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Futebol

20/01 - 10:02

Retrospecto da dupla Ro-Ro no Real põe em dúvida sonho corintiano no ano do centenário
Em cinco anos de convivência diária em Madri, Ronaldo e Roberto Carlos só tiveram sucesso sob o comando de Vicente Del Bosque, que vê no "bom ambiente" a senha para fazer os astros renderem

Paulo Passos, iG São Paulo

O Corinthians celebra. Os patrocinadores confiam. A Fiel já idolatra. Resta saber se a dupla Ronaldo e Roberto Carlos, maior aposta do centenário alvinegro, irá funcionar dentro do campo ou se produzirá apenas o mesmo efeito proporcionado ao Real Madrid da primeira era galáctica, quando agradou mais às ações de marketing do clube do que à ambição da torcida em abarrotar a sala de troféus.

A convivência diária da dupla Ro-Ro, que são amigos fora de campo, só foi bem-sucedida dentro dele na temporada 2002-03, quando Vicente Del Bosque, hoje técnico da Espanha, era quem distribuía as camisas do Real. “Vi que eles estão no Corinthians. Não sabia que iam estrear nesta quarta, mas fico feliz. São dois jogadores que tenho um carinho muito especial. Sempre foram espetaculares comigo e lhes desejo o melhor”, afirmou Del Bosque em entrevista exclusiva ao iG.

O contraste de rendimento da dupla no ano com Del Bosque e em relação às temporadas seguintes fica evidente no aproveitamento do Real. Nas cinco temporadas no time merengue, a dupla brasileira entrou em campo em 162 partidas, com 94 vitórias e um aproveitamento de 65%. Pouco para um grupo que contava com as maiores estrelas do mundo. O que não diminui a admiração do espanhol pela dupla.

Del Bosque define Ronaldo como um jogador único. Para Roberto Carlos os elogios são ainda maiores. “Ele foi o jogador estrangeiro de melhor rendimento que vi na Espanha. Atuou durante anos, sem nunca ter tido uma lesão. Ele defendia, atacava, fazia várias funções durante um jogo. Sou fã dele. Até hoje o Real Madrid não conseguiu substituí-lo”, avalia.

AE
Ronaldo e Roberto Carlos esperam melhores resultados no Corinthians


Para o técnico espanhol, é fácil fazer com que a dupla renda o esperado para o Corinthians alcançar, por exemplo, o título da Libertadores, principal sonho do centenário. Basta um bom ambiente de trabalho. “As relações humanas são importantes na hora de montar um time e, durante o tempo em que fui treinador dos dois, tudo funcionou bem. É muito difícil alguém se dar mal com eles. São profissionais e muito alegres”, conta.

Ronaldo endossa o ex-comandante. “Ele sempre tinha muito trabalho com bola, que é o que o jogador mais gosta. E a gente não concentrava quando o time jogava dentro de casa”, lembra o atacante, aos risos. Não por acaso, foi no seu primeiro ano no Real Madrid que o "Fenômeno" passou a ter problemas constantes com a balança, com os quais, inclusive, convive até hoje.

Mas é inconteste que, focando em títulos, a política do "boleirão" Del Bosque funcionava. Com ele à frente do Real, e Zidane, Figo e a dupla brasileira dentro de campo, o time espanhol conquistou em 2003 um Campeonato Espanhol, uma Supercopa da Espanha e o Mundial Interclubes. Na Liga dos Campeões, caiu na semifinal contra a Juventus, outro gigante europeu.

Após a saída de Del Bosque, o que se viu nas temporadas seguintes foram muitas trocas no comando técnico - Carlos Queiróz, Juan Antonio Camacho, Garcia Ramón e até Vanderlei Luxemburgo -, turnês pela Ásia, milhares de camisas vendidas e nenhum resultado dentro de campo. Tanto que outra taça foi morar no Santiago Bernabéu somente em 2006-07, com o italiano Fabio Capello no comando, Ronaldo, Figo e Zidane fora do clube. Beckham de saída e a política "galáctica" de Florentino Pérez substituída pela gestão Ramón Calderón.

Seleção brasileira
Já pelo time nacional, o retrospecto da dupla Ro-Ro é mais promissor. Os números são melhores. Nas 87 partidas em que os dois estiveram juntos em campo, o  Brasil venceu a maioria, 61, e conseguiu um aproveitamento de mais de 75%. A diferença é que não havia a rotina diária, ano após ano, de treinos, concentrações e viagens. Exatamente o que Ronaldo e Roberto Carlos irão mais viver no ano do centenário corintiano.

Em 10 anos com a camisa amarela, foram quatro títulos. Mesmo assim, foi quando a dupla esteve fora que os últimos sucessos vieram, nas Copas América de 2004 e 2007 e nas Copas das Confederações de 2005 e 2010. A última conquista dos parceiros é o Mundial de Alemanha, em 2002.

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Ronaldo e Roberto Carlos

Ronaldo e Roberto Carlos
Atuando juntos com a camisa do Real, lateral e atacante tiveram um aproveitamento de 65%

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