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Futebol

21/01 - 08:27

Fiel ignora apagão de astros e põe na balança apenas os "mortais"
Na noite das estrelas Roberto Carlos e Ronaldo, quem ditou o ritmo foram os coadjuvantes. Jorge Herique definiu o jogo. Já Tcheco virou o bode expiatório da Fiel

Paulo Passos, iG São Paulo

Era jogo para vender camisa. Isso qualquer ambulante que trabalha próximo ao estádio do Pacaembu sabia. A nove de Ronaldo estava lá no varal improvisado. Mas outro número também ganhava espaço: o seis.

Assim também foi no momento que locutor anunciou, nos alto falantes do estádio, a escalação corintiana. Só um nome foi mais aplaudido e celebrado que o de Roberto Carlos. O de Ronaldo. Aos olhos da Fiel, só havia os dois em campo antes da bola começar a rolar. Tudo vindo da dupla era diferente. Desde o aceno no gramado para os aplausos das arquibancadas até ao toque que davam na bola quando faziam o aquecimento.

O recado aos demais era claro: para ser notado, sem ser Ronaldo, sem ser Roberto Carlos, era preciso fazer muito. Ou muito pouco. Jorge Henrique entendeu. No primeiro lance do jogo, colocou Iarley na cara do goleiro Gilvan. O atacante tocou para o gol. A bola ainda foi interceptada pelo zagueiro do Bragantino, mas acabou batendo em Elias. Corinthians 1 a 0.

O time já vencia, mas a torcida queria mais. A cada bola pelo lado esquerdo do campo, o narrador da rádio berrava: “vai Roberto Carlos!” Mas quem ia era Jorge Henrique. O veterano lateral subia pouco ao campo de ataque. O pequeno atacante, esse sim, avançava. Foi dessa maneira que agradou à torcida. Não, não marcou o segundo. Talvez, para quem foi ver Ronaldo, tenha feito mais que do isso. Aos 21minutos, cruzou a bola na cabeça do atacante, que desperdiçou a chance. 

Enquanto isso, o Bragantino começava a gostar do jogo. Tinha a bola dominada e atacava mais. Numa dessas escapadas, Paulinho tabelou e entrou livre na área para marcar. O gol agitou a Fiel. Se a vitória sem o brilho dos dois galácticos já não servia, o empate na estreia deles, menos ainda.

Gazeta Press
Roberto Carlos comemora com Jorge Henrique, autor do gol da vitória corintiana


Com a bola rolando, Roberto Carlos pouco aparecia. Aos 40 minutos de jogo, ela parou. Falta marcada por Cleber Abade. E era para o Corinthians, longe da área. O lateral não precisou nem pedir para bater. O pique em direção a bola era aquele mesmo que os 34 mil torcedores no estádio se acostumaram a ver na tevê. Só que dessa vez era no Pacaembu, e com a camisa do seu time. A bola foi no meio do gol, nas mãos de Gilvan.

Os primeiros 45 minutos terminaram. Na saída do gramado, ele prometeu: "Não tivemos espaço para jogar, mas no segundo tempo, vou sair mais”. Quem? Roberto Carlos, que não contava com a chuva que veio no intervalo e, claro, deixou o campo mais pesado.

A partida recomeçou com bela jogada de Ronaldo. Ele fugiu da marcação e tocou para Tcheco dentro da área. O meia não conseguiu dominar a bola. Deixou escapar. O mesmo havia acontecido com o "Fenômeno", no meio-campo, minutos antes do Bragantino empatar. Protestos contra o artilheiro? Nem pensar. Foi então que a Fiel mostrou então como trata de forma desigual os desiguais. A Tcheco restou uma sonora vaia, que voltou a ser repetida quando foi substituído.

Aos seis minutos do segundo tempo, Roberto Carlos cumpriu a promessa. Subiu ao ataque e cruzou para Ronaldo. A primeira e única jogada em conjunto dos dois. Pronto, motivo para se ouvir barulho das arquibancadas. Primeiro, de expectativa. Depois, de reclamação. O "Fenômeno" caiu, pedindo pênalti, corretamente não marcado.

O que restou da expectativa de show foi apenas uma dupla de voluntariosos. Ronaldo por jogar 90 minutos. O parceiro, pelos carrinhos, comemorados a toda instante nas arquibancadas. Ironicamente, foi um deles que tirou Roberto Carlos do jogo. Ao tentar roubar a bola do adversário, acabou atingido o banco de reservas. Sentiu na hora e foi substituído. “Nada grave”, esclareceu após o jogo.

Mas o time já nem precisava mais dele. Jorge Henrique tinha se encarregado de decidir. Aos 18 minutos do segundo tempo e de fora da área. Golaço e atuação que fizeram o atacante ser tão celebrado quanto a dupla estreante. Já Tcheco sentiu que, pelo menos por enquanto, sua camisa vai demorar para aparecer à venda em dias de jogos no Pacaembu.


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Roberto Carlos disputa lance

Roberto Carlos
Após um primeiro tempo tímido, lateral subiu para o ataque na segunda etapa em sua estreia

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