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Futebol

11/03 - 11:54

Grafite não acredita na Alemanha na Copa e pretende, um dia, vestir a camisa do Santos
Atacante brasileiro do Wolfsburg contou que quer realizar o sonho do seu falecido pai, torcedor fanático do time da Vila Belmiro

Paulo Passos e Mário André Monteiro, iG São Paulo

Destaque do Wolfsburg, atual campeão alemão, e artilheiro da última temporada da Bundesliga, o atacante brasileiro Grafite conversou com o iG Esporte e revelou alguns detalhes de sua vida na Alemanha, contou uma passagem engraçada do seu convívio com Felix Magath, considerado por muitos um treinador rigoroso e ditador e falou sobre os planos futuros.

No bate-papo exclusivo, o jogador ex-São Paulo disse que tem grande carinho pelo clube do Morumbi, mas que pretende, um dia, realizar o sonho do seu falecido pai: vestir a camisa do Santos. Entretanto, Grafite garante que está feliz em terras germânicas, principalmente pela boa educação que dá às filhas.

Quando o assunto é Copa do Mundo, o atacante revelou que não tinha mais esperanças de ir ao Mundial, mas após o amistoso contra a irlanda, abriu-se uma brecha de esperança. (Leia a entrevista com Grafite sobre a Copa do Mundo aqui)


iG: Por que o Wolfsburg teve essa queda de rendimento da temporada passada para a atual, sendo que manteve a base campeã?

Grafite: O Felix Magath tinha uma estrutura por trás do time e só se concentrava no trabalho. E depois da sua saída e de todo seu staff para o Schalke, chegou o Armin Veh, que é um outro estilo de trabalho, mais tranquilo. O Magath é aquela coisa 100%, usando a força, sempre trabalhando no limite. O Veh é um excelente treinador, de muita qualidade, mas infelizmente o estilo de jogo não deu muito certo.


iG: O que é essa mudança de estilo?

Grafite: Antes a gente sempre jogava nos contra-ataques, tanto em casa quanto fora, e depois que nós fomos campeões, as outras equipes já não pensavam em atacar muito o Wolfsburg. Aí a gente teve que sair mais para o jogo e a nossa equipe não estava acostumada a ir buscar o resultado, furar a defesa do adversário. O Veh introduziu esse esquema de toque de bola. Foi uma mudança difícil, principalmente para mim, para o Dzeko e para o Misimovic, que somos jogadores fortes e que sempre jogávamos em bolas longas, recebendo de frente para o gol, em velocidade. A mudança tática foi difícil de assimilar.


iG: O jeito de trabalhar do Magath é realmente muito rigoroso?

Grafite: Demais. Com o Magath a gente puxava pneu na praia, fazia luta um jogador contra o outro, tinha que correr em volta do campo depois de alguma partida ruim, subíamos em montanha...


iG: Por falar nisso, como foi aquele episódio que você passou mal e quase desmaiou subindo uma montanha na Suíça? (Relembre aqui)

Grafite: Vocês ficaram sabendo só desse episódio, mas tiveram muitos outros (risos). A gente fez uma pré-temporada no país e numa tarde saímos para dar um passeio. Coloquei o agasalho, muitos saíram com o iPod, fone de ouvido, celulares e tal. E aí chegamos numa montanha. Falei para o Josué: 'Quero só ver isso'. E começamos a subir. Na metade, com mais ou menos 1.100 metros, eu estava lá atrás, em último, e quem chegasse muito tempo atrasado pagaria uma multa, é uma brincadeira que a gente faz sempre em treinos.

E como não dava mais para voltar, tinha que subir lá no topo, a 2.400 metros, e pegar um bonde para descer tudo. Tinha uma parte da montanha que era muito íngrime, e se escorregasse era dali para baixo (risos). Eu estava atrás, mas o Magath estava mais atrás ainda, então eu estava sossegado. Mas aí teve uma hora que começou a bater um revertério, eu estava com fome e fazia mais de três horas que a gente estava subindo. Aí eu parei e ele (Magath) me alcançou e perguntou o motivo de eu ter parado. Eu disse que estava com tontura, e então ele pediu para eu deitar.

Fiquei dez minutos deitado, depois continuei a caminhar mais um pouco e não deu. Disse pra ele que não dava para continuar. Sentei, ele pegou o celular e ligou para o médico que estava lá em cima. Faltava pouco, uns 200 ou 300 metros. No topo tinha jornalista, fotógrafo, todo mundo esperando. Cheguei lá meio tonto, mas não cheguei a desmaiar. Depois pegamos o bondinho para descer.

Reuters
Grafite cumprimenta Felix Magath: Parceria que deu certo


iG: A próxima temporada será de novo no Wolfsburg?

Grafite: Renovei meu contrato há oito meses. Eu tinha vínculo até 2011 e prorroguei até 2012, ou seja, mais dois anos e meio de contrato. Mas depois que fomos campeões começaram a aparecer algumas coisas, alguns clubes ligando. Na semana passada veio um clube da Rússia me procurando. Hoje não penso em sair não. Talvez o Dzeko e o Misimovic saiam. Mas ouvi dizer que o clube tem um grande projeto para próxima temporada, montar um time forte para chegar à Champions novamente. Então vamos ver, não sabemos se o treinador vai permanecer e muita coisa pode acontecer até lá.


iG: Como foi o dia seguinte àquele golaço que marcou contra o Bayern de Munique, de calcanhar, que inclusive entrou na relação de gols mais bonitos da Fifa? (Veja como foi o golaço)

Grafite: Não só o gol, mas esse jogo foi um marco para o Wolfsburg. Foi o jogo em que assumimos a liderança do campeonato rumo ao título inédito, vencemos um concorrente direto por goleada. E eu também assumi a artilharia isolada naquela partida. A partir dali o foco de todos ficou voltado para o Wolfsburg, que virou a mania da Alemanha. Os treinamentos do time que antes tinham 10 pessoas passaram a ter 200, a imprensa em cima, e o Magath sempre isolando a gente disso tudo, do assédio. Aquele meu gol foi eleito o mais bonito da Alemanha.


iG: E o duelo contra o Rubin Kazan pela Liga Europa?

Grafite: A equipe deles é muito forte e muito boa. O Rubin ganhou do Barcelona dentro do Camp Nou, depois empatou em casa e só não se classificou na Liga dos Campeões porque estava numa chave difícil, com o próprio Barcelona, Inter de Milão e Dínamo de Kiev. Vai ser difícil, mas nossa equipe vem numa crescente boa nos últimos jogos. Ficamos dez partidas sem ganhar, mas já faz cinco que a gente não perde. A nossa classificação depende do jogo desta quinta. Conseguir um ou dois gols lá na Rússia já vai ser muito bom e também não podemos perder, porque eles jogam muito bem fora de casa.


iG: Você joga?

Grafite: Viajo com a equipe, mas ainda não sei se eu jogo. Fiz um trabalho recentemente e não senti dores. Meu músculo adutor deu uma esticada, algumas partículas ainda estão abertas e incomoda um pouco para correr. Vamos ver se até a hora da partida eu me recupero bem.


iG: Pensa em voltar para o Brasil?
Grafite: Vou ser sincero, quando eu saí do Brasil em 2006 tinha um pensamento de ficar 4 ou 5 anos na Europa, mas minha família está bem aqui, minhas filhas estão adaptadas à escola. Tenho mais dois anos e meio de contrato e se eu cumprir posso pegar o passaporte alemão, o que seria bom para minhas filhas. Hoje eu penso mais nelas do que na minha carreira. Mas a gente nunca sabe. Às vezes bate uma vontade de voltar ao futebol brasileiro.


iG: Se retornar, só “serve” o São Paulo?

Grafite: Tenho muito carinho pelo São Paulo, apesar de ter boas passagem por Goiás e Grêmio, mas o São Paulo foi a equipe que me projetou, que me deu a oportunidade de crescer como jogador. Mas eu não sei, se um dia tiver proposta de outro clube a gente vai analisar. O meu falecido pai sempre teve o sonho de me ver vestindo a camisa do Santos, ele era santista fanático, e tenho a vontade de realizar esse sonho para ele. Ninguém sabe o dia de amanhã.


iG: Para você que vive o futebol alemão diariamente, a Alemanha tem chance de vencer a Copa?

Grafite: Está passando por um momento conturbado agora, né?! O Maradona veio aqui na semana passada e fez um estrago (risos). A imprensa está em cima, cobrando, dizendo que a equipe não está bem preparada para Copa, não está em forma, critica muito os jogadores que estão sendo convocados... é um time de qualidade que até chegou na final da Euro 2008, mas pelo que estamos vendo a Alemanha não tem condições de chegar na final do Mundial. Até as oitavas ou quartas pode chegar, mas hoje não teria condições de vencer. Tem que ver como será a preparação.


iG: E quem leva o título do Alemão nesta temporada?

Grafite: O Bayern está muito forte. O treinador Van Gaal organizou bem a equipe tecnicamente e taticamente. O Leverkusen vem caindo de produção nos últimos jogos, assim como aconteceu na temporada passada, quando fez um grande primeiro turno e caiu na tabela ao lado do Hoffenheim. Para mim, o grande favorito é o Bayern de Munique.


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AP

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Atacante é um dos maiores responsáveis por colocar o nome do Wolfsburg em evidência

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