.


iG: E o mais importante?

Cacau: Nesse mesmo campeonato, na penúltima rodada, onde estávamos empatando com o Bochum, aí fiz o gol da vitória, nos tornamos líderes e fomos campeões no último jogo.


iG: Por que os brasileiros que vão para Alemanha se dão tão bem?

Cacau: Não tem uma receita. Aqui na Alemanha eles dão ênfase à força física, e muitos jogadores se superam por conta disso, conseguem se destacar.


iG: O que você acharia se um argentino se naturalizasse e jogasse uma Copa pela seleção brasileira?

Cacau: Primeiro acho que isso é improvável. Primeiro porque são poucos os estrangeiros que vão jogar no Brasil, então a naturalização só se tornaria possível se fosse um jogador que ficasse muito tempo no Brasil. Por isso acho difícil responder.


iG: Você acha que teremos cada vez mais brasileiros vestindo camisas de outras seleções?

Cacau: Depende de cada caso. É difícil dizer se isso vai aumentar, mas o fato é que o Brasil exporta muitos jogadores, e eles ficam muito tempo jogando nesses países, se adaptam à cultura e acabam se naturalizando.


iG: Você estará na Copa do Mundo?

Cacau: Espero que sim. É meu maior objetivo.


iG: Se não for ao Mundial e acontecer um duelo Brasil x Alemanha, você torcerá para quem?

Cacau: É uma coisa que eu não pensei ainda. São os dois países do meu coração. Mas como eu disse, espero estar na Copa, jogando, e daria tudo pela Alemanha.


iG: Quais as chances da Alemanha na Copa?

Cacau: A Alemanha é tricampeã mundial e tem o respeito internacional muito grande, foi bem nas duas últimas Copas. Sempre quando entra numa competição a seleção se supera, então acredito que vai sim ter a chance de ser campeã, principalmente por esse respeito que ela tem.


iG: Pensa em voltar a jogar no Brasil algum dia?

Cacau: Eu não me imagino jogando no Brasil. Estou muito bem aqui na Alemanha e não acho que voltaria ao Brasil algum dia para jogar.


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AP

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Atacante é naturalizado alemão desde 2009 e pretende defender a tricampeã na Copa do Mundo

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